O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi matematicamente reeleito para a Presidência da República neste domingo (25/10/2026), assegurando um quarto mandato presidencial após superar, no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Às 21h08min54s, o painel oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicava “Eleição matematicamente definida (Eleito)”, com 97,69% das seções totalizadas. Lula contabilizava 62.641.973 votos, equivalentes a 51,74% dos válidos, diante de 58.436.437 votos, ou 48,26%, para Flávio Bolsonaro.
A diferença naquele momento era de 4.205.536 votos, correspondente a 3,48 pontos percentuais. Das 499.248 seções eleitorais, 487.692 já haviam sido totalizadas, restando 11.556, ou 2,31%, sem processamento. Embora esses votos ainda possam modificar os números absolutos e os percentuais finais, não são mais suficientes para alterar o vencedor, razão pela qual o sistema do TSE passou a identificar Lula como eleito.
A definição produz uma mudança histórica na dinâmica das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização: Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro, e conseguiu inverter a ordem no segundo. Desde 1989, todas as eleições presidenciais que haviam chegado à segunda rodada tinham sido vencidas pelo candidato que terminou o primeiro turno na liderança.
Lula obtém 62,6 milhões de votos e abre vantagem superior a 4,2 milhões
No momento em que o TSE declarou a eleição matematicamente definida, haviam sido contabilizados 125.122.558 votos. Desse total, 121.078.410 eram votos válidos, equivalentes a 96,77% dos votos processados.
Os votos em branco somavam 1.394.854, ou 1,11%, enquanto os votos nulos alcançavam 2.649.294, correspondentes a 2,12%. Brancos e nulos não entram no cálculo utilizado para definir o vencedor da eleição presidencial.
Lula concentrava 62.641.973 dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 58.436.437. A margem de 4.205.536 votos representa uma reversão não apenas da posição ocupada pelos candidatos no primeiro turno, mas também da vantagem numérica estabelecida pelo candidato do PL na primeira votação.
Virada reverte vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno
No primeiro turno, realizado em 04/10/2026, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação. A totalização final registrou 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, para o candidato do PL, enquanto Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual, em favor do senador.
A mudança observada em 25 de outubro rompe um padrão mantido em todas as eleições presidenciais brasileiras com segundo turno desde 1989. Nas disputas de 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, quem chegou à segunda rodada depois de liderar a primeira votação também terminou eleito. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu ainda no primeiro turno.
Em 2026, pela primeira vez nesse período, o segundo colocado da primeira rodada conseguiu ultrapassar o líder na votação decisiva. A margem nacional passou de uma desvantagem de 2,22 milhões de votos para Lula no primeiro turno para uma vantagem superior a 4,20 milhões quando a eleição foi matematicamente definida.
Resultado assegura a Lula uma quarta eleição presidencial
A vitória de 2026 acrescenta um novo capítulo à trajetória eleitoral de Lula. O petista foi eleito presidente pela primeira vez em 2002, quando recebeu 52,7 milhões de votos, e foi reeleito em 2006, com aproximadamente 58,3 milhões. Exerceu, assim, dois mandatos consecutivos entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011.
Depois de permanecer fora da Presidência por 12 anos, Lula retornou à disputa em 2022 e venceu Jair Bolsonaro no segundo turno. O TSE considerou sua eleição matematicamente definida quando ele tinha 50,83% dos votos válidos; a totalização definitiva posteriormente registrou 60.345.999 votos para Lula e 58.206.354 para Bolsonaro.
Com a vitória de 2026, Lula passa a ser o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República: em 2002, 2006, 2022 e 2026. Seu próximo período no Palácio do Planalto será o quarto mandato pessoal e o segundo consecutivo do ciclo iniciado em janeiro de 2023.
Dilma Rousseff sucedeu Lula e venceu duas eleições presidenciais
Entre os dois primeiros governos de Lula e seu retorno ao Planalto em 2023, o PT permaneceu na Presidência inicialmente com Dilma Rousseff, indicada politicamente como sucessora e apoiada por Lula na campanha de 2010. O Arquivo Nacional registra que o então presidente apoiou a eleição de Dilma após deixar o cargo.
Dilma venceu a eleição de 2010, tornando-se a primeira mulher presidente do Brasil, e foi reeleita em 2014. Esses dois mandatos pertencem à trajetória presidencial de Dilma e não devem ser contabilizados como mandatos de Lula, embora façam parte da continuidade política do PT no Executivo federal.
O segundo governo Dilma foi interrompido em 31/08/2016, quando o Senado aprovou seu impeachment por 61 votos a 20 e determinou a perda do cargo. Michel Temer assumiu definitivamente a Presidência.
Nordeste mantém peso eleitoral e Lula reduz desvantagem no Sudeste
O resultado nacional voltou a evidenciar diferenças regionais. No primeiro turno, Lula havia obtido 63,8% dos votos válidos do Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro registrara 30,9%. No Sudeste, ocorreu o movimento inverso: Flávio alcançou 51,4%, contra 39,7% de Lula, em um cenário que ainda incluía os demais candidatos presidenciais.
Na apuração do segundo turno, painéis de acompanhamento alimentados pelos dados do TSE indicavam Lula com aproximadamente 67,7% no Nordeste, diante de 32,3% de Flávio. No Sudeste, Flávio permanecia à frente, com cerca de 53,9%, enquanto Lula alcançava aproximadamente 46,1%.
Os números permitem afirmar que Lula manteve ampla vantagem no Nordeste e reduziu sua desvantagem relativa no Sudeste, mas não sustentam a afirmação de que tenha vencido o Sudeste. Também não é metodologicamente possível identificar, a partir de dados agregados, quais eleitores individuais mudaram de candidato entre os dois turnos. A mensuração exata da migração do voto depende de pesquisas específicas e análises posteriores.
Bahia teve papel relevante na construção da vantagem de Lula
A Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, havia se consolidado ainda no primeiro turno como uma das principais bases eleitorais de Lula. O presidente recebeu 5.664.771 votos, ou 66,17% dos válidos, no estado, diante de 2.442.585 votos, ou 28,53%, de Flávio Bolsonaro. A diferença favorável ao petista ultrapassou 3,22 milhões de votos.
A dimensão desse resultado pode ser compreendida pela comparação com o cenário nacional da primeira rodada: a vantagem obtida por Lula apenas na Bahia era superior à diferença de aproximadamente 2,22 milhões de votos que Flávio Bolsonaro construiu nacionalmente no primeiro turno.
No Nordeste como um todo, Lula liderou nos nove estados durante a apuração do segundo turno. A região manteve, portanto, sua função de principal território de vantagem eleitoral do candidato petista.
Flávio Bolsonaro supera 58 milhões de votos em primeira disputa presidencial
Embora derrotado, Flávio Bolsonaro chegou à definição matemática do resultado com 58.436.437 votos, equivalentes a 48,26% dos votos válidos já totalizados. O senador do Rio de Janeiro disputou a Presidência pela primeira vez, tendo como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL).
No primeiro turno, Flávio havia liderado nacionalmente com 47,03%, sustentado por desempenho superior ao de Lula principalmente no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. No segundo turno, continuou vencendo no Sul, Centro-Oeste e Sudeste durante a fase avançada da totalização, mas as margens não foram suficientes para compensar o desempenho de Lula nas demais áreas, particularmente no Nordeste.
Os mais de 58 milhões de votos recebidos pelo candidato do PL também indicam a permanência de um contingente eleitoral expressivo de oposição ao governo reeleito. O resultado presidencial, portanto, define o ocupante do Executivo, mas não elimina a divisão política registrada nas urnas.
Apuração ocorreu após extensão excepcional do período de votação
O segundo turno também foi marcado por uma alteração excepcional no cronograma de votação. Durante a tarde, as campanhas apresentaram pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento dos eleitores. A campanha de Lula apontou restrições ao transporte coletivo em diferentes localidades, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro pediu extensão do horário em estados atingidos por chuvas.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do recebimento de votos até as 19h, diante dos relatos apresentados. Posteriormente, o TSE esclareceu que a votação continuaria apenas nos locais em que ainda não havia sido encerrada às 17h e informou que a recepção dos Boletins de Urna, a totalização e a divulgação dos resultados seriam retomadas depois das 19h.
A apuração chegou a ser interrompida pouco depois das 17h, quando 1.225 das 499.248 seções haviam sido processadas. A existência dessas decisões e ocorrências faz parte do registro institucional da eleição, mas os dados disponíveis não autorizam atribuir a elas efeito específico sobre a diferença final entre Lula e Flávio Bolsonaro. Qualquer relação causal exigiria documentação eleitoral e análise própria.
TSE declara eleição matematicamente definida antes do encerramento de todas as seções
A expressão “eleição matematicamente definida” significa que, diante da diferença entre os candidatos e da quantidade máxima de votos ainda disponível nas seções pendentes, o segundo colocado já não possui possibilidade aritmética de ultrapassar o primeiro.
Isso não significa que a totalização tenha terminado. Às 21h08min54s, ainda faltavam 11.556 seções. Os votos dessas unidades continuam sendo incorporados e definirão os números finais de votação, comparecimento, abstenção, votos brancos e votos nulos.
A confirmação matemática também antecede outras etapas formais da Justiça Eleitoral. O calendário do TSE estabelece 18/12/2026 como data-limite para a diplomação das pessoas eleitas e 05/01/2027 para a posse do presidente e do vice-presidente da República.
Geraldo Alckmin também integra chapa vencedora
Lula disputou a reeleição mantendo como vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), médico e ex-governador de São Paulo que já integra o governo iniciado em 2023. O TSE registrou Alckmin como candidato a vice na chapa presidencial petista de 2026.
A eleição presidencial brasileira é realizada por chapa. Dessa forma, a vitória de Lula assegura também a eleição do candidato a vice, condicionada às etapas formais de conclusão, proclamação e diplomação previstas pela Justiça Eleitoral.
A posse marcada para 5 de janeiro de 2027 abrirá um novo período de quatro anos. Lula iniciará esse mandato aos 81 anos, ampliando simultaneamente os registros de número de eleições presidenciais vencidas e de idade no exercício do cargo.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 27/10/2002 — Primeira eleição de Lula: Luiz Inácio Lula da Silva vence a disputa presidencial e é eleito pela primeira vez, iniciando mandato em 2003.
- 2006 — Primeira reeleição: Lula vence novamente a eleição presidencial e permanece no cargo até janeiro de 2011.
- 2010 — Dilma Rousseff é eleita: apoiada por Lula como sucessora, Dilma vence a eleição e mantém o PT na Presidência.
- 2014 — Dilma é reeleita: a presidente conquista novo mandato ao derrotar Aécio Neves no segundo turno.
- 31/08/2016 — Impeachment de Dilma: o Senado determina a perda do cargo e encerra antecipadamente seu segundo mandato.
- 30/10/2022 — Lula vence terceira eleição presidencial: o TSE considera o petista eleito após superar Jair Bolsonaro no segundo turno; a totalização definitiva registra 60.345.999 votos para Lula.
- 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro termina em primeiro, com 47,03%, e Lula fica em segundo, com 45,16%; os dois avançam para o segundo turno.
- 25/10/2026 — Segundo turno: brasileiros retornam às urnas para decidir entre Lula e Flávio Bolsonaro. Problemas relacionados a transporte e condições de deslocamento geram decisões sobre extensão do horário em seções ainda abertas.
- 25/10/2026, 21h08min54s — Eleição matematicamente definida: com 97,69% das seções totalizadas, o TSE registra Lula como eleito, com 51,74% e 62.641.973 votos, diante de 48,26% e 58.436.437 votos de Flávio Bolsonaro.
Próximos passos institucionais
Mesmo com a eleição matematicamente definida, a Justiça Eleitoral precisa concluir a incorporação das seções restantes e consolidar os números definitivos do segundo turno. Os percentuais de 51,74% e 48,26% podem sofrer pequenas alterações, assim como as quantidades absolutas de votos.
Após a conclusão da totalização, o processo eleitoral segue para os procedimentos previstos na legislação, incluindo a consolidação formal do resultado e a diplomação das chapas vencedoras. Em 2022, por exemplo, o Plenário do TSE proclamou formalmente Lula e Alckmin eleitos após aprovar o relatório final da eleição presidencial.
Para 2026, a Justiça Eleitoral estabelece 18 de dezembro como prazo-limite para a diplomação. A posse do presidente e do vice eleitos está prevista para 05/01/2027.
Duas dimensões historicas
A reeleição de Lula possui duas dimensões historicamente verificáveis. A primeira é pessoal: ele passa a ser o primeiro político brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República. A segunda está na dinâmica do pleito: a vitória rompe o padrão observado desde 1989, ao permitir que um candidato que terminou o primeiro turno na segunda posição revertesse o resultado na etapa decisiva.
Os números regionais ajudam a compreender a matemática eleitoral, mas não autorizam simplificações sobre comportamento individual. Lula preservou larga vantagem no Nordeste e melhorou sua participação no Sudeste, enquanto Flávio continuou à frente no Sudeste, Sul e Centro-Oeste nos recortes disponíveis durante a apuração. A identificação precisa de migração de votos, redução de abstenção ou transferência dos eleitores de candidatos eliminados dependerá da totalização definitiva e de estudos com dados territoriais e pesquisas pós-eleitorais.
A definição presidencial também não encerra as questões institucionais decorrentes do pleito. Permanecem as etapas de totalização final, proclamação e diplomação, assim como a necessidade de documentação e eventual apreciação judicial de controvérsias surgidas durante a votação. Não há, com os elementos disponíveis, fundamento para afirmar que episódios relacionados ao transporte coletivo ou à extensão do horário tenham determinado o resultado nacional.
O núcleo factual, porém, está definido: Lula venceu matematicamente o segundo turno de 2026, reverteu a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro na primeira rodada e assegurou sua quarta eleição presidencial. A partir da conclusão da totalização, caberá ao TSE conduzir os procedimentos finais do processo eleitoral; ao presidente e vice eleitos, preparar o novo mandato; e às instituições políticas, ao Congresso e à oposição atuar dentro das atribuições constitucionais diante de um resultado que mobilizou mais de 121 milhões de votos válidos até o momento da definição matemática.








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