Na terça-feira, 21/07/2026, o diretório baiano do Partido Social Democrático (PSD) oficializou, durante convenção estadual realizada em Salvador, a indicação do professor, advogado e ex-prefeito Edvaldo Brito para ocupar a primeira suplência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na disputa pela reeleição ao Senado Federal. A definição fortalece a aliança estadual entre PT e PSD em torno do governador Jerônimo Rodrigues, ao mesmo tempo que evidencia uma configuração política distinta da adotada nacionalmente pela legenda, que lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República e o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como pré-candidato a vice-presidente. A segunda suplência de Wagner ainda não havia sido definida.
PSD confirma Edvaldo Brito na chapa de Jaques Wagner
A oficialização ocorreu na sede estadual do PSD e reuniu Jaques Wagner, Jerônimo Rodrigues, Edvaldo Brito e o senador Otto Alencar, presidente da legenda na Bahia. A composição havia sido negociada entre os partidos integrantes da base governista e representa a participação formal do PSD na candidatura de Wagner ao Senado.
Ao anunciar a escolha, Wagner destacou a formação acadêmica, a trajetória administrativa e a experiência política do novo integrante da chapa. O senador afirmou que a indicação foi construída com a concordância do governador e da direção estadual do PSD.
“Uma pessoa que dispensa apresentações, uma reserva moral, uma reserva intelectual, uma reserva jurídica, ex-prefeito dessa capital, vereador e, portanto, eu acho que dispensa qualificações. Edvaldo Brito, o nome fala por si só.”
O parlamentar também atribuiu à presença do jurista maior densidade política à campanha na capital baiana. Segundo Wagner, a experiência de Brito, sua relação histórica com Salvador e sua representatividade entre a população negra podem ampliar a interlocução da chapa com diferentes segmentos sociais e políticos da cidade.
Participação no processo de transferência do metrô
Jaques Wagner recordou ainda a atuação de Edvaldo Brito quando este exercia a vice-prefeitura de Salvador. O senador relacionou o papel desempenhado pelo aliado às negociações que permitiram a transferência da responsabilidade pelo sistema metroviário da administração municipal para o Governo da Bahia.
“Vale lembrar também sua postura corajosa como vice-prefeito no passado, fundamental para viabilizar o projeto do metrô.”
A referência ao metrô foi retomada pelo próprio Edvaldo Brito ao comentar sua entrada na chapa. O professor afirmou que sua relação política e administrativa com Wagner foi construída durante o período em que o petista governou a Bahia e Brito ocupou funções no Executivo estadual.
“As nossas vidas têm muita transversalidade desde quando Wagner foi governador do Estado e destravou o projeto do metrô. Estamos acostumados a conviver e eu quero somar.”
Brito declarou que o PSD ingressa formalmente na composição com o objetivo de colaborar com a campanha e anunciou que sua atuação estará concentrada especialmente em Salvador, maior colégio eleitoral da Bahia e principal base de sua trajetória pública.
Edvaldo Brito direcionará atuação para Salvador
A indicação acrescenta à chapa um político com longa experiência na administração pública, no Poder Legislativo e no meio acadêmico. Natural de Muritiba, no Recôncavo Baiano, Edvaldo Pereira de Brito é doutor e livre-docente em Direito e professor emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Na vida pública, Brito foi prefeito e vice-prefeito de Salvador, exerceu três mandatos como vereador da capital e ocupou funções no Governo da Bahia. Entre os cargos desempenhados estão as secretarias estaduais de Justiça, Educação, Cultura e Assuntos Estratégicos, esta última durante a gestão de Jaques Wagner. Sua passagem pela Câmara Municipal foi encerrada em 2024, após a decisão de não concorrer a um novo mandato.
Ao assumir a primeira suplência, o ex-prefeito afirmou que pretende colocar sua experiência jurídica e política à disposição do grupo governista.
“O PSD vai para essa chapa disposto a colaborar. Vamos trabalhar fortemente, especialmente por Salvador.”
A estratégia anunciada busca ampliar a presença da candidatura de Wagner na capital, onde Brito construiu vínculos institucionais como prefeito, vice-prefeito, vereador, professor e dirigente partidário.
Otto Alencar afirma que indicação foi unânime no PSD
Presidente estadual do PSD, Otto Alencar informou que o nome de Edvaldo Brito foi aprovado após consulta ao diretório, aos prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e demais lideranças da legenda na Bahia.
“Foi unanimidade essa indicação para a suplência do senador Jaques Wagner.”
Segundo Otto, a definição reafirma o compromisso do diretório baiano com as candidaturas de Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues e com o projeto político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. O dirigente declarou que o partido chegou ao período eleitoral unido em torno da composição estadual.
O governador Jerônimo Rodrigues avaliou que a escolha representa a continuidade da participação do PSD na coalizão que administra a Bahia. Para o chefe do Executivo estadual, a entrada de Brito na chapa reúne a trajetória política do partido, sua participação em governos anteriores e sua presença nas políticas públicas e econômicas executadas pelo grupo.
PSD baiano mantém aliança com PT apesar de candidatura nacional de Caiado
A composição evidencia a diferença entre a estratégia nacional do PSD e a posição de seu diretório na Bahia. Em 30/03/2026, a direção nacional oficializou Ronaldo Caiado como pré-candidato do partido à Presidência da República. Em 01/07/2026, Gilberto Kassab foi anunciado como pré-candidato a vice-presidente na mesma chapa.
Na Bahia, entretanto, o partido presidido por Otto Alencar integra há vários ciclos eleitorais a base política formada em torno do PT. Para as eleições de 2026, a direção estadual decidiu permanecer vinculada às candidaturas de Lula, Jerônimo Rodrigues e Jaques Wagner, conforme as declarações apresentadas durante a convenção.
Essa diferenciação significa que o PSD participa da eleição nacional com candidatura presidencial própria, enquanto sua direção baiana estabelece uma aliança estadual com o PT. A estrutura partidária brasileira permite que diretórios estaduais construam coligações majoritárias adaptadas às condições políticas locais, desde que respeitadas as normas eleitorais e as deliberações internas da legenda.
Suplência integra oficialmente a candidatura ao Senado
Nas eleições para o Senado, o candidato titular concorre acompanhado de dois suplentes. O voto dado ao candidato inclui automaticamente os integrantes da chapa, que são registrados conjuntamente perante a Justiça Eleitoral.
O primeiro suplente pode assumir o mandato quando o titular se afasta para exercer determinadas funções públicas, obtém licença superior a 120 dias, renuncia, morre ou perde o mandato por decisão da Justiça Eleitoral. Nos afastamentos temporários, o senador titular pode retornar ao cargo após o encerramento da licença ou da função que motivou a substituição.
O segundo suplente somente é convocado quando o primeiro não pode assumir. Enquanto não há convocação, os suplentes não exercem funções parlamentares nem possuem atribuições no Congresso Nacional.
No caso da candidatura de Jaques Wagner, Edvaldo Brito ocupará a primeira posição na ordem de substituição caso a chapa seja eleita. Até a oficialização realizada em 21 de julho, o nome destinado à segunda suplência permanecia em negociação entre os partidos da base governista.
Eleições de 2026 terão duas vagas para o Senado
Nas eleições gerais de 04/10/2026, cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores. A renovação corresponderá a dois terços das 81 cadeiras do Senado Federal, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes para o cargo.
O período oficial das convenções partidárias começou em 20/07/2026 e segue até 05/08/2026. Nesse intervalo, partidos e federações podem confirmar candidatos à Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas, além de definir coligações para os cargos majoritários.
A oficialização de Edvaldo Brito ocorreu, portanto, no segundo dia do calendário nacional de convenções. As decisões partidárias ainda precisam ser formalizadas perante a Justiça Eleitoral no processo de registro das candidaturas.
Linha do tempo da composição política
- 1978 a 1979: Edvaldo Brito exerce o cargo de prefeito de Salvador.
- 2009 a 2012: atua como vice-prefeito da capital baiana e participa das negociações institucionais relacionadas à transferência do metrô para o Governo da Bahia.
- 2011: o PSD é fundado nacionalmente sob a liderança de Gilberto Kassab, enquanto Otto Alencar assume papel central na organização da legenda na Bahia.
- 2014: Brito licencia-se do mandato de vereador para assumir a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Bahia no governo Jaques Wagner.
- 2016: Edvaldo Brito ingressa no PSD e passa a integrar formalmente a estrutura partidária liderada por Otto Alencar no estado.
- 02/12/2024: a Câmara Municipal de Salvador realiza sessão especial de encerramento dos três mandatos exercidos pelo jurista no Legislativo municipal.
- 30/03/2026: o PSD oficializa Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência da República.
- 01/07/2026: Gilberto Kassab é anunciado como pré-candidato a vice-presidente na chapa nacional liderada por Caiado.
- 20/07/2026: começa o período oficial das convenções partidárias para as eleições gerais.
- 21/07/2026: o PSD da Bahia oficializa Edvaldo Brito como primeiro suplente de Jaques Wagner ao Senado.
- 05/08/2026: termina o prazo para realização das convenções partidárias.
- 04/10/2026: ocorre o primeiro turno das eleições gerais, com a escolha de dois senadores por estado.
A indicação de Edvaldo Brito cumpre simultaneamente funções partidárias, eleitorais e representativas. O PSD assegura presença formal na candidatura de Jaques Wagner, enquanto o grupo governista incorpora um nome com trajetória consolidada em Salvador, experiência administrativa e reconhecimento acadêmico. A decisão também amplia a participação da legenda nas negociações da chapa majoritária estadual.
A diferença entre a candidatura nacional de Ronaldo Caiado e a aliança do PSD baiano com Lula, Jerônimo e Wagner demonstra a autonomia política exercida pelos diretórios estaduais na formação das coalizões. Essa configuração deverá ser acompanhada durante a campanha para verificar como a legenda administrará, no discurso e na propaganda eleitoral, a coexistência entre um projeto presidencial próprio e alianças estaduais com partidos adversários na disputa nacional.
A composição somente estará concluída após a definição da segunda suplência e o registro formal da candidatura perante a Justiça Eleitoral. Até lá, permanecerão sob atenção a distribuição dos espaços entre os partidos governistas, a atuação de Edvaldo Brito em Salvador e a capacidade do PSD de conciliar sua estratégia nacional com os compromissos assumidos pelo diretório baiano.







Deixe um comentário