O governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), pediu neste sábado (24/10/2026) que os eleitores baianos votem no presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), número 13, no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25/10/2026). Em mensagem divulgada na véspera da votação, Jerônimo afirmou que considera a disputa relacionada à soberania nacional e ao controle brasileiro sobre recursos estratégicos.
Na manifestação, o governador procurou deslocar o argumento eleitoral da avaliação individual sobre Lula para uma discussão sobre o projeto de país. “Esqueça Lula. Não é Lula. O que está em jogo é um Brasil soberano”, declarou Jerônimo. A fala integra a mobilização de lideranças petistas e de partidos aliados pela candidatura presidencial de Lula na reta final do segundo turno.
O posicionamento ocorre três semanas depois de Jerônimo conquistar a reeleição ao Governo da Bahia no primeiro turno, realizado em domingo (04/10/2026). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governador recebeu 4.626.265 votos, equivalentes a 55,80% dos votos válidos, com 99,99% das urnas apuradas.
Jerônimo relaciona decisão eleitoral à soberania brasileira
Ao justificar o apoio a Lula, Jerônimo associou sua posição ao controle nacional sobre riquezas minerais, petróleo, energia e recursos hídricos. Segundo a argumentação apresentada pelo governador, a soberania envolve a capacidade do país de definir políticas relacionadas a esses ativos e preservar autonomia nas decisões econômicas e internacionais.
O governador também incluiu a produção de alimentos entre os elementos que, em sua avaliação, devem ser considerados pelo eleitor. A mensagem vincula a soberania à capacidade produtiva brasileira e à possibilidade de o país estabelecer suas próprias prioridades em áreas econômicas consideradas estratégicas.
Jerônimo sustentou ainda que o eleitor deveria avaliar os possíveis efeitos de uma mudança de orientação política no governo federal. “É um risco. Nós não vamos correr esse risco”, afirmou. A referência a riscos e retrocessos constitui avaliação política do governador; no trecho divulgado, não são detalhadas medidas específicas da candidatura adversária que sustentariam cada um desses riscos.
Segundo turno coloca Lula e Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência
O segundo turno presidencial será disputado entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com a totalização do TSE referente ao primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos, correspondentes a 45,16%.
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos no primeiro turno. Como nenhum dos concorrentes alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a definição da Presidência foi transferida para a segunda etapa da eleição, conforme estabelece o sistema majoritário brasileiro.
A eleição ocorre neste domingo (25/10/2026). Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, a votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, em todas as localidades participantes do segundo turno. O TSE informa que 158.765.543 eleitoras e eleitores estavam aptos a participar das Eleições Gerais de 2026.
Governador já havia mobilizado base política após reeleição
O apoio de Jerônimo a Lula não começou na última semana da campanha. Após a confirmação de sua reeleição ao Governo da Bahia, o governador informou que sua base política passaria a concentrar esforços no segundo turno presidencial. A mobilização foi anunciada ainda durante a reorganização política posterior à votação estadual de 4 de outubro.
Na Bahia, dirigentes partidários, parlamentares e integrantes da administração estadual ligados ao governador passaram a promover atividades destinadas à candidatura petista. Em Feira de Santana, por exemplo, lideranças do PT anunciaram mobilizações voltadas também para eleitores que se abstiveram ou votaram em branco e nulo no primeiro turno.
A posição anunciada neste sábado reforça essa estratégia. Ao vincular o voto a temas como soberania, recursos naturais, produção nacional e política externa, Jerônimo procura ampliar o argumento eleitoral para além da identificação partidária e apresentar a decisão presidencial como uma escolha entre diferentes orientações para a atuação do Estado brasileiro.
Discurso de soberania integra narrativa política da campanha
A defesa da soberania também aparece entre os eixos apresentados pelo programa Lula-Alckmin para o período 2027–2030, que reúne propostas relacionadas a desenvolvimento econômico, indústria, infraestrutura, transição energética, políticas sociais e política externa.
No pronunciamento atribuído a Jerônimo, entretanto, a mensagem é predominantemente eleitoral. O governador sustenta que o eleitor deve considerar as consequências institucionais, econômicas e internacionais da escolha presidencial, independentemente de sua avaliação pessoal sobre Lula.
A formulação de que o país poderia enfrentar “retrocessos” ou uma contraposição entre “civilização ou barbárie” deve ser compreendida como enquadramento político utilizado na mobilização eleitoral, e não como conclusão factual independente. O resultado sobre qual projeto receberá maioria dos votos será definido pelo eleitorado no segundo turno deste domingo.
Votação deste domingo encerra disputa presidencial
Segundo o calendário oficial da Justiça Eleitoral, o segundo turno ocorre em 25/10/2026, com abertura das seções para votação às 8h e encerramento às 17h, horário de Brasília. A totalização poderá ser acompanhada pelos sistemas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.
A votação definirá quem exercerá a Presidência da República no próximo mandato entre Lula e Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, a distância entre os dois foi inferior a dois pontos percentuais, dentro de um universo de mais de 125 milhões de votos válidos contabilizados pelo TSE.
Para Jerônimo Rodrigues, a etapa final deve ser interpretada a partir das consequências do resultado para a autonomia econômica e política brasileira. Essa é, contudo, a posição eleitoral expressa pelo governador e por seu campo político. A decisão cabe aos eleitores, por meio do voto direto e secreto, conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.








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