Deputado Niltinho critica prefeito Bruno Reis por suspensão de escola para autistas em Salvador e contrapõe gestão à expansão do ensino na Bahia

O deputado estadual Niltinho (PSD) criticou nesta terça-feira, 30/06/2026, a suspensão da construção da Escola Municipal do Curralinho, no bairro do Stiep, em Salvador, prevista para atender crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e afirmou que a decisão da gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) frustra famílias que aguardavam atendimento especializado. O parlamentar contrapôs o episódio à política de ampliação da rede estadual de ensino conduzida pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e cobrou explicações públicas da Prefeitura sobre os critérios administrativos, o cronograma da obra e a garantia de entrega do equipamento educacional.

Niltinho cobra explicações sobre escola para autistas no Curralinho

A crítica de Niltinho ocorre após a divulgação de que a Prefeitura de Salvador rescindiu o contrato da obra da Escola Municipal do Curralinho, unidade anunciada para atendimento especializado de estudantes autistas. Segundo o deputado, a suspensão atinge diretamente famílias que aguardavam uma estrutura pública voltada à inclusão, ao acompanhamento pedagógico e ao suporte de crianças e jovens com TEA.

Em declaração, o parlamentar afirmou que a decisão “prova também que o grupo de ACM Neto não cuida de quem mais precisa”. A fala associa o episódio ao campo político do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), aliado de Bruno Reis, e insere a controvérsia no debate sobre prioridades administrativas na capital baiana. A crítica foi publicada pelo Bahia Econômica, que registrou a cobrança do deputado e a reação de famílias nas redes sociais.

Niltinho sustentou que a Prefeitura criou expectativa entre pais e responsáveis ao anunciar um equipamento de grande relevância social e, posteriormente, interrompeu o projeto sem apresentar, segundo ele, explicação clara à população. “Não se pode anunciar uma estrutura tão importante, criar expectativa nas famílias e depois interromper o projeto sem uma explicação clara”, declarou o deputado.

Obra foi anunciada para atendimento especializado a estudantes com TEA

A Escola Municipal do Curralinho foi anunciada pela gestão municipal como uma unidade voltada ao atendimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Reportagens locais apontam que a obra havia sido anunciada em 2021, com ordem de serviço assinada em janeiro de 2022, e previsão inicial de entrega em 2023. A unidade também teria relação com a estrutura de atendimento da Associação dos Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA).

Segundo informações publicadas pelo BNews, a rescisão contratual foi divulgada no Diário Oficial do Município e ocorreu de forma “consensual”. A reportagem também informou que a gestão municipal havia destinado cerca de R$ 12,59 milhões ao projeto entre 2021 e 2025, com parte dos recursos oriunda do Ministério da Educação.

O caso ganhou maior repercussão porque a unidade era apresentada como equipamento de inclusão educacional em uma capital com demanda crescente por serviços especializados. Para famílias de crianças autistas, a interrupção ou indefinição de uma obra desse porte não representa apenas atraso administrativo: afeta planejamento escolar, acompanhamento terapêutico, rotina familiar e expectativa de acesso a políticas públicas permanentes.

Prefeitura afirma que rescisão não significa abandono da obra

A Secretaria Municipal da Educação de Salvador, segundo manifestação registrada pelo BNews, afirmou que a rescisão consensual do contrato anterior não representaria abandono da obra. De acordo com a versão atribuída à Prefeitura, a medida teria sido adotada para viabilizar nova contratação, com maior eficiência na aplicação dos recursos públicos e condições técnicas para conclusão do empreendimento.

A mesma reportagem informou que a nova licitação destinada à conclusão da obra teria sido homologada em 29/06/2026 e que a previsão municipal seria finalizar a unidade em até cinco meses. Esse ponto é central para o contraditório: enquanto parlamentares da oposição tratam o episódio como frustração de uma promessa administrativa, a Prefeitura afirma que adotou providências para garantir continuidade à execução.

Ainda assim, a controvérsia permanece porque a população precisa de informações objetivas sobre o estágio físico da obra, os valores efetivamente pagos, os aditivos contratuais, a responsabilidade pela paralisação e o cronograma de entrega. Em obras públicas sensíveis, sobretudo quando direcionadas a crianças e adolescentes com deficiência, a transparência deve ser tratada como exigência institucional, não como resposta episódica à pressão política.

Deputado contrapõe caso à expansão da rede estadual de ensino

Ao criticar a gestão municipal, Niltinho comparou a situação da escola do Curralinho com a agenda de entregas educacionais do Governo da Bahia. O parlamentar afirmou que, enquanto Jerônimo Rodrigues amplia a rede pública estadual em diferentes regiões do estado, a Prefeitura de Salvador estaria frustrando famílias que aguardavam atendimento especializado na capital.

A comparação se apoia em uma agenda de investimentos anunciada pelo Governo do Estado. Em abril de 2026, a administração estadual informou um pacote com previsão de 95 novas escolas de tempo integral até junho, contemplando os 27 territórios de identidade da Bahia. O governo também afirmou que, entre 2023 e 2025, destinou R$ 9,5 bilhões à infraestrutura escolar, com modernização e ampliação de 142 escolas e entrega de 106 novas unidades de ensino em tempo integral.

Em janeiro de 2026, a Secretaria da Educação da Bahia registrou a entrega da 99ª escola de tempo integral da gestão Jerônimo Rodrigues, no município de Itapé, com investimento superior a R$ 13 milhões e estrutura com salas climatizadas, laboratórios, biblioteca, restaurante estudantil, teatro, quadra coberta e campo de futebol society.

Inclusão educacional amplia pressão por planejamento público

A crítica de Niltinho ultrapassa a disputa entre governo estadual e prefeitura municipal porque toca em uma questão estrutural: a oferta de educação inclusiva e atendimento especializado a estudantes com deficiência. A demanda por serviços voltados ao TEA exige planejamento de longo prazo, equipes capacitadas, estruturas acessíveis, integração com saúde e assistência social, além de diálogo permanente com famílias e entidades especializadas.

No caso da Escola Municipal do Curralinho, a relevância pública está ligada ao compromisso assumido pelo poder municipal com uma população que depende de previsibilidade. Quando uma obra desse tipo é anunciada, a expectativa criada não se limita à entrega física de um prédio; envolve a perspectiva de matrícula, acolhimento, acompanhamento educacional e redução da sobrecarga enfrentada por famílias atípicas.

A reação nas redes sociais, mencionada pelo parlamentar, reforça esse componente social. Pais, responsáveis e internautas questionaram os critérios usados pela administração municipal para definir prioridades e cobraram explicações sobre a suspensão. O debate, portanto, combina três dimensões: a política, pela disputa entre grupos adversários; a administrativa, pela gestão contratual da obra; e a social, pelo impacto sobre estudantes autistas.

Cobrança envolve transparência, cronograma e prestação de contas

A crítica de Niltinho tem peso político evidente, mas o centro jornalístico do caso está na prestação de contas sobre uma obra pública destinada a crianças e jovens autistas. A suspensão, a rescisão ou a recontratação de uma unidade educacional especializada não podem ser tratadas apenas como disputa entre governo e oposição. O interesse público exige saber quanto foi pago, o que foi executado, por que a entrega atrasou e quais garantias existem para que a escola seja concluída.

O principal ponto de cobrança pública é a necessidade de a Prefeitura apresentar informações completas sobre a obra. A população precisa saber se houve falhas de execução, entraves técnicos, readequação contratual, mudança de escopo ou problema financeiro. Também é necessário esclarecer como a nova contratação altera prazos, custos e responsabilidades.


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