Caju de Leitores confirma convidados da 5ª edição em Porto Seguro com participação internacional

O Caju de Leitores realiza sua 5ª edição nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2026, na Oca Tururim, localizada na Aldeia Xandó, no Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro (BA). A programação terá como destaque a participação da indígena argentina Mariela Tulián, primeira convidada latino-americana do festival, além de nomes como Geni Núñez, Maurício Negro e lideranças, escritores, artistas e educadores indígenas.

Com o tema “Um Manifesto de Bichos”, o festival propõe atividades voltadas à literatura, oralidade, memória e conhecimentos indígenas, tendo os animais como parte das narrativas e das relações com a ancestralidade, o território, a língua e a natureza. A programação será gratuita e reunirá rodas de conversa, contações de histórias, encontros literários, apresentações culturais e ações educativas.

Entre os participantes confirmados estão a liderança e escritora Mariela Tulián, da Nação Comechingón, na Argentina; a ativista, escritora e psicóloga Geni Núñez, do povo Guarani; e o autor-ilustrador Maurício Negro, que desenvolve trabalhos relacionados à natureza, ancestralidade, multiculturalismo e biodiversidade.

Lideranças e escritores indígenas participam do festival

A programação também contará com a presença da anciã e liderança Pataxó Maria Coruja, homenageada da edição de 2026. Sobrevivente do chamado Fogo de 1951, ela atua na transmissão de conhecimentos tradicionais para crianças e jovens do grupo Marujinhos Pataxó, com atividades relacionadas a cantigas, brincadeiras, histórias e saberes ancestrais.

Também estão confirmados Vanessa Guarani Ratton, do povo Guarani M’bya e vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; Apêtxienã Pataxó, professor e guardião da língua ancestral Pataxó; Auritha Tabajara, escritora, cordelista e contadora de histórias; e Lucia Tucuju, do povo Galibi-Marworno, escritora, roteirista, atriz e narradora de histórias.

Integram ainda a lista Giovanna Pataxó, educadora e defensora da língua Patxohã; Carina Pataxó, pedagoga e pesquisadora da literatura indígena; Sol Itaputyr, artista e empreendedora indígena do povo Jeripankó; Sebastian Gerlic, mediador cultural e produtor; Tucunã Pataxó, artista e ativista indígena; Adriana Pesca Pataxó, professora, escritora e pesquisadora; e Duca Caraíva, artista, educadora popular e pintora.

Mariela Tulián marca participação internacional

A participação de Mariela Tulián representa a primeira presença latino-americana no Caju de Leitores. Autoridade tradicional da Comunidade Tulián, vinculada à Nação Comechingón, ela vive nas Serras de San Marcos, na província argentina de Córdoba.

Escritora e educadora, Tulián é autora de obras como Zoncoipacha: Do coração do território — o legado de Francisco Tulián, que recebeu menção especial no Prêmio Nacional de Literatura da Argentina. Também publicou livros voltados à educação, poesia e memória dos povos originários e coordena o projeto Kamiare, Voces del Origen, dedicado à formação de professores em educação intercultural, educação ambiental e emocional e revisionismo histórico.

A programação internacional também terá a participação de Sebastian Gerlic, argentino radicado no Brasil desde 1994 e sócio-fundador da ONG Thydêwá. Sua atuação reúne cinema, audiovisual, comunicação, cultura e projetos de educomunicação desenvolvidos com povos indígenas.

Literatura, língua e formação de leitores

Geni Núñez participará do festival como ativista indígena guarani, escritora e psicóloga. Com pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados da USP e doutorado em Ciências Humanas pela UFSC, é autora de obras como Descolonizando Afetos, Jaxy Jaterê e Felizes por enquanto.

Vanessa Guarani Ratton também integra a programação. Professora e pesquisadora, ela venceu o Prêmio Jabuti 2023, na categoria Fomento à Leitura, como coautora e editora de Guerreiras da Ancestralidade. Sua atuação inclui formação de educadores em culturas indígenas e produção relacionada à literatura para a infância.

Já Auritha Tabajara é apresentada pelo festival como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil. Escritora, cordelista e contadora de histórias, recebeu o Prêmio Jabuti 2024 e participa de iniciativas relacionadas à literatura, memória e cultura indígena.

Pataxó e outros povos integram programação

A presença Pataxó será ampliada pela participação de educadores, artistas, pesquisadores e lideranças da região. Apêtxienã Pataxó atua no ensino do Patxôhã, língua ancestral do povo Pataxó, enquanto Giovanna Pataxó desenvolve práticas pedagógicas voltadas a crianças e jovens e atua na defesa da língua e da formação da juventude indígena.

Adriana Pesca Pataxó, professora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), pesquisa autoria indígena, escrita-resistência e poéticas do corpo-território indígena. Também integra iniciativas relacionadas à educação escolar indígena e ao fortalecimento da literatura produzida por povos originários.

Entre os artistas está Sol Itaputyr, do povo Jeripankó, fundadora da Pindorama Comics, projeto dedicado à produção de narrativas indígenas em quadrinhos. Tucunã Pataxó, da Aldeia Mãe Barra Velha, desenvolve trabalhos com grafismo indígena, pintura corporal, madeira, murais, quadros e tecidos.

“Um Manifesto de Bichos” orienta a 5ª edição

O tema “Um Manifesto de Bichos” estabelece a proposta central da edição de 2026. Segundo a apresentação do festival, os animais serão abordados como participantes das histórias, memórias e conhecimentos transmitidos entre gerações.

A proposta relaciona bichos, ancestralidade, território, língua, natureza e diferentes formas indígenas de compreender a existência. A abordagem será desenvolvida por meio de encontros literários, rodas de conversa, contações de histórias, apresentações culturais e atividades educativas.

A programação terá como eixos a formação de leitores, a ampliação do acesso à literatura indígena e o encontro entre escritores, artistas, educadores, estudantes, lideranças e comunidades. As atividades também contemplarão oralidade, língua, território e natureza.

Realização e participação institucional

A idealizadora do Caju de Leitores, Joanna Savaglia, destacou a participação das comunidades Pataxó e a presença de representantes de outros povos indígenas na construção do festival. Ela também afirmou que a edição de 2026 amplia a participação internacional com a presença de Mariela Tulián.

O festival é realizado pelo Ministério da Cultura e pela Savá Cultural. A iniciativa conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, por meio da Lei Rouanet, além da participação da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico.

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) participa como parceira acadêmica. A realização na Aldeia Xandó mantém a programação vinculada ao território Pataxó e à participação de comunidades indígenas na organização e nas atividades do evento.

Caju de Leitores reúne literatura e saberes indígenas

Com a 5ª edição marcada para 2, 3 e 4 de setembro de 2026, o Caju de Leitores reunirá representantes de diferentes povos e áreas de atuação relacionadas à literatura, educação, arte, língua, memória e cultura indígena.

A presença de Mariela Tulián, da Argentina, amplia o alcance latino-americano da programação, enquanto a participação de escritores, pesquisadores, educadores, artistas e lideranças indígenas brasileiras mantém o foco do evento na produção literária e na transmissão de conhecimentos dos povos originários.

O festival terá programação gratuita na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, em Porto Seguro, com atividades direcionadas a leitores, estudantes, educadores, comunidades e participantes interessados na literatura e nos saberes indígenas.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo