INOVAERO reúne FAB, SENAI CIMATEC e indústria em Salvador para impulsionar polo aeroespacial da Bahia

Na sexta-feira, 12/06/2026, a Base Aérea de Salvador (BASV) sediará o 1º INOVAERO — Encontro de Inovação Aeroespacial, iniciativa voltada ao fortalecimento do Parque Industrial Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA) e à articulação entre Força Aérea Brasileira, Ministério da Defesa, SENAI CIMATEC, empresas de tecnologia e defesa, universidades, centros de pesquisa e bancos de fomento. O evento, instalado no ambiente estratégico da BASV, pretende consolidar Salvador como ponto de convergência para projetos aeroespaciais, sistemas autônomos, inteligência artificial, satélites, sensores, logística avançada, materiais e tecnologias de uso dual, com aplicações civis e militares.

O INOVAERO foi concebido para reunir, em um mesmo espaço, atores públicos e privados ligados ao desenvolvimento tecnológico nacional. A proposta ultrapassa o formato de uma feira tradicional, ao aproximar instituições que pesquisam, financiam, produzem, testam e utilizam soluções aeroespaciais.

O eixo central do encontro será o PITA-BA, parque criado a partir da cooperação entre o Comando da Aeronáutica (COMAER) e o SENAI CIMATEC, com a finalidade de estruturar um ambiente industrial, tecnológico e acadêmico voltado à inovação aplicada. A iniciativa busca ampliar a capacidade brasileira em setores considerados sensíveis para a soberania tecnológica e para a competitividade da indústria nacional.

Entre os segmentos previstos estão drones, inteligência artificial, satélites, tecnologias quânticas, sensores, materiais avançados e soluções de logística. O caráter dual dessas tecnologias — com uso tanto civil quanto militar — amplia o alcance econômico e institucional do projeto, especialmente em áreas como agricultura, segurança, transporte, monitoramento, defesa e infraestrutura.

PITA-BA é apresentado como novo eixo estratégico da indústria nacional

A escolha de Salvador para sediar o encontro está diretamente associada à presença da Base Aérea de Salvador, à infraestrutura aeroportuária da capital baiana e à atuação do SENAI CIMATEC em pesquisa aplicada, prototipagem e formação tecnológica. O conjunto desses fatores é apresentado como uma base favorável para o desenvolvimento de um ecossistema aeroespacial no Nordeste.

O evento ocorre em um momento em que o setor aeroespacial brasileiro busca ampliar sua capacidade de inovação, reduzir dependências externas e fortalecer cadeias produtivas nacionais. Nesse contexto, o PITA-BA surge como instrumento de descentralização tecnológica, em diálogo com o eixo já consolidado do Sudeste, especialmente São José dos Campos e São Paulo.

A localização da Bahia também é apontada como ativo estratégico. O estado ocupa posição relevante na conexão entre Nordeste, Atlântico Sul, logística aérea e rotas de desenvolvimento industrial. Para os organizadores, essa combinação pode atrair empresas, investimentos, centros de pesquisa e projetos de alta complexidade tecnológica.

Evento reunirá empresas, universidades, bancos de fomento e órgãos públicos

O INOVAERO terá participação de representantes de diferentes regiões do país, com destaque para polos como São José dos Campos, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre. A programação prevê a presença de empresas, instituições acadêmicas, centros de pesquisa, órgãos públicos e financiadores estratégicos.

Entre as organizações citadas estão AEROMOT, EMBRAER, HELISUL, FCX, Speedbird, OBL, AXON, Percepta Analytics, Mac Jee, Axé Fly, AEL, ADTECH, ABDRONE, TRL09, BRVANT, Aeroconcepts, STELLA, Taurus, Saab e INOVA-USP, além de bancos e agências como BNDES, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e FINEP.

Também está prevista a participação de autoridades do Governo Federal, da Força Aérea Brasileira, do governo estadual, de municípios e do Alto-Comando da Aeronáutica. Foram citados, entre os nomes esperados, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Demonstrações de drones e exposição tecnológica integram programação

A programação prevê palestras sobre as capacidades do PITA-BA, conduzidas pela FAB e pelo SENAI CIMATEC. Também estão previstas apresentações do BNDES e da FINEP sobre possibilidades negociais e linhas de financiamento voltadas à inovação, à pesquisa, ao desenvolvimento e à produção tecnológica.

O parque de exposições contará com cerca de 30 estandes, nos quais empresas participantes apresentarão capacidades industriais, tecnológicas e operacionais. A intenção é aproximar fornecedores, desenvolvedores, instituições financiadoras e potenciais demandantes de soluções voltadas ao setor aeroespacial.

O encontro também contará com exposição estática de aeronaves e demonstrações de drones por empresas como STELLA, FCX Aero, Speedbird e Helisul. Entre os equipamentos mencionados estão o Austros, da FCX, e os modelos Atobá e Albatroz, da STELLA, este último apresentado como aeronave não tripulada brasileira impulsionada por turbina nacional desenvolvida pela Aeroconcepts.

Segurança operacional foi coordenada com órgãos reguladores

As demonstrações aéreas foram planejadas em coordenação com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), empresas aéreas e a administração do Aeroporto de Salvador. Segundo as informações fornecidas, os voos foram organizados para ocorrer em intervalos sem operações comerciais, dentro de circuitos controlados e monitorados.

A medida busca preservar a rotina dos passageiros e a operação regular do aeroporto, além de demonstrar a capacidade de integração entre inovação tecnológica e segurança operacional. O cumprimento das normas de voo é apresentado como elemento central para a validação dos equipamentos em ambiente controlado.

Essa dimensão regulatória é relevante porque o avanço de sistemas autônomos depende não apenas da capacidade tecnológica das empresas, mas também da conformidade com padrões de segurança, certificação, controle aéreo e integração com o espaço aéreo civil.

Acordos e parcerias devem ampliar cooperação tecnológica

O encontro prevê a celebração de acordos entre o COMAER e empresas parceiras, com foco no compartilhamento de capacidades e na identificação de projetos de interesse comum. O SENAI CIMATEC também deve formalizar parcerias por meio de memorandos e protocolos de intenções.

Essas iniciativas envolvem áreas como pesquisa, desenvolvimento, testes, prototipagem, produção e formação de mão de obra especializada. A articulação entre setor produtivo, instituições acadêmicas e órgãos públicos é considerada essencial para reduzir a distância entre pesquisa aplicada e escala industrial.

A criação de um ambiente estável de cooperação pode favorecer a atração de empresas de tecnologias emergentes, a geração de empregos qualificados e a formação de profissionais para cadeias produtivas de maior valor agregado. Para a Bahia, o movimento representa oportunidade de inserção em um setor historicamente concentrado em poucos polos nacionais.

Salvador busca se posicionar como hub aeroespacial do Nordeste

A realização do INOVAERO na capital baiana reforça a intenção de posicionar Salvador como referência regional em tecnologia aeroespacial e indústria de defesa. O projeto articula infraestrutura militar, capacidade acadêmica, ambiente industrial e instrumentos de financiamento, em uma estratégia de longo prazo.

A presença da Base Aérea, o acesso à pista do aeroporto internacional e a atuação do SENAI CIMATEC compõem uma estrutura considerada favorável para testes, prototipagem, capacitação e atração de empresas. O PITA-BA passa, assim, a ser apresentado como plataforma de desenvolvimento industrial e tecnológico.

Embora o Sudeste concentre parte expressiva da tradição aeroespacial brasileira, o avanço de um polo no Nordeste pode ampliar a distribuição territorial de investimentos, estimular cadeias locais de fornecedores e fortalecer a participação da Bahia em projetos de interesse nacional.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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