Eleições 2026: Colbert Martins antecipa apoio de Pablo Roberto e propõe agenda de logística, segurança e saúde para Feira de Santana

Feira de Santana, segunda-feira (10/08/2026) — O ex-prefeito Colbert Martins Filho (PSDB) afirmou, em entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia (JGB), que o vice-prefeito e secretário municipal de Educação, Pablo Roberto (PSDB), deverá formalizar às 17h30 desta segunda-feira, no auditório do Hotel Acalanto, o apoio à sua candidatura a deputado estadual nas Eleições 2026. Ao apresentar as razões para retornar à Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Colbert vinculou o projeto eleitoral a uma agenda regional que inclui a efetivação da Região Metropolitana de Feira de Santana, a recuperação da infraestrutura rodoviária, a ampliação do uso do aeroporto, o fortalecimento da segurança pública e mudanças na regulação de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Experiência política orienta retorno à Assembleia Legislativa

Médico, professor universitário e ex-deputado estadual e federal, Colbert Martins declarou que a experiência acumulada no Legislativo e no Executivo constitui o principal fundamento de sua nova candidatura. Ele exerceu mandato na Alba no início da década de 1990, ocupou três mandatos na Câmara dos Deputados, foi vice-prefeito e administrou Feira de Santana entre abril de 2018 e dezembro de 2024.

Segundo o ex-gestor, o retorno ao Parlamento estadual permitiria utilizar esse conhecimento na formulação de políticas voltadas não apenas ao município, mas também à área regional diretamente influenciada por Feira de Santana. A avaliação apresentada na entrevista é que o desenvolvimento da cidade depende da integração com os municípios vizinhos e de uma articulação mais consistente entre os governos municipal, estadual e federal.

“Não dá para pensar em Feira sozinha, não dá para pensar em crescer a nossa cidade se temos mais 16 municípios em volta de Feira de Santana.”

Colbert afirmou que pretende manter residência e atuação política no município depois das eleições, independentemente do resultado. A declaração foi utilizada para diferenciar seu projeto de candidaturas que, segundo ele, procuram votos em Feira de Santana sem conservar presença regular ou vínculos duradouros com a população local.

Pablo Roberto deverá formalizar apoio em ato político

O principal movimento político relatado na entrevista é a aproximação com Pablo Roberto. De acordo com Colbert, a declaração formal de apoio está prevista para ocorrer às 17h30 de 10/08/2026, durante coletiva no Hotel Acalanto. Como o ato ainda não havia ocorrido no momento da entrevista, a adesão deve ser tratada como anúncio programado, sujeito à confirmação pública pelo próprio vice-prefeito.

Pablo Roberto foi secretário municipal durante o Governo Colbert e, nas Eleições 2022, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PSDB. Ele recebeu 55.585 votos na Bahia, dos quais 42.635 em Feira de Santana, conforme dados publicados pelo JGB após o pleito. Em 2024, integrou como candidato a vice-prefeito a chapa liderada por José Ronaldo (União Brasil), vencedora da eleição municipal.

Colbert atribuiu a escolha de Pablo para a chapa de 2024 a uma articulação da qual também participaram ACM Neto e outras lideranças do grupo. Na avaliação do ex-prefeito, a presença do então deputado estadual ampliou a competitividade da candidatura de José Ronaldo e contribuiu para a vitória no primeiro turno. Trata-se de uma interpretação política apresentada pelo entrevistado, e não de uma relação causal mensurada de forma independente.

“A presença dele comigo não é apenas uma retribuição. É uma volta muito forte de um grupo que considero importante e uma alternativa de futuro para a nossa cidade.”

O apoio de Pablo pode oferecer à candidatura de Colbert uma estrutura formada por lideranças comunitárias e quadros que participaram da campanha estadual de 2022. A transferência desse capital político, entretanto, não é automática: integrantes do grupo têm trajetórias, alianças e compromissos próprios, e parte dessas lideranças já se aproximou de outros postulantes à Assembleia Legislativa.

Relação com José Ronaldo e busca por composição eleitoral

Ao abordar o relacionamento com o prefeito José Ronaldo, Colbert Martins definiu a convivência entre ambos como “boa e civilizada”. Os dois integraram a mesma chapa municipal em 2016. Com a renúncia de José Ronaldo, em abril de 2018, para disputar o Governo da Bahia, o então vice assumiu a Prefeitura de Feira de Santana e, posteriormente, foi eleito para permanecer no cargo no mandato de 2021 a 2024.

O ex-prefeito informou ter procurado José Ronaldo para solicitar apoio na disputa estadual. Ressaltou, porém, que o chefe do Executivo municipal já declarou voto em Zé Chico (União Brasil) para deputado federal, enquanto a escolha para deputado estadual ainda não havia sido anunciada até a entrevista.

Colbert afirmou acreditar na possibilidade de receber essa adesão e argumentou que uma composição envolvendo José Ronaldo, Pablo Roberto e sua candidatura poderia concentrar forças do campo político que administra o município. A expectativa, contudo, permanece no plano da articulação até que o prefeito manifeste publicamente sua posição.

Ao comentar a transição administrativa ocorrida no início de 2025, Colbert defendeu as decisões tomadas no encerramento de seu governo e disse que despesas realizadas no período eleitoral de 2024 foram destinadas à conclusão de obras e etapas de trabalho.

Defesa do voto local e crítica à fragmentação eleitoral

Uma das principais linhas do discurso de Colbert Martins é a defesa do voto em candidatos com vínculo permanente com Feira de Santana. Ele argumentou que a redução da bancada vinculada ao município enfraquece a capacidade de reivindicar recursos, fiscalizar políticas estaduais e federais e inserir prioridades locais no debate orçamentário.

O ex-prefeito declarou apoio ao modelo de voto distrital e recordou discussões sobre o voto distrital misto realizadas durante sua passagem pela Câmara dos Deputados. Na avaliação dele, a delimitação territorial aproximaria representantes e eleitores, facilitaria a cobrança do mandato e permitiria mensurar com maior clareza os resultados da atuação parlamentar.

No sistema proporcional atualmente em vigor, entretanto, todo o estado constitui a circunscrição eleitoral para a escolha dos deputados estaduais e federais. O resultado depende da votação individual, do desempenho agregado do partido ou da federação e das regras do quociente eleitoral. Por isso, a concentração de votos em nomes locais pode influenciar a representação do município, mas não assegura, isoladamente, a conquista de cadeiras.

Colbert criticou o que classificou como entrada excessiva de candidatos sem vida política regular na cidade. Ele diferenciou pequenas votações decorrentes de relações familiares ou pessoais de resultados mais expressivos obtidos por estruturas de campanha.

“O voto é para quem vive a cidade. Não é apenas ter um endereço ou um CEP; é ter vivência na cidade.”

Região Metropolitana permanece no centro da proposta

Colbert Martins colocou a implementação efetiva da Região Metropolitana de Feira de Santana (RMFS) entre as prioridades de sua plataforma. A origem da proposta remonta a 1994, quando o então deputado estadual apresentou projeto sobre o tema, fato registrado em ata oficial da Assembleia Legislativa da Bahia.

A RMFS foi instituída pela Lei Complementar estadual nº 35, de 6 de julho de 2011. Segundo Colbert, a criação legal não foi acompanhada de todos os instrumentos de governança necessários para que a estrutura funcione plenamente, como conselho metropolitano, fundo específico e planejamento integrado com capacidade operacional.

O ex-prefeito defendeu que ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia apoiado pela Federação PSDB-Cidadania, assuma o compromisso de regulamentar e ativar a região metropolitana caso seja eleito. Para Colbert, o arranjo deve permitir planejamento compartilhado e captação de recursos para políticas que ultrapassem os limites de um único município, a exemplo de mobilidade, saneamento, desenvolvimento econômico, saúde e infraestrutura.

BR-324, aeroporto de cargas e integração logística

Na área de infraestrutura, Colbert apontou a saturação e as interrupções recorrentes na BR-324, principal ligação rodoviária entre Feira de Santana e Salvador, como entrave à circulação de pessoas e mercadorias. Ele também citou as condições da rodovia em direção a Santo Estêvão e ao Rio Paraguaçu e afirmou que a posição geográfica do município somente se converte em vantagem econômica quando as rotas de transporte funcionam com regularidade.

O ex-prefeito defendeu a transformação do Aeroporto Governador João Durval Carneiro em estrutura apta ao transporte de cargas. Na avaliação dele, a localização de Feira de Santana favorece a distribuição de mercadorias para diferentes regiões da Bahia e poderia atrair centros logísticos, empresas de comércio eletrônico e novos investimentos industriais.

Como referência, Colbert mencionou visita recente a Betim, em Minas Gerais, onde, segundo seu relato, está em desenvolvimento um aeroporto voltado à dinâmica industrial e logística, apesar da proximidade com o Aeroporto Internacional de Confins. A comparação foi utilizada para sustentar que a distância entre Feira de Santana e Salvador não deveria impedir a expansão da infraestrutura aeroportuária local.

A proposta depende de estudos de demanda, capacidade da pista, licenciamento, segurança operacional, conexão com a malha rodoviária, modelo de gestão e viabilidade financeira. Também exige coordenação com o Governo da Bahia, responsável pelo equipamento, além dos órgãos federais que regulam a aviação civil.

Segurança pública e descentralização de recursos

Colbert também defendeu a descentralização de meios aéreos utilizados pelas forças de segurança. Ele questionou a concentração de helicópteros policiais em Salvador e sugeriu a instalação de uma unidade em Feira de Santana, de onde seria possível atender com maior rapidez municípios do centro-norte baiano.

A proposta foi associada à localização regional do município e à possibilidade de reduzir o tempo de deslocamento para cidades vizinhas. O entrevistado argumentou que a disponibilidade de aeronave poderia ampliar a capacidade de resposta policial, de resgate e de apoio a operações emergenciais.

Regulação da saúde domina parte da entrevista

O debate mais extenso da entrevista concentrou-se na regulação de urgência e emergência na Bahia. Colbert Martins afirmou que a demora na transferência de pacientes, sobretudo no interior, exige ampliação imediata da oferta de leitos e maior capacidade regional de resolução dos casos.

Médico e professor de Epidemiologia, o ex-prefeito diferenciou o atendimento de doenças crônicas das situações emergenciais que dependem de internação, exames especializados e cirurgia. Ele citou a ortopedia como exemplo de área na qual longos períodos de espera podem aumentar o risco de infecção, agravar o quadro clínico e prolongar a hospitalização.

Colbert reconheceu a ampliação da rede pública estadual nas últimas décadas e mencionou unidades de referência instaladas em Feira de Santana. Ao mesmo tempo, sustentou que a estrutura disponível não elimina os gargalos da regulação e que o fluxo de pacientes deve respeitar uma hierarquia regional, com unidades de maior complexidade recebendo os casos que não possam ser resolvidos nos municípios de origem.

Como resposta de curto prazo, ele propôs a contratação de leitos da rede privada por valores superiores aos previstos na tabela ordinária do SUS. Na avaliação do entrevistado, pagamentos compatíveis com os custos hospitalares poderiam disponibilizar pequenos conjuntos de vagas em diferentes regiões e reduzir a espera por procedimentos urgentes.

“É preciso interiorizar ao máximo a capacidade de resolução. Se houver pagamento adequado, será possível obter leitos na rede privada em várias áreas do estado.”

A proposta pressupõe levantamento atualizado da capacidade ociosa, definição transparente de preços, credenciamento público, protocolos de acesso, fiscalização dos contratos e análise da disponibilidade real por especialidade. A contratação complementar da iniciativa privada é admitida no SUS, mas não substitui o dever estatal de planejar e fortalecer a rede pública de forma permanente.

Ao tratar da atenção básica, Colbert afirmou que o tema enfrenta dificuldades nacionais, mas reiterou que sua preocupação imediata está na rede de emergência. O debate evidenciou duas dimensões complementares: o fortalecimento da atenção primária pode prevenir agravamentos e reduzir parte da pressão hospitalar, enquanto a urgência exige leitos, equipes e serviços especializados disponíveis no momento em que o paciente necessita de transferência.

Confiança nas instituições e compromisso com transparência

Questionado sobre a perda de confiança da sociedade na política e nas instituições, Colbert afirmou que corrupção e desvios atingem a percepção pública sobre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele relatou ter ouvido, durante visita ao interior, uma avaliação generalizada de desconfiança em relação aos órgãos de representação e controle.

O ex-prefeito declarou que sua trajetória foi orientada por transparência e respeito às normas e disse sentir-se seguro para submeter o histórico político ao julgamento dos eleitores. As afirmações constituem autodefesa do candidato e devem ser avaliadas à luz de documentos oficiais, prestações de contas, decisões dos órgãos de controle e eventuais registros judiciais pertinentes.

Linha do tempo

  • 1991: Colbert Martins inicia mandato na Assembleia Legislativa da Bahia, primeira função parlamentar estadual destacada por ele na entrevista.
  • 1994: apresenta proposta para a criação da Região Metropolitana de Feira de Santana, antecedente reconhecido em registros da Alba.
  • 1997 a 2011: exerce três mandatos de deputado federal pela Bahia, em períodos não consecutivos.
  • 06/07/2011: a Lei Complementar estadual nº 35 institui a Região Metropolitana de Feira de Santana.
  • 01/01/2017: toma posse como vice-prefeito de Feira de Santana na chapa liderada por José Ronaldo.
  • 07/04/2018: assume a Prefeitura após a renúncia de José Ronaldo para disputar o Governo da Bahia.
  • 15/11/2020: é eleito prefeito para o mandato de 2021 a 2024.
  • 02/10/2022: Pablo Roberto é eleito deputado estadual com 55.585 votos, dos quais 42.635 obtidos em Feira de Santana.
  • 06/10/2024: José Ronaldo e Pablo Roberto vencem a eleição municipal para prefeito e vice-prefeito de Feira de Santana.
  • 02/04/2026: Pablo anuncia que não disputará mandato federal e permanece como vice-prefeito e secretário municipal de Educação.
  • 07/04/2026: Colbert confirma filiação ao PSDB e anuncia a intenção de disputar uma cadeira na Alba.
  • 05/08/2026: termina o prazo das convenções partidárias; a disputa estadual em Feira de Santana passa por reacomodação de candidaturas e apoios.
  • 10/08/2026: Colbert concede entrevista ao JGB e informa que Pablo deverá formalizar apoio às 17h30, no Hotel Acalanto.
  • 15/08/2026: termina o prazo para apresentação dos pedidos de registro de candidatura à Justiça Eleitoral.
  • 04/10/2026: será realizado o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026.

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