O deputado estadual Robinson Almeida (PT) reagiu nesta terça-feira (21/07/2026) às declarações do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) sobre a derrota eleitoral de 2022. O petista contestou a avaliação de que a composição da chapa formada por Ana Coelho, então filiada ao Republicanos, como candidata a vice-governadora, e Cacá Leão (PP), como candidato ao Senado, teria reduzido a competitividade da candidatura oposicionista. Para Robinson, a responsabilidade pelo resultado deveria ser atribuída à estratégia conduzida pelo próprio cabeça de chapa, derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) no segundo turno.
ACM Neto reconhece erros na formação da chapa de 2022
A manifestação ocorreu um dia depois de ACM Neto conceder entrevista ao programa Resenha das 7, da Rádio Bahia FM. Na segunda-feira (20/07/2026), o pré-candidato afirmou que cometeu dois erros na montagem da chapa majoritária apresentada quatro anos antes: um relacionado ao momento da definição e outro aos integrantes escolhidos.
“Eu cometi dois erros na formação da chapa em 2022. Um de momento, do timing, e outro das pessoas que integraram. Nada contra Cacá Leão e Ana Coelho, são pessoas pelas quais tenho o maior carinho e continuo tendo gratidão pela contribuição que deram há quatro anos, mas ficou claro que poderíamos ter uma chapa mais forte e mais competitiva.”
Apesar de demonstrar consideração pelos antigos aliados, ACM Neto avaliou que a composição não alcançou a densidade eleitoral necessária para ampliar sua presença no interior e unificar o campo oposicionista. A declaração foi apresentada durante uma comparação entre a campanha de 2022 e a articulação construída para a disputa estadual de 2026.
O ex-prefeito também afirmou que, em 2022, chegou ao período das convenções sem a chapa definida e somente concluiu as negociações na véspera do encontro partidário. Em contraste, a composição anunciada para 2026 foi apresentada ainda em março, com Zé Cocá (PP) como pré-candidato a vice-governador e nomes como Angelo Coronel e João Roma projetados para a disputa pelo Senado.
Robinson Almeida rejeita transferência de responsabilidade
Robinson Almeida interpretou a declaração como uma tentativa de transferir aos antigos aliados parte da responsabilidade pela derrota. Segundo o deputado, o resultado de 2022 não decorreu fundamentalmente dos nomes escolhidos para a vice-governadoria e para o Senado, mas da condução política da candidatura majoritária.
“Não foi erro de composição de chapa. Foi soberba política. ACM Neto acreditou que a eleição estava ganha antes mesmo de o povo votar e subestimou a força da Bahia, a capacidade de decisão do nosso povo e o sentimento de gratidão pelo trabalho realizado pelos governos do PT.”
O parlamentar acrescentou que Ana Coelho e Cacá Leão não poderiam ser responsabilizados individualmente pelo revés eleitoral porque a liderança política, a definição das alianças, o discurso da campanha e as principais decisões estratégicas estavam concentrados no candidato ao governo.
“A derrota de 2022 não pode ser colocada na conta de Cacá Leão ou de Ana Coelho. Quem liderava a chapa era ACM Neto, e foi ele quem escolheu o caminho político que levou à derrota.”
As declarações de Robinson integram o confronto político antecipado entre a base governista e a oposição, em um momento no qual os dois campos procuram estabelecer interpretações distintas sobre a eleição anterior e apresentar as estratégias que pretendem adotar em 2026.
Petista atribui vitória de Jerônimo à associação com Lula e Rui Costa
Na avaliação do deputado estadual, a vitória de Jerônimo Rodrigues resultou da associação entre a candidatura petista, o legado administrativo apresentado pelo então governador Rui Costa e a força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Bahia.
Robinson sustentou que ACM Neto teria apostado excessivamente na vantagem registrada em pesquisas de intenção de voto divulgadas durante parte da campanha e em uma estratégia baseada na imagem construída durante os dois mandatos à frente da Prefeitura de Salvador.
“ACM Neto perdeu porque não conseguiu compreender a Bahia real. Enquanto ele apostava que a eleição seria decidida pelo marketing e pelas estruturas tradicionais de poder, o povo baiano reconheceu quem estava do seu lado, quem entregou obras, investimentos e políticas públicas.”
O parlamentar afirmou que Jerônimo Rodrigues conseguiu representar a continuidade do projeto político iniciado na Bahia pelo PT em 2007 e se beneficiou da vinculação eleitoral com Lula e Rui Costa.
“Jerônimo venceu porque representou a continuidade de um projeto que transformou a Bahia e porque contou com a força de Lula e de Rui Costa.”
Escolha de Ana Coelho foi defendida por ACM Neto em 2022
A composição questionada em 2026 foi oficializada durante a convenção do União Brasil realizada em 05/08/2022, no Centro de Convenções de Salvador. Ana Coelho, empresária e dirigente do Grupo Aratu, foi apresentada como candidata a vice-governadora pelo Republicanos. Cacá Leão, então deputado federal pelo Progressistas, concorreu ao Senado.
Na ocasião, ACM Neto afirmou que a presença de Ana Coelho acrescentaria renovação, experiência empresarial e representação feminina à chapa. O candidato declarou que ele próprio e Cacá Leão já concentravam experiência política suficiente, o que permitiria a escolha de uma vice sem trajetória eleitoral anterior.
“Quando a gente faz a análise do contexto geral, você tem aqui dois caras, eu e Cacá, que temos experiência e bagagem política para dar, vender e emprestar.”
O então candidato também elogiou a capacidade de liderança e a experiência empresarial de Ana Coelho, afirmando que sua trajetória profissional a credenciava para participar da disputa. A justificativa apresentada em 2022 contrasta com a avaliação feita em julho de 2026, quando ACM Neto reconheceu que uma chapa mais forte e eleitoralmente competitiva poderia ter sido formada.
Robinson menciona episódios envolvendo José Ronaldo
Robinson Almeida também associou a controvérsia ao tratamento dispensado por ACM Neto ao prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), durante os processos eleitorais de 2018 e 2022.
“Quando ACM Neto tenta culpar os aliados pela derrota, ele não apenas procura se eximir da própria responsabilidade, mas também desconsidera, constrange e até humilha quem esteve ao lado dele no processo.”
O deputado afirmou que o comportamento teria ocorrido anteriormente com José Ronaldo e estaria sendo repetido com Cacá Leão e Ana Coelho.
“Isso já aconteceu com José Ronaldo em 2018 e voltou a acontecer em 2022. Agora, a história se repete com Cacá Leão e Ana Coelho. É uma característica política de ACM Neto: quando dá certo, ele concentra os méritos; quando dá errado, procura alguém para colocar a culpa.”
A referência a 2018 remonta à desistência de ACM Neto de disputar o Governo da Bahia. Em 06/04/2018, último dia do prazo de desincompatibilização, ele decidiu permanecer na Prefeitura de Salvador. José Ronaldo, que administrava Feira de Santana, passou a ser o candidato do então Democratas ao governo estadual.
Na eleição de 07/10/2018, Rui Costa foi reeleito no primeiro turno com 75,50% dos votos válidos, enquanto José Ronaldo obteve 22,26%.
Em 2022, o ex-prefeito de Feira voltou a ser considerado para a composição da chapa de ACM Neto, mas a vaga de vice foi destinada a Ana Coelho. O episódio permaneceu como fonte de tensão política e voltou ao debate público em março de 2025, quando Rui Costa afirmou que José Ronaldo teria sido informado de maneira abrupta de que não integraria a chapa. A versão foi apresentada pelo ministro da Casa Civil e não correspondeu, naquela ocasião, a uma declaração conjunta dos envolvidos.
Deputado acusa ex-prefeito de tentar reescrever eleição de 2022
Robinson Almeida afirmou ainda que a autocrítica de ACM Neto seria uma tentativa de reconstruir a narrativa sobre a derrota para justificar a estratégia adotada em 2026.
“É preciso ter humildade para reconhecer os próprios erros, coisa que o ex-prefeito notoriamente não tem. Cacá e Ana foram companheiros de uma chapa que perdeu, mas não foram responsáveis pela derrota.”
Segundo o parlamentar, o resultado estaria relacionado à percepção de que a eleição se encontrava decidida antecipadamente e à dificuldade da oposição em estabelecer conexão política com parcelas do eleitorado do interior.
“O que derrotou ACM Neto foi a soberba de achar que a eleição estava decidida e a incapacidade de dialogar com o povo baiano. Não adianta agora procurar culpados entre os aliados. A Bahia deu a resposta nas urnas e dará novamente em outubro deste ano.”
Até a publicação das declarações examinadas, não havia sido localizada resposta pública específica de Ana Coelho ou Cacá Leão às críticas feitas por ACM Neto sobre a composição de 2022. O atual presidente estadual do Progressistas, entretanto, permanece integrado ao campo político liderado pelo ex-prefeito de Salvador e participou das articulações oposicionistas para 2026.
Resultado das urnas contrariou vantagem inicial atribuída a ACM Neto
A eleição de 2022 foi marcada por uma mudança significativa em relação às expectativas predominantes no início da campanha. ACM Neto apareceu durante meses como favorito em diferentes levantamentos, enquanto Jerônimo Rodrigues iniciou a disputa com menor conhecimento entre os eleitores.
No primeiro turno, realizado em 02/10/2022, Jerônimo recebeu 4.019.830 votos, correspondentes a 49,45% dos votos válidos. ACM Neto obteve 3.316.711 votos, ou 40,88%, e avançou para o segundo turno.
Na votação decisiva de 30/10/2022, Jerônimo Rodrigues foi eleito governador com 4.480.464 votos, equivalentes a 52,79% dos votos válidos. ACM Neto recebeu 4.007.023 votos, ou 47,21%. A diferença entre os dois candidatos foi de 473.441 votos.
O desempenho de Lula na Bahia também foi expressivo. No segundo turno presidencial, o petista alcançou 72,12% dos votos válidos no estado, contra 27,88% atribuídos a Jair Bolsonaro. A vinculação entre as campanhas de Lula e Jerônimo foi um dos elementos centrais da estratégia adotada pelo grupo governista.
Linha do tempo da disputa política
06/04/2018 — ACM Neto desiste de disputar o Governo da Bahia
No último dia do prazo para deixar a Prefeitura de Salvador, ACM Neto decide permanecer no cargo. José Ronaldo é apresentado como alternativa do Democratas para enfrentar Rui Costa.
07/10/2018 — José Ronaldo é derrotado no primeiro turno
Rui Costa conquista a reeleição com 75,50% dos votos válidos. José Ronaldo alcança 22,26%.
04 e 05/08/2022 — Ana Coelho e Cacá Leão são oficializados
ACM Neto confirma Ana Coelho, então filiada ao Republicanos, como candidata a vice-governadora. Cacá Leão, do PP, integra a chapa como candidato ao Senado.
02/10/2022 — Eleição estadual segue para o segundo turno
Jerônimo Rodrigues obtém 49,45%, e ACM Neto registra 40,88% dos votos válidos.
30/10/2022 — Jerônimo Rodrigues vence ACM Neto
O candidato do PT é eleito governador com 52,79%, enquanto ACM Neto recebe 47,21%.
28/03/2025 — Rui Costa retoma controvérsia sobre José Ronaldo
O ministro da Casa Civil afirma que José Ronaldo foi preterido de maneira desrespeitosa durante a montagem da chapa de 2022.
30/03/2026 — Oposição apresenta nova composição
Em evento realizado em Feira de Santana, ACM Neto apresenta a articulação majoritária construída para as Eleições 2026, com Zé Cocá como pré-candidato a vice.
20/07/2026 — ACM Neto admite erros na chapa de 2022
O pré-candidato afirma que houve falhas no momento da definição e na escolha das pessoas que integraram a composição, embora ressalte carinho e gratidão por Ana Coelho e Cacá Leão.
21/07/2026 — Robinson Almeida reage
O deputado estadual afirma que o problema não foi a composição da chapa, mas a “soberba política” de ACM Neto, e acusa o adversário de responsabilizar antigos aliados.







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