Presidente Donald Trump promete atingir o Irã “com força”, EUA ampliam sanções e novos ataques elevam tensão no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira (29/07/2026) que o governo norte-americano responderá “com força” aos ataques atribuídos ao Irã contra bases militares americanas na Jordânia. Horas depois, Washington anunciou novas sanções contra empresas ligadas à Guarda Revolucionária Iraniana, enquanto operações militares foram retomadas em diferentes pontos do Oriente Médio.

A escalada ocorreu após uma sequência de confrontos envolvendo Estados Unidos, Irã, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e grupos armados aliados de Teerã, ampliando as preocupações sobre a estabilidade regional e os possíveis impactos para o comércio internacional, especialmente no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Além das medidas econômicas, novos bombardeios norte-americanos, respostas militares iranianas e episódios registrados no Egito e no Kuwait ampliaram o alcance geográfico da crise, enquanto o Paquistão informou manter esforços diplomáticos para reduzir as tensões entre Washington e Teerã.

Trump anuncia resposta militar e EUA ampliam sanções ao Irã

Durante entrevista concedida à Fox News, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos responderão aos ataques iranianos.

“Vamos acertá-los com força, eles vão levar uma surra”, declarou o presidente norte-americano.

A declaração foi feita após o Irã lançar mísseis contra bases militares americanas na Jordânia, em resposta às operações conduzidas por Estados Unidos e Arábia Saudita contra grupos armados no Iraque.

Na mesma quarta-feira (29/07/2026), o Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciaram novas sanções contra as empresas Persian Gulf Marine Insurance Company e HormuzSafe Marine Services Authority.

Segundo o governo americano, ambas estariam vinculadas à Guarda Revolucionária Iraniana e atuariam na cobrança de garantias para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz, gerando receitas para o governo iraniano.

Washington amplia restrições ao setor petrolífero iraniano

Além das duas empresas, os Estados Unidos também aplicaram sanções contra oito companhias responsáveis pelo transporte de petróleo bruto e derivados iranianos para a China e os Emirados Árabes Unidos.

Segundo Washington, essas embarcações integrariam a chamada “frota fantasma iraniana”, utilizada para reduzir os efeitos das sanções internacionais impostas ao país.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que as medidas buscam limitar as fontes de financiamento do governo iraniano.

As novas restrições econômicas ocorrem em meio ao aumento da pressão militar e diplomática entre os dois países.

Guarda Revolucionária promete manter resposta militar

Após os bombardeios americanos, a Guarda Revolucionária do Irã declarou que continuará reagindo enquanto considerar haver ameaças contra o país.

Em comunicado divulgado pela corporação militar, o governo iraniano afirmou que a resistência permanecerá ativa diante das operações conduzidas pelos Estados Unidos e por seus aliados.

O grupo aliado Resistência Islâmica no Iraque também declarou considerar inevitável uma resposta às ofensivas militares realizadas por Estados Unidos e Arábia Saudita.

Durante os ataques registrados na província iraquiana de Diyala, cerca de 20 pessoas morreram, entre elas cinco integrantes iranianos do Hachd al-Chaabi, organização armada alinhada a Teerã.

Estados Unidos retomam bombardeios contra o Irã

Na quinta-feira (30/07/2026), os Estados Unidos realizaram uma nova série de bombardeios contra alvos iranianos.

Segundo o Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom), a operação respondeu aos ataques realizados pelo Irã contra forças americanas posicionadas na região.

Veículos estatais iranianos informaram que áreas próximas à ilha de Qeshm e à cidade de Abadan foram atingidas.

A ofensiva ocorre após uma breve trégua entre as partes e marca a retomada da escalada militar direta entre Washington e Teerã.

Guarda Revolucionária confirma mortes e promete reação

A Guarda Revolucionária Iraniana informou que três militares morreram durante um bombardeio americano na província de Zanjan, no noroeste do país.

Em nota divulgada pela agência Tasnim, o órgão classificou a ofensiva como um ataque realizado pelos Estados Unidos.

Após confirmar as baixas, o comando militar reafirmou que continuará respondendo sempre que considerar haver ameaças contra a segurança nacional iraniana.

As declarações reforçam a perspectiva de continuidade dos confrontos.

Estreito de Ormuz permanece no centro da crise

A Guarda Revolucionária afirmou exercer “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas utilizadas pelo comércio internacional de petróleo.

Segundo o grupo, o bloqueio permanecerá enquanto persistirem as ações militares americanas na região.

Antes do início da guerra, aproximadamente 20% do abastecimento mundial de petróleo passava pela via marítima.

A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo elevou as preocupações dos mercados internacionais.

Mercado reage e petróleo registra forte alta

As novas hostilidades provocaram aumento nos preços internacionais do petróleo.

Ao longo da quarta-feira (29/07/2026), a cotação da commodity chegou a subir mais de 5%, refletindo os riscos para o abastecimento global.

Posteriormente, os ganhos foram reduzidos para aproximadamente 4,6%, mas o mercado permaneceu atento à evolução dos confrontos e à situação no Estreito de Ormuz.

Especialistas acompanham os possíveis impactos sobre cadeias globais de transporte marítimo e energia.

Conflito alcança Egito e Kuwait

A ampliação das hostilidades também atingiu outros países da região.

No Egito, um incêndio atingiu dois navios de armazenamento de gás no porto de Damietta, após um ataque atribuído preliminarmente ao uso de drones. As autoridades informaram que a investigação permanece em andamento.

No Kuwait, um ataque iraniano atingiu um edifício pertencente a uma empresa chinesa, provocando uma morte e danos materiais.

Os episódios ampliam a área afetada pelo conflito e aumentam as preocupações quanto à segurança regional.

Paquistão mantém negociações para reduzir a escalada

Enquanto os confrontos continuam, o Paquistão informou que permanece atuando como mediador entre Estados Unidos e Irã.

Segundo o porta-voz da diplomacia paquistanesa, Tahir Andrabi, os contatos diplomáticos seguem concentrados principalmente na situação do Estreito de Ormuz.

O objetivo das negociações é buscar mecanismos que reduzam a escalada militar e evitem novos impactos sobre a navegação internacional e o mercado global de energia.

Até o momento, não há confirmação de acordo entre as partes.

*Com informações da RFI.


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