
O título ‘O condado dos escroques’ vem do inglês, na época em que a máfia comandava a produção de bebidas alcoólicas durante o período da Lei Seca. Al Capone já era uma estrela em ascensão quando se mudou para Cícero, cidade vizinha a Chicago, fugindo da perseguição policial. Ali ele conseguiu o apoio das autoridades para as suas atividades criminosas, já que sua popularidade lhe permitia comandar um governo subterrâneo.
Não foi à-toa, portanto, que, naquela cidade, Capone fosse chamado de o “prefeito do condado dos escroques” (Mayor of Crook County), face a corrupção das autoridades acobertada pela máfia que, na prática, exercia o poder. A roubalheira generalizada levou os americanos a perder, gradual e fatalmente, a capacidade de sua tradicional indignação moral.
Nessa época o presidente americano era Warren Harding, o 29º presidente dos Estados Unidos, cujo governo tornou-se conhecido como o mais corrupto da história do país. Harding era um “zé-ninguém”, metido a conquistador e uma ferramenta útil para a canalha política do estado onde nascera. Trouxe para a Casa Branca a família, os cabos eleitorais e os colegas de pôquer, que, de modo rápido e eficaz, transformaram o governo numa máquina de ganhar dinheiro.
Nessa época o procurador geral, Harry Daugherty, engavetava os processos contra as autoridades e cobrava por isso, através de Jess Smith, seu coletor oficial. Todas as tardes eles se reuniam com o presidente para tomar drinks no andar de cima da Casa Branca. Era comum encontrar parlamentares bêbados no Congresso, e a biblioteca do Senado era considerada o melhor bar de Washington.
Como o crime organizado tem atingido a sociedade através dos tempos, algo semelhante aconteceu entre nós desde quando Fernando Collor assumiu o poder. Em seu governo a corrupção foi tanta que ele foi obrigado a renunciar. No de Fernando Henrique ela foi colocada para debaixo do tapete. Na época, o procurador-geral era Geraldo Brindeiro, que ficou conhecido como o engavetador-geral da República. Esse senhor ficou oito anos no cargo. Como gratidão pela renovação do seu mandato engavetava todos os processos contra as autoridades e contra o presidente da República.
Em seguida veio o Lula, que se elegeu sob o discurso da ética na política, mas que entrou para a história como um governo tão corrupto quanto o de FHC, ou ainda mais. O mensalão veio demonstrar de forma bombástica as entranhas corruptas da presidência da República, cujo exemplo contaminou os demais órgãos e poderes. Foi a partir daí que o povo passou a dizer que o art. 2º da Constituição Federal devia ter a seguinte redação: “São poderes da União, independentes e corruptos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
Quando se imaginava que a corrupção terminasse com Lula, eis que surge o governo de dona Dilma, cujo nível de roubalheira supera qualquer outra fase que o país passou, incluindo a do seu antecessor. Seu governo é tão corrupto que até o aliado Ciro Gomes, em entrevista para a imprensa, disse que ela é inexperiente e governa cercada por uma equipe de quinta categoria. Realmente, a gerentona pilota uma aliança que administra o país como se fosse um condado de escroques. E ela, que nunca foi acusada de corrupta, pode terminar sendo chamada de a Mayor of Crook County. Realmente, diante de tanta podridão, a presidente, mesmo honesta, nada mais é do que uma prefeita de um condado de escroques.
Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do tribunal de Ética da OAB/BA.










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