O governador Jerônimo Rodrigues participou, neste sábado, 13/06/2026, em Juazeiro, de mais uma plenária territorial do Programa de Governo Participativo (PGP 2026), reunindo prefeitos, lideranças políticas, movimentos sociais, representantes da agricultura familiar, juventude e sociedade civil dos dez municípios do Território de Identidade Sertão do São Francisco. O encontro teve como foco a escuta de demandas regionais e a formulação de propostas para políticas públicas, em um contexto de disputa sobre modelos de presença do Estado no interior da Bahia.
A plenária integra a estratégia do PGP 2026 de percorrer os 27 territórios de identidade da Bahia, com reuniões presenciais destinadas a recolher contribuições da população e de atores políticos locais. Em Juazeiro, o encontro colocou no centro do debate temas ligados à infraestrutura, educação, desenvolvimento rural, inclusão social, agricultura familiar, juventude e fortalecimento dos municípios.
Segundo as informações apresentadas, o governo estadual atribui ao programa a função de transformar demandas territoriais em diretrizes de planejamento. A iniciativa também busca ampliar o diálogo entre o Executivo estadual, gestores municipais e segmentos sociais, reforçando a lógica de participação como instrumento de formulação de políticas públicas.
O encontro ocorreu em um território de relevância econômica e social para a Bahia. O Sertão do São Francisco tem papel estratégico na fruticultura irrigada, na agricultura familiar, no comércio regional, no turismo e na geração de emprego e renda, fatores que tornam a agenda de investimentos e planejamento público especialmente sensível para a região.
Governo informa R$ 1,439 bilhão em investimentos no território desde 2023
De acordo com os dados apresentados pela gestão estadual, o Sertão do São Francisco recebeu R$ 1,439 bilhão em investimentos estaduais desde 2023, distribuídos em 298 ações. As iniciativas abrangem áreas como infraestrutura, educação, desenvolvimento rural e inclusão social.
A dimensão dos investimentos foi destacada como argumento central para sustentar a presença do governo no território. A estratégia oficial associa a execução de obras e programas à escuta da população, buscando vincular a formulação de novas propostas à continuidade de ações já realizadas.
A presença de prefeitos e lideranças locais também foi tratada como elemento importante para a interlocução entre governo e comunidades. Na avaliação do governador, os gestores municipais exercem papel direto na identificação das demandas mais urgentes, por estarem mais próximos da rotina da população.
Jerônimo defende parceria com prefeitos e escuta direta da população
Durante o encontro, Jerônimo Rodrigues afirmou que os prefeitos são peças fundamentais para aproximar o governo estadual das necessidades reais dos municípios.
“Vocês são meus olhos, são os olhos do Lula. São vocês que escutam o povo e trazem as demandas”, declarou.
A fala reforça a tentativa do governador de apresentar a gestão estadual como articulada com os municípios e com o governo federal. A referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva também evidencia a dimensão política da agenda, especialmente no contexto de construção do programa de governo para 2026.
Ao defender a escuta territorial, Jerônimo relacionou sua trajetória pessoal no interior baiano ao compromisso de manter o governo conectado às comunidades. A mensagem busca consolidar uma imagem de administração baseada em proximidade, presença regional e planejamento construído a partir dos territórios.
Debate ocorre em meio à disputa sobre presença do Estado no interior
A plenária de Juazeiro também se insere em um ambiente político no qual governo e oposição discutem diferentes formas de ampliar a presença do poder público no interior. Enquanto setores oposicionistas defendem alternativas baseadas na criação de novas estruturas administrativas, a gestão estadual procura enfatizar diálogo com prefeitos, participação social e integração entre ações estaduais e demandas municipais.
Essa disputa de narrativas tende a ganhar força no ciclo eleitoral de 2026. Para o governo, o PGP funciona como instrumento de mobilização, coleta de propostas e demonstração de capilaridade política. Para a oposição, o debate sobre descentralização administrativa e novas estruturas regionais pode ser explorado como crítica à eficiência da presença estatal nos territórios.
O ponto central, sob a ótica do interesse público, está na capacidade de transformar escuta política em planejamento efetivo, execução orçamentária, obras concluídas e serviços públicos acessíveis. A participação social ganha relevância quando vinculada a metas, prazos, transparência e mecanismos de acompanhamento.
Sertão do São Francisco concentra demandas estruturais
As demandas do Sertão do São Francisco refletem desafios históricos do semiárido baiano. Infraestrutura viária, segurança hídrica, educação, saúde, apoio à agricultura familiar, geração de oportunidades para jovens e fortalecimento da economia regional permanecem entre os principais temas de interesse público.
A região, embora marcada por dinamismo econômico em áreas como a fruticultura irrigada, convive com desigualdades territoriais e necessidade permanente de investimentos públicos. Nesse sentido, a plenária do PGP 2026 funciona como espaço de escuta, mas também como vitrine de compromissos políticos assumidos diante de lideranças locais e da população.
A efetividade do processo dependerá da forma como as contribuições recolhidas serão sistematizadas, incorporadas ao programa de governo e convertidas em políticas públicas. A participação, por si só, não substitui planejamento técnico, capacidade administrativa e controle social sobre os resultados.








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