Na madrugada desta terça-feira (22/09/2026), equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) mantinham as buscas pelo helicóptero Bell 430, matrícula PP-MGR, desaparecido durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim, na Serra Catarinense, com o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e o empresário Bruno Avelar entre os ocupantes. O último contato conhecido ocorreu por volta das 16h de segunda-feira (21/09). Depois de não encontrarem vestígios no primeiro ponto examinado, em Vacas Gordas, Urubici, os socorristas passaram a trabalhar também a partir do último sinal de celular de um dos ocupantes, cerca de 30 quilômetros distante. Até as últimas atualizações disponíveis, não havia confirmação oficial de queda, localização da aeronave ou condição dos ocupantes.
Buscas avançam pela Serra Catarinense sem localização da aeronave
A ocorrência começou a mobilizar equipes de emergência na tarde de segunda-feira, quando os bombeiros receberam informações sobre o desaparecimento da aeronave na região serrana. O helicóptero havia partido de Porto Belo, no litoral catarinense, em direção a São Joaquim. A Força Aérea Brasileira (FAB) acionou o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba, o Salvaero Curitiba, para participar da operação.
A primeira frente de procura concentrou-se na localidade de Vacas Gordas, em Urubici, após uma informação sobre possível queda da aeronave. Uma equipe chegou à região indicada, mas não encontrou destroços ou outros vestígios que confirmassem acidente naquele ponto. A busca foi então ampliada a partir de novas referências de localização.
O dado que alterou o planejamento foi a localização associada ao último sinal de celular de um dos ocupantes. Segundo o CBMSC, os dois pontos de interesse estavam separados por aproximadamente 30 quilômetros. A informação não significa que o aparelho indique necessariamente o lugar onde o helicóptero esteja: trata-se de um elemento técnico empregado para delimitar áreas de maior probabilidade e orientar a varredura.
Mau tempo, mata e acessos interrompidos dificultam a operação
A busca ocorre em uma área de relevo acidentado, mata e acessos rurais, circunstâncias que aumentam a complexidade do deslocamento das equipes. Cerca de 20 bombeiros militares participavam da operação com apoio de viaturas de tração 4×4.
Durante a noite, o CBMSC informou que algumas equipes encontraram pontes submersas e árvores caídas, o que obrigou os socorristas a recuar e buscar trajetos alternativos. O trabalho terrestre deveria prosseguir durante a madrugada enquanto houvesse condições de segurança, com previsão de reforço na manhã desta terça-feira.
As condições meteorológicas também interferiram na utilização de meios aéreos. Santa Catarina enfrentava instabilidade, com registros de chuva intensa, ventos e alertas meteorológicos. Na área das buscas, o tempo fechado reduziu a visibilidade e dificultou sobrevoos. A existência de mau tempo é, neste momento, contexto operacional relevante, mas não constitui prova de que as condições meteorológicas tenham causado o desaparecimento. Nenhuma autoridade apresentou conclusão sobre a origem da ocorrência.
FAB emprega Black Hawk e avião SC-105 Amazonas
A FAB mobilizou duas aeronaves especializadas em missões de busca e salvamento: um helicóptero H-60 Black Hawk e um avião SC-105 Amazonas. O planejamento é coordenado pelo Salvaero Curitiba, integrante do sistema brasileiro de busca e salvamento aeronáutico.
Segundo a Aeronáutica, a prioridade é localizar a aeronave e os ocupantes no menor período possível, recalculando as regiões de busca conforme novos dados de localização sejam incorporados à operação. O procedimento é compatível com a estrutura do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR), cuja função inclui localizar e resgatar ocupantes de aeronaves em situação de perigo.
A norma atualmente vigente para coordenação dessas operações estabelece procedimentos para organizar recursos humanos, aeronaves, informações de tráfego e dados técnicos disponíveis. O manual de coordenação do sistema foi atualizado em 14/05/2026 e utiliza como referência também padrões internacionais de busca e salvamento.
Novo ponto de celular desloca o centro das buscas
Um dos principais elementos da operação é a diferença entre o local inicialmente apontado como possível ponto de ocorrência e a posição associada ao telefone celular. Essa distância obrigou as autoridades a trabalhar simultaneamente com áreas distintas na Serra Catarinense.
O primeiro ponto foi relacionado às informações iniciais sobre a aeronave e levou equipes a Vacas Gordas. Como nada foi encontrado, ganharam importância os dados do aparelho celular, localizados mais próximos da região de São Joaquim. A partir daí, o planejamento passou a considerar especialmente áreas de mata e acessos rurais.
Na noite de segunda-feira, a tenente-coronel Heloísa, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, informou que uma equipe havia chegado à área relacionada à última comunicação sem encontrar vestígios. Para a manhã desta terça-feira, estavam previstos reforço de efetivo e emprego adicional de recursos como cão de busca e drone com câmera infravermelha, conforme informações prestadas por integrantes da corporação.
Rick, Bruno Avelar e os demais ocupantes
A presença de Rick Sollo, nome artístico de Geraldo Antônio de Carvalho, foi confirmada pela assessoria do cantor. O sertanejo tem 59 anos e construiu sua carreira principalmente ao lado de Renner, parceria iniciada em 1986. O primeiro álbum oficial da dupla foi lançado em 1992, e a projeção nacional se consolidou ao longo da década de 1990.
Renner não estava no helicóptero. A assessoria da dupla informou à CNN Brasil que o deslocamento não estava relacionado a um compromisso profissional de Rick & Renner e, por essa razão, o segundo integrante não acompanhava o parceiro.
Outro ocupante confirmado pelas informações divulgadas é Bruno Avelar, empresário, escritor e palestrante conhecido pelo projeto O Poder do Network, voltado a eventos, relacionamentos profissionais e empreendedorismo. Avelar também mantém relações profissionais e pessoais com nomes do esporte e do entretenimento.
Número exato de ocupantes ainda apresenta divergências
Há uma diferença relevante entre as informações publicadas sobre o número de pessoas no helicóptero. Parte das reportagens e informações atribuídas às assessorias aponta quatro ocupantes: Rick, Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e o piloto. Outras publicações afirmam que havia cinco pessoas, mencionando piloto, copiloto e três passageiros.
Diante da divergência, não é possível afirmar com segurança, apenas com as informações públicas disponíveis nesta madrugada, se estavam a bordo quatro ou cinco pessoas. Rick e Bruno Avelar, entretanto, aparecem de forma consistente nas confirmações divulgadas pela assessoria e nas informações utilizadas pelas autoridades de busca.
A identificação completa da tripulação e a quantidade definitiva de ocupantes constituem, portanto, uma das lacunas documentais que ainda precisam ser esclarecidas oficialmente.
Bell 430 PP-MGR pertence à JTA Empreendimentos
A aeronave procurada é um Bell 430, matrícula PP-MGR, fabricado em 2001. Segundo consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro reproduzida pela Folha de S.Paulo, o helicóptero está registrado em nome da JTA Empreendimentos e Urbanismo desde 30/04/2026, na categoria de transporte privado. O certificado de aeronavegabilidade indicado na consulta tinha validade até 11/08/2027.
O Bell 430 é uma aeronave bimotora de porte leve-médio. Dados técnicos divulgados a partir dos registros aeronáuticos apontam capacidade máxima de até sete passageiros, dependendo da configuração. Essa capacidade nominal não permite concluir quantas pessoas efetivamente participavam do voo de segunda-feira.
A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mantém o Registro Aeronáutico Brasileiro, pelo qual podem ser consultados dados sobre matrícula, propriedade, características e situação de aeronavegabilidade das aeronaves civis registradas no país.
Proprietário afirma que helicóptero foi emprestado
A JTA Empreendimentos e Urbanismo informou que a aeronave havia sido emprestada para uso de Bruno Avelar e Rick, descritos pela companhia como amigos próximos do proprietário da empresa. A JTA pediu cautela diante da circulação de versões ainda não confirmadas e ressaltou, na noite de segunda-feira, que naquele momento não era possível afirmar que tivesse ocorrido um acidente.
O empresário José Antunes, proprietário da JTA, também esclareceu informações que circulavam relacionando a propriedade do helicóptero ao jogador Neymar Jr. Segundo Antunes, a aeronave pertence à JTA e não ao atleta ou à família dele.
A associação surgiu porque a JTA mantém parceria empresarial com a NR Sports, empresa ligada à família do jogador, em um empreendimento imobiliário em Porto Belo que utiliza elementos associados à marca Neymar Jr. Essa relação comercial não significa propriedade do helicóptero pelo jogador.
Viagem tinha São Joaquim como destino do trecho desaparecido
Informações iniciais publicadas por diferentes veículos apresentaram divergências sobre o destino final da viagem, com referências inclusive a São Paulo. As informações atribuídas diretamente à FAB e ao Corpo de Bombeiros indicam, contudo, que o trecho no qual ocorreu o desaparecimento partiu de Porto Belo com destino à região de São Joaquim.
Segundo o prefeito de São Joaquim, José Teodoro, Rick e os demais integrantes do grupo eram esperados para um almoço e pretendiam conhecer uma área relacionada a possível investimento na região. A declaração esclarece a razão imediata apresentada publicamente para o deslocamento até a Serra, mas não substitui dados oficiais de plano de voo ou documentação operacional.
Horas antes do desaparecimento, Rick publicou nas redes sociais registros de sua viagem em Santa Catarina ao lado de Bruno Avelar. As imagens mostram parte do deslocamento aéreo realizado durante o dia, mas não constituem registro técnico do voo posteriormente desaparecido.
Desaparecimento não equivale a confirmação de queda
Até as últimas informações disponíveis, não havia confirmação oficial de queda do Bell 430. A formulação tecnicamente mais precisa permanece a de aeronave desaparecida submetida a uma operação de busca e salvamento.
Essa distinção é essencial porque perda de comunicação, desaparecimento de sinal e ausência no destino podem gerar diferentes hipóteses operacionais. Somente a localização da aeronave permitirá determinar se ocorreu pouso não comunicado, pouso forçado, acidente ou outra situação.
Também não existe, até este estágio, fundamento documental para atribuir o desaparecimento ao mau tempo, a falha mecânica, decisão do piloto ou qualquer outro fator. Chuva, baixa visibilidade, ventos e as características geográficas são fatos relevantes para a operação de busca, mas estabelecer eventual relação causal depende de evidências técnicas posteriores.
Eventual investigação aeronáutica ocorrerá após esclarecimento da ocorrência
Caso seja confirmada uma ocorrência aeronáutica sujeita à investigação, caberá ao sistema coordenado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) analisar os elementos técnicos relacionados ao voo.
O CENIPA esclarece que suas investigações não são destinadas a apontar culpados. O objetivo é identificar fatores contribuintes, produzir conhecimento técnico e formular recomendações capazes de evitar ocorrências semelhantes. A apuração de eventual responsabilidade criminal ou civil, quando cabível, segue procedimentos independentes.
Por isso, qualquer conclusão sobre meteorologia, manutenção, desempenho da aeronave, planejamento de voo, decisões da tripulação ou funcionamento dos sistemas de comunicação antes da localização do helicóptero seria prematura.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 21/09/2026, manhã — Rick publica registros de uma viagem aérea em Santa Catarina ao lado de Bruno Avelar. Mais tarde, o cantor segue em outro deslocamento, desta vez no helicóptero posteriormente declarado desaparecido.
- 21/09/2026 — O Bell 430 PP-MGR decola de Porto Belo em direção a São Joaquim. Rick e Bruno Avelar estão entre os ocupantes confirmados.
- 21/09/2026, por volta das 16h — ocorre o último contato conhecido, e bombeiros são mobilizados para uma possível ocorrência envolvendo a aeronave na Serra Catarinense.
- 21/09/2026, tarde — equipes seguem para Vacas Gordas, em Urubici, uma das primeiras áreas indicadas, mas não encontram vestígios do helicóptero.
- 21/09/2026, tarde e noite — a FAB mobiliza o H-60 Black Hawk e o SC-105 Amazonas, sob coordenação do Salvaero Curitiba.
- 21/09/2026, noite — informações sobre o último sinal de celular de um dos ocupantes acrescentam uma segunda área de busca, aproximadamente 30 quilômetros distante do primeiro ponto.
- 21/09 para 22/09/2026 — equipes terrestres prosseguem enquanto condições de acesso e segurança permitem; chuva, pontes submersas, árvores caídas e baixa visibilidade dificultam a operação.
- 22/09/2026, madrugada/manhã — a operação prevê reforço de equipes e recursos de busca. Até as últimas informações consultadas, a aeronave e seus ocupantes ainda não haviam sido localizados.
O elemento mais importante para a cobertura jornalística neste estágio é separar desaparecimento, hipótese e confirmação. A existência de uma região inicialmente apontada como possível local de queda não transforma essa hipótese em acidente comprovado. O fato confirmado é que o Bell 430 PP-MGR deixou de manter contato, não chegou ao destino previsto e passou a ser procurado por órgãos especializados. A ausência de destroços nos primeiros pontos examinados mantém abertas diferentes possibilidades operacionais.
As condições meteorológicas constituem outro ponto que exige cautela. Chuva, ventos, baixa visibilidade, mata fechada, estradas afetadas e pontes submersas ajudam a explicar as dificuldades das equipes de busca, mas não autorizam afirmar que o tempo causou o desaparecimento. Essa relação somente poderá ser analisada após a localização da aeronave e, se houver ocorrência aeronáutica, a recuperação de informações técnicas, inspeção dos componentes, análise meteorológica e reconstrução do voo.
Também permanecem lacunas objetivas: o número exato de ocupantes, a identificação completa de piloto e eventual copiloto, a sequência precisa das comunicações, as coordenadas finais consolidadas e as circunstâncias em que o contato foi perdido. A divergência entre reportagens sobre quatro ou cinco pessoas e sobre o destino final demonstra a necessidade de priorizar comunicações do CBMSC, FAB, ANAC e, posteriormente, do CENIPA.
No curto prazo, a responsabilidade central permanece com FAB, Salvaero Curitiba, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar e demais equipes de salvamento, cuja prioridade é encontrar a aeronave e os ocupantes. A localização permitirá definir a natureza da ocorrência. Somente depois disso poderão avançar respostas sobre fatores técnicos, meteorológicos ou operacionais, eventual investigação do CENIPA e outras providências administrativas ou judiciais.








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