Na quarta-feira, 10/06/2026, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2024, indicando que a Bahia ocupava posição de liderança no Norte-Nordeste em número de empresas, pessoal ocupado, salários pagos e valor das incorporações, obras e serviços da construção civil. Em 31 de dezembro de 2024, o estado reunia 2.886 empresas da construção com cinco ou mais pessoas ocupadas, empregava 127.920 trabalhadores, pagava R$ 4,525 bilhões em salários e outras remunerações e registrava R$ 25.911.985 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 25,912 bilhões, em valor de obras e serviços.
Os dados colocam a Bahia em posição relevante no cenário brasileiro. O estado tinha o 7º maior número de empresas da construção civil do país e o maior contingente empresarial entre as regiões Norte e Nordeste. No Brasil, havia 70.078 empresas do setor com cinco ou mais pessoas ocupadas, das quais as baianas representavam 4,1%. Na comparação regional, a Bahia concentrava 25,5% das empresas da construção existentes no Nordeste, que somavam 10.535 unidades.
No ranking nacional de empresas em atividade, São Paulo liderava com 21.286 empresas, seguido por Minas Gerais, com 8.091, Santa Catarina, com 6.278, Paraná, com 6.270, Rio Grande do Sul, com 5.461, e Rio de Janeiro, com 4.564. A Bahia aparecia em seguida, à frente de Goiás, Mato Grosso, Espírito Santo, Distrito Federal e de todos os estados do Norte e do Nordeste.
Estado supera Pernambuco, Ceará e Pará em número de empresas
A análise detalhada por Unidade da Federação mostra que a liderança baiana no Norte-Nordeste foi ampla no número de empresas. A Bahia reunia 2.886 empresas da construção civil com cinco ou mais pessoas ocupadas, acima de Pernambuco, com 1.886; Ceará, com 1.708; Pará, com 1.337; Paraíba, com 1.080; Rio Grande do Norte, com 976; Maranhão, com 911; Piauí, com 727; Alagoas, com 607; Sergipe, com 549; Amazonas, com 636; Rondônia, com 418; Tocantins, com 379; Amapá, com 176; Roraima, com 167; e Acre, com 138.
Esse desempenho evidencia a capilaridade empresarial do setor no estado. A construção civil baiana não se destacava apenas pelo valor econômico das obras, mas também pela quantidade de empresas ativas em um segmento que reúne edificações, infraestrutura, incorporação, serviços técnicos e atividades especializadas.
A posição da Bahia entre os sete maiores contingentes empresariais do país reforça a importância do setor para a economia estadual, sobretudo por sua relação direta com geração de empregos, demanda por insumos, expansão urbana, obras públicas, habitação, logística e serviços de engenharia.
Bahia tinha o quinto maior contingente de trabalhadores do setor no país
As empresas de construção baianas empregavam, em 2024, 127.920 pessoas. O contingente era o 5º maior do país e o maior do Norte-Nordeste, representando 5,9% do total de pessoas ocupadas no setor em todo o Brasil, que somava 2.181.647 trabalhadores. No Nordeste, a Bahia concentrava 29,9% dos 427.445 trabalhadores ocupados nas empresas da construção.
No ranking nacional de pessoal ocupado, São Paulo liderava com 596.163 trabalhadores, seguido por Minas Gerais, com 266.591; Rio de Janeiro, com 177.174; Paraná, com 136.818; e Bahia, com 127.920. O estado ficou à frente de Santa Catarina, com 113.941; Rio Grande do Sul, com 102.768; Pará, com 73.688; Pernambuco, com 70.508; Goiás, com 68.982; Ceará, com 61.591; Espírito Santo, com 50.959; e Distrito Federal, com 47.746.
Entre os estados do Norte e Nordeste, os contingentes mais próximos da Bahia eram Pará, Pernambuco e Ceará. Mesmo assim, a diferença baiana permaneceu expressiva, o que confirma o peso do setor na estrutura produtiva estadual e sua relevância para a ocupação formal e empresarial.
Salários somaram R$ 4,5 bilhões, mas média ficou abaixo da nacional
Em 2024, as empresas da construção civil com cinco ou mais pessoas ocupadas pagaram, na Bahia, R$ 4,525 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. O montante representava 5,2% do total pago pelo setor no Brasil e colocava o estado na 6ª posição nacional nesse indicador, novamente com liderança no Norte-Nordeste.
Apesar do volume expressivo de remunerações, o salário médio dos trabalhadores da construção na Bahia era de 1,9 salário mínimo. O índice ficou ligeiramente acima da média do Nordeste, de 1,8 salário mínimo, mas abaixo da média nacional, estimada em 2,2 salários mínimos.
Esse contraste mostra que a Bahia ocupa posição elevada em escala produtiva e geração de empregos, mas ainda enfrenta diferença em relação ao padrão médio de remuneração do país. A leitura é relevante porque o setor, embora robusto em volume de empresas, trabalhadores e obras, apresenta desafios ligados à qualificação profissional, produtividade, composição dos empreendimentos e estrutura salarial.
Valor das obras coloca Bahia na quinta posição nacional
O valor das incorporações, obras e serviços das empresas baianas de construção civil alcançou R$ 25.911.985 mil, aproximadamente R$ 25,912 bilhões, em 2024. O resultado foi o 5º maior do país e o maior do Norte-Nordeste, correspondendo a 5,6% do total nacional, calculado em R$ 464.354.459 mil, ou R$ 464,354 bilhões.
O ranking nacional era liderado por São Paulo, com R$ 125.363.965 mil, seguido por Minas Gerais, com R$ 58.616.746 mil; Rio de Janeiro, com R$ 35.239.439 mil; Paraná, com R$ 29.914.511 mil; e Bahia, com R$ 25.911.985 mil. Depois da Bahia apareciam Santa Catarina, com R$ 24.698.909 mil; Rio Grande do Sul, com R$ 24.360.245 mil; Pará, com R$ 17.509.262 mil; Goiás, com R$ 15.922.045 mil; e Ceará, com R$ 13.552.907 mil.
No Nordeste, a distância baiana foi significativa. O Ceará ocupava a 10ª posição nacional, com R$ 13,553 bilhões, e Pernambuco aparecia em 11º lugar, com R$ 12,347 bilhões. Maranhão registrava R$ 7,887 bilhões; Rio Grande do Norte, R$ 5,928 bilhões; Piauí, R$ 5,308 bilhões; Paraíba, R$ 5,043 bilhões; Alagoas, R$ 4,898 bilhões; e Sergipe, R$ 2,460 bilhões.
Bahia concentrou quase um terço do valor da construção no Nordeste
O desempenho baiano no valor das obras e serviços reforça sua centralidade econômica regional. A Bahia respondeu por 31,1% dos R$ 83,336 bilhões movimentados pela construção civil no Nordeste em 2024, concentrando quase um terço do volume econômico regional do setor.
A comparação direta mostra que o valor das obras baianas foi quase o dobro do registrado pelo Ceará e mais que o dobro do montante de Pernambuco. Em relação a Sergipe, menor valor entre os estados nordestinos no levantamento, a movimentação da Bahia foi superior em mais de dez vezes.
Esse diferencial indica que a Bahia não liderava apenas por dimensão territorial ou populacional. O estado combinava escala empresarial, volume de trabalhadores, massa salarial e valor econômico das obras, formando uma posição de liderança regional consistente nos principais indicadores da PAIC 2024.
Infraestrutura concentrou a maior fatia do valor da construção baiana
As obras de infraestrutura responderam por 44,3% do valor total das incorporações, obras e serviços da construção civil na Bahia em 2024, o equivalente a R$ 11,5 bilhões. O segmento liderou a composição econômica do setor no estado.
Na sequência, apareceram a construção de edifícios, com 35,2% do total, ou R$ 9,1 bilhões, e os serviços especializados para construção, com 20,5%, equivalentes a R$ 5,3 bilhões.
A distribuição baiana acompanha, em parte, a estrutura nacional. No Brasil, as obras de infraestrutura também representaram a maior parcela do valor da construção, com 38,4%, ou R$ 200,9 bilhões. A construção de edifícios veio logo depois, com 38,1%, ou R$ 198,9 bilhões.
Principais indicadores da Bahia na PAIC 2024
- 2.886 empresas da construção civil com cinco ou mais pessoas ocupadas;
- 7º maior número de empresas do setor no Brasil;
- Maior número de empresas da construção no Norte-Nordeste;
- 127.920 pessoas ocupadas no setor;
- 5º maior contingente de trabalhadores da construção civil no país;
- R$ 4,525 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações;
- R$ 25.911.985 mil, cerca de R$ 25,912 bilhões, em valor de incorporações, obras e serviços;
- 5ª posição nacional no valor das obras e serviços;
- R$ 11,5 bilhões em obras de infraestrutura;
- 31,1% do valor da construção civil do Nordeste concentrado na Bahia.
IBGE aponta quebra de série e impede comparação com anos anteriores
A PAIC 2024 deve ser interpretada com atenção metodológica. Segundo o IBGE, houve quebra de série na pesquisa em razão de mudanças no indicador de atividade das empresas na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) a partir de 2024 e da adoção de novo critério para identificação das unidades ativas.
Com isso, os resultados divulgados para 2024 não devem ser comparados diretamente com anos anteriores. A ressalva é fundamental para evitar leituras equivocadas sobre crescimento, retração ou variação histórica do setor.
A limitação metodológica não reduz a relevância dos dados, mas delimita corretamente seu uso jornalístico e analítico. Os números permitem avaliar a posição da Bahia no retrato setorial de 2024, especialmente em comparação com outros estados e regiões, mas não autorizam conclusões sobre evolução temporal em relação a levantamentos anteriores da PAIC.








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