Na segunda-feira (28/09/2026), o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, anunciou a implantação da primeira Clínica Pet do município, estrutura pública destinada à assistência veterinária de cães e gatos. A unidade será instalada em um imóvel de 741 metros quadrados, localizado na Rua Barão de Cotegipe, nº 802, adquirido pelo Município por R$ 1,5 milhão. Além de consultas e acompanhamento clínico, o projeto prevê vacinação, exames, cirurgias e castrações, com prioridade para animais pertencentes a famílias que não disponham de condições financeiras para contratar esses serviços na rede particular e para demandas encaminhadas por organizações de proteção animal. A Prefeitura ainda precisa concluir o projeto de adaptação do prédio, definir equipamentos, dimensionar as equipes profissionais e estabelecer detalhadamente os critérios de acesso.
O anúncio foi realizado durante entrevista coletiva com representantes de entidades de proteção animal, vereadores, profissionais de imprensa e integrantes da sociedade civil. Na ocasião, o prefeito informou que a escritura para aquisição do imóvel havia sido assinada e afirmou que o pagamento seria realizado ainda naquela semana. Segundo José Ronaldo, a Secretaria Municipal de Planejamento recebeu determinação para priorizar o projeto arquitetônico e de engenharia necessário à transformação do prédio em unidade veterinária.
O Governo Ronaldo informa que o imóvel está situado próximo à região central e será adaptado para os novos serviços, dente eles, atendimento veterinário, vacinação, castração, acompanhamento clínico e ações preventivas entre as atividades projetadas para a clínica. A administração municipal apresenta a iniciativa como instrumento para ampliar o acesso aos cuidados veterinários, apoiar o controle populacional de cães e gatos e integrar a proteção animal às estratégias relacionadas à saúde pública.
Imóvel adquirido por R$ 1,5 milhão será adaptado para receber a clínica
Na entrevista coletiva, José Ronaldo informou que o imóvel foi adquirido pelo Município por R$ 1,5 milhão. De acordo com o prefeito, os proprietários haviam apresentado inicialmente valores superiores ao montante final negociado. O gestor declarou que a avaliação foi conduzida pela área fazendária municipal e que, depois da formalização da escritura, o Município daria sequência ao pagamento e às intervenções necessárias no prédio.
O custo total para colocar a Clínica Pet em funcionamento, porém, ainda não foi divulgado. O valor de R$ 1,5 milhão corresponde à aquisição do imóvel e não representa, pelos dados disponíveis, o investimento global do projeto. Permanecem sem valores publicamente definidos as obras de adaptação, aquisição de equipamentos veterinários, contratação ou alocação de profissionais e despesas permanentes de manutenção.
José Ronaldo afirmou que será iniciado um procedimento para aquisição dos equipamentos necessários por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde. A Prefeitura também deverá definir o quantitativo de médicos-veterinários e demais profissionais vinculados ao funcionamento da unidade.
Atendimento deverá priorizar famílias sem condições de pagar serviços particulares
Segundo José Ronaldo, a clínica terá atendimento em horário comercial e será direcionada especialmente a pessoas que não tenham condições financeiras para custear determinados procedimentos veterinários na iniciativa privada.
O modelo previsto envolve cadastro prévio dos animais e agendamento dos atendimentos. O prefeito afirmou que a estrutura funcionará, em termos de organização do acesso, de forma semelhante a uma unidade ambulatorial, com identificação dos animais e marcação das consultas e procedimentos. Entre os serviços citados estão atendimento clínico, vacinação, tratamento de cães e gatos em situação de rua e castração.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, acrescentou que a formulação ainda está em construção e será discutida com associações e protetores independentes. Segundo ele, a intenção é cadastrar tutores em situação de vulnerabilidade socioeconômica e utilizar a rede municipal de saúde como parte do fluxo de encaminhamento. O secretário mencionou a possibilidade de participação de agentes comunitários de saúde e unidades básicas na articulação dos agendamentos.
Clínica deverá realizar exames, cirurgias e castrações
Rodrigo Matos afirmou que o planejamento inclui consultas, exames, castração, procedimentos cirúrgicos e orientação aos tutores, embora tenha ressaltado que o desenho definitivo do funcionamento ainda será apresentado posteriormente.
A castração aparece como uma das principais frentes da futura unidade. O secretário relacionou o procedimento ao controle da população de animais nas ruas e à prevenção de problemas associados às zoonoses. Segundo ele, políticas direcionadas aos animais possuem também repercussões sobre a saúde coletiva.
Essa relação entre saúde animal, humana e ambiental está associada ao conceito de Saúde Única — One Health. A Organização Mundial da Saúde define a abordagem como uma estratégia integrada destinada a equilibrar e otimizar a saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas. Entre suas áreas de aplicação estão a vigilância e o controle de zoonoses, doenças capazes de circular entre animais e seres humanos.
Clínica Pet e Unidade de Vigilância de Zoonoses terão funções distintas
A nova estrutura não substituirá a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) existente em Feira de Santana. Questionado durante a entrevista, José Ronaldo afirmou que os dois equipamentos terão funções separadas e que a unidade de zoonoses continuará executando suas atribuições regulares.
A distinção é relevante porque serviços de assistência clínica veterinária e atividades de vigilância sanitária e epidemiológica possuem finalidades institucionais diferentes, ainda que possam atuar de forma complementar em determinados programas de saúde pública.
Em 2026, a UVZ manteve, por exemplo, vacinação gratuita contra a raiva para cães e gatos. Em 30/07/2026, a Prefeitura informou que 8.191 animais haviam sido vacinados desde o início da campanha daquele período, em 25 de julho. Posteriormente, o calendário foi ampliado para bairros e distritos do município.
Política municipal de castração ganha novo equipamento
A implantação da Clínica Pet ocorre no mesmo ano em que Feira de Santana incorporou ao calendário municipal o Dia Municipal da Castração Animal. A Lei Municipal nº 4.410, de 12/03/2026, estabeleceu 4 de outubro como data destinada a estimular o controle populacional de cães e gatos, campanhas de esterilização, vacinação e identificação, além de ações de conscientização sobre guarda responsável, adoção e bem-estar animal.
No âmbito nacional, a Lei Federal nº 14.228, de 20/10/2021, regulamentou limites para a eliminação de cães e gatos por órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e estabelecimentos oficiais congêneres. A norma proíbe a eliminação desses animais, ressalvadas situações específicas de doenças graves ou enfermidades infectocontagiosas incuráveis que representem risco à saúde humana ou de outros animais, observadas as exigências técnicas previstas na legislação.
A criação da clínica, portanto, acrescenta uma estrutura assistencial às políticas municipais já existentes de vacinação e vigilância, além de abrir possibilidade de ampliação da esterilização e do atendimento clínico. A extensão efetiva dessa cobertura, entretanto, dependerá da capacidade operacional que vier a ser definida pelo Município.
Associação Protetora dos Animais aponta demanda acumulada por atendimento
A presidente da Associação Protetora dos Animais (APA), Sandra Lima, avaliou o anúncio como uma etapa inicial para ampliar a assistência pública à causa animal. Segundo ela, protetores e organizações acumulam demandas relacionadas a animais abandonados, adoções, tratamentos veterinários e esterilizações.
Sandra destacou que a implantação não resolverá imediatamente o conjunto de problemas existentes. Em sua avaliação, a construção da política exigirá participação dos protetores independentes e das entidades que acumulam experiência no resgate e cuidado de animais. A representante defendeu que essas organizações contribuam para a estruturação prática do serviço.
Questionada sobre a opção por uma clínica em vez de um hospital veterinário, Sandra considerou que uma unidade clínica estruturada pode atender parte expressiva das demandas atualmente apresentadas às entidades. Ela não descartou que a experiência possa subsidiar, futuramente, discussões sobre uma estrutura hospitalar mais complexa, mas avaliou que o modelo anunciado corresponde a uma etapa inicial do atendimento público veterinário.
APA acompanha cerca de 250 animais e relata dificuldades de financiamento
A APA acompanha aproximadamente 250 animais. A entidade relata limitações financeiras para responder à quantidade de pedidos de ajuda recebidos e sustentar despesas associadas a resgates, alimentação e cuidados veterinários.
Sandra Lima apontou a insuficiência de recursos financeiros entre os principais desafios enfrentados pelos protetores. Ela mencionou também maus-tratos, atropelamentos e a necessidade de ampliar programas permanentes de educação e conscientização da população.
O funcionamento da Clínica Pet poderá modificar parte dessa dinâmica caso consiga absorver consultas, castrações e outros procedimentos atualmente custeados ou buscados diretamente pelas entidades. A dimensão dessa contribuição dependerá, contudo, dos critérios de acesso, capacidade de atendimento, orçamento disponível e articulação entre Prefeitura, organizações formalizadas e protetores independentes.
Hospital Municipal segue projeto separado
Durante a entrevista coletiva, José Ronaldo também foi questionado se a implantação da Clínica Pet representaria mudança de prioridade em relação ao projeto do Hospital Municipal de Feira de Santana. O prefeito respondeu que não houve alteração e afirmou que as duas iniciativas seguem caminhos distintos.
O Hospital Municipal já havia alcançado outra etapa administrativa. Em 17/08/2026, a Prefeitura assinou a ordem de serviço da unidade, prevista para ter 110 leitos. O projeto foi estruturado por meio de parceria público-privada, com valor global homologado de R$ 1,580 bilhão ao longo da concessão, enquanto o investimento inicial divulgado foi estimado em R$ 286 milhões.
Na coletiva sobre a Clínica Pet, José Ronaldo informou que o projeto executivo do Hospital Municipal estava em elaboração e indicou expectativa de conclusão dessa etapa até o fim de novembro. A declaração relacionou os dois projetos apenas quanto ao cronograma administrativo da gestão, sem indicar compartilhamento de recursos, instalações ou serviços entre eles.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 20/10/2021 — É sancionada a Lei Federal nº 14.228, que disciplina a eliminação de cães e gatos por órgãos públicos de controle de zoonoses e estabelece exceções técnicas para eutanásia. A norma passa a integrar o marco federal relacionado à proteção desses animais.
- 12/03/2026 — Feira de Santana sanciona a Lei Municipal nº 4.410, instituindo o Dia Municipal da Castração Animal, celebrado em 4 de outubro, com objetivos de controle populacional, esterilização, vacinação, identificação animal e conscientização.
- 25/07/2026 — Começa uma etapa da campanha municipal de vacinação antirrábica para cães e gatos, com mobilização em bairros de Feira de Santana.
- 30/07/2026 — A Prefeitura informa que 8.191 cães e gatos já haviam recebido vacina contra a raiva desde o início daquela etapa da campanha.
- 17/08/2026 — José Ronaldo assina a ordem de serviço para implantação do Hospital Municipal de Feira de Santana, projeto independente da futura Clínica Pet.
- 28/09/2026 — A Prefeitura anuncia oficialmente a primeira Clínica Pet de Feira de Santana, prevista para funcionar na Rua Barão de Cotegipe, nº 802, em imóvel de 741 m².
- 28/09/2026 — José Ronaldo informa, durante entrevista coletiva, que o imóvel foi adquirido por R$ 1,5 milhão e detalha a previsão de cadastramento, consultas, vacinação, tratamentos e castrações, com prioridade para tutores sem condições de pagar atendimento particular.
- 28/09/2026 — O secretário Rodrigo Matos informa que o desenho operacional ainda será detalhado e prevê participação das entidades de proteção animal e dos protetores independentes na formulação do serviço.
A aquisição de um imóvel próprio por R$ 1,5 milhão diferencia o anúncio de uma manifestação apenas programática e cria uma base física para a implementação da política pública. Entretanto, a existência do prédio ainda não permite avaliar a dimensão efetiva do serviço. Para isso, permanecem necessários dados sobre obras, equipamentos, quadro profissional, orçamento de custeio, capacidade diária de atendimento, regras socioeconômicas de acesso e prazo de abertura.
A futura clínica também terá de ser inserida de forma tecnicamente delimitada na estrutura sanitária municipal. A Prefeitura afirma que a Unidade de Vigilância de Zoonoses continuará funcionando separadamente, enquanto a Clínica Pet assumirá atividades predominantemente assistenciais. A definição clara de competências será importante para impedir sobreposição de estruturas e, ao mesmo tempo, permitir cooperação nas áreas de vacinação, prevenção de zoonoses, esterilização e educação sanitária. O conceito de Saúde Única, reconhecido pela OMS, fornece referência para políticas que relacionam saúde humana, animal e ambiental.
O núcleo confirmado é que Feira de Santana adquiriu um imóvel de 741 m², por R$ 1,5 milhão, e iniciou a implantação de sua primeira Clínica Pet pública, destinada a ampliar consultas, vacinação, exames, cirurgias e castrações. A relevância pública do projeto decorrerá da capacidade de transformar essa estrutura física em serviço contínuo, acessível e mensurável. Os próximos passos dependem principalmente da Prefeitura de Feira de Santana, das secretarias municipais de Saúde e Planejamento, dos setores responsáveis pela aquisição de equipamentos e contratação de pessoal e da participação das entidades de proteção animal na definição e acompanhamento do modelo de atendimento.








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