As exportações brasileiras de rochas naturais registraram recuperação ao longo do primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo recorde histórico de faturamento em junho e pelo avanço das vendas de quartzitos no mercado internacional. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) mostram que, apesar de o acumulado do semestre permanecer abaixo do registrado em 2025, o desempenho do segundo trimestre reduziu significativamente as perdas observadas no início do ano e reforçou uma mudança na composição da pauta exportadora do setor.
Segundo o levantamento, o Brasil exportou US$ 711,1 milhões em rochas naturais entre janeiro e junho de 2026, resultado 4,2% inferior ao verificado no mesmo período de 2025. O desempenho foi influenciado pelo resultado de junho, que alcançou US$ 165,2 milhões, representando crescimento de 34,1% em comparação com o mesmo mês do ano anterior e configurando o maior faturamento mensal da história do setor.
A análise indica que o crescimento das exportações foi sustentado principalmente pelo desempenho dos quartzitos, que passaram a representar a maior parcela das vendas externas brasileiras de rochas naturais.
Quartzitos ampliam participação e lideram transformação da pauta exportadora
Os quartzitos responderam por 60,3% do faturamento das exportações brasileiras, alcançando US$ 428,5 milhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa crescimento de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025 e estabelece um novo recorde para esse segmento.
Enquanto os quartzitos ampliaram sua participação, materiais tradicionalmente relevantes para o setor registraram retração nas exportações. O granito apresentou queda de 18,4%, o mármore recuou 26,7% e a ardósia registrou redução de 7,0% no faturamento.
Segundo a Centrorochas, a evolução dos quartzitos acompanha uma transformação observada no mercado internacional nos últimos anos. O avanço das tecnologias de beneficiamento e o aumento da demanda por materiais naturais destinados a projetos de arquitetura, construção civil e design contribuíram para ampliar a competitividade do produto brasileiro.
Diversidade geológica fortalece competitividade internacional
O presidente da Centrorochas, Tales Machado, afirma que a diversidade geológica brasileira tem permitido ao setor adaptar sua oferta às mudanças da demanda internacional. De acordo com ele, o Brasil reúne mais de 1.200 variedades de rochas naturais, fator que contribui para o desenvolvimento de produtos com maior valor agregado e para a abertura de novos mercados.
Além da expansão dos quartzitos, a entidade mantém ações voltadas à diversificação das exportações. Por meio do projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), foi apresentado um estudo sobre o mercado francês de ardósias, buscando ampliar a presença brasileira naquele país.
A França é apontada como o maior mercado consumidor mundial de rochas naturais destinadas à cobertura, enquanto o Brasil ocupa atualmente a sexta posição entre os fornecedores desse segmento.
Estados Unidos mantêm liderança e China amplia participação
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais durante o primeiro semestre de 2026. O mercado norte-americano respondeu por 51,2% das vendas externas, totalizando US$ 364,3 milhões, embora tenha registrado redução de 14,4% nas compras em comparação com o mesmo período de 2025.
A China consolidou-se como o principal mercado em expansão ao elevar suas importações em 32,8%, alcançando US$ 147,7 milhões em compras de rochas naturais brasileiras.
No segmento de rochas brutas, também houve crescimento das exportações para outros mercados. A China ampliou suas aquisições em 34,6%, enquanto Índia registrou alta de 23,3% e Polônia apresentou crescimento de 33,7%, estabelecendo novos recordes de importação de blocos brasileiros.
Estratégia de internacionalização continua no segundo semestre
A agenda de promoção comercial terá continuidade em agosto de 2026, durante a Cachoeiro Stone Fair 2026, quando o projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone promoverá uma rodada de negócios entre empresas brasileiras e compradores internacionais.
Participarão representantes da Índia, México (dois compradores), Polônia e Emirados Árabes Unidos, além de pelo menos 15 empresas brasileiras do setor de rochas naturais.
Segundo a Centrorochas, a iniciativa integra a estratégia de fortalecimento das exportações, ampliação da presença brasileira em mercados consolidados e abertura de novas oportunidades comerciais para a indústria nacional de rochas naturais.







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