Gravação confirma que capitão do navio que naufragou na Toscana abandonou a embarcação durante o resgate

Conversa entre a Guarda Costeira e o capitão do navio Costa Concórdia, Francesco Schettino, que naufragou no fim de semana na região da Toscana, mostra que Schettino deixou a embarcação antes de retirar todos os passageiros do navio.

Segundo informações do obtidas pelo jornal italiano Corriere della Sera, quando o navio encalhou em frente à costa da Ilha de Giglio, o comandante assegurava às autoridades portuárias que estava tudo bem e que o navio tinha sofrido um problema técnico.

A Capitania perguntou a Schettino quantas pessoas continuavam a bordo do navio. O comandante respondeu que permaneciam a bordo entre 200 a 300 pessoas. Contudo, a capitania suspeitou da resposta e perguntou se ele ainda estava no navio. Schettino respondeu que o navio estava inclinado e que já havia deixado o navio. A Capitania ordenou que ele voltasse a bordo. O capitão teria tentado mudar sua versão inicial e disse aos responsáveis pela capitania ainda estar no navio, mas a capitania não acreditou na versão.

“Volte imediatamente a bordo, suba pelas escadas de emergência e coordene a evacuação. Deve comunicar quantas pessoas ainda estão a bordo: crianças, mulheres, passageiros, o número exato de cada grupo, é uma ordem, agora mando eu. Volte à proa e coordene o resgate porque existem mortos”, disse o responsável pela capitania.

Schettino havia dito que voltaria ao navio, mas não voltou. Testemunhas e a polícia disseram que o viram pegar um táxi em direção a um hotel.

O Ministério Público italiano pediu hoje a prorrogação do prazo de prisão de Schettino. O capitão foi interrogado hoje durante três horas e informou que era ele quem estava no camando do navio quando a embarcação bateu na rocha. Ele está preso desde sábado, quando foi acusado de homicídio múltiplo, naufrágio e abandono de navio. De acordo com o procurador Francesco Verusio, o depoimento do capitão não altera em nada as acusações já feitas.

Segundo o advogado do capitão, Bruno Leporatti, Schettino negou ter abandonado o navio e disse que salvou milhares de vidas.

Hoje, a guarda costeira italiana encontrou mais cinco corpos de vítimas do naufrágio do navio Costa Concórdia. Com esses, o número de mortos sobe para 11.

O navio Costa Concórdia levava mais de 4,2 mil passageiros, sendo 53 brasileiros. Mais de 20 pessoas estão desaparecidas, a maioria de origem alemã.

A empresa Costa Cruzeiros, proprietária do navio, acusou Schettino de fazer uma rota não autorizada, levando o navio a ficar mais próximo da costa do que deveria. Os passageiros que estavam no navio deram entrada em um processo judicial contra a empresa proprietária do navio.

Brasileiros que estavam em navio naufragado podem pedir reparação por danos morais e materiais

Os 57 brasileiros que estavam a bordo do navio Costa Concordia, que naufragou sexta-feira (13) na costa italiana e foram resgatados com vida, têm direito a indenização por danos morais e materiais, disse hoje o advogado Leonardo Amarante, especialista em Responsabilidade Civil e Direito do Consumidor. Até agora, foram resgatados 11 corpos. O navio transportava 4,2 mil pessoas.

Amarante explicou que a frustração pelas férias canceladas, o desespero e o sofrimento experimentados durante o naufrágio seriam justificativas para a ação por danos morais. Ele alertou que os que entrarem com ações de indenização precisam ter muito cuidado com possíveis situações de insolvência no Brasil, pois não se sabe se a empresa proprietária do navio tem patrimônio no país.

O advogado destacou que, embora não tenha havido vítimas entre os brasileiros, o caso de um ferimento, mesmo de menor gravidade, mas que tenha gerado despesa médica, pode justificar pedido de ressarcimento. Eles devem também ser indenizados pelo que pagaram no pacote turístico e pelas despesas feitas com a viagem à Itália onde pegaram o navio.

No cruzeiro, havia passageiros de mais de dez países e cada país tem um tratamento específico em relação à questão da reparação de danos, observou o advogado. “Na Áustria, por exemplo, não há indenização por dano moral, em um caso desses. Na Itália e no Brasil, sim. Mas é difícil estimar o montante das indenizações, por causa do conflito de jurisdições.” No caso dos que perderam parentes no naufrágio, a situação muda, porque a indenização é calculada com base na renda da vítima. Aí, a reparação moral também existe e “a indenização passa a ser bem maior”, explicou.

Advogado das famílias das 55 vítimas do naufrágio do Bateau Mouche 4, no Réveillon de 1988, no Rio de Janeiro, Amarante disse que a diferença entre aquele caso e o naufrágio na Itália é que, por trás da empresa Costa Cruzeiros, há um grupo de seguradoras que acabam facilitando o pagamento das indenizações.

“No caso do Bateau Mouche, não havia esse tipo de seguro e também havia responsabilidade da União. Isso causa um atraso tremendo no processo.”

O governo federal, por meio da Capitania dos Portos, foi considerado culpado no processo, mas 24 anos depois, apenas 30% das indenizações foram pagas aos parentes das vítimas, acrescentou. Segundo o laudo da perícia, o Bateau Mouche 4 levava 142 passageiros, mais que o dobro da lotação autorizada de 62 pessoas. Amarante tinha 28 anos à época, em que iniciou as ações indenizatórias referentes ao naufrágio.

Dois sócios majoritários da empresa Bateau Mouche Rio Turismo foram condenados pelo acidente e o terceiro, por sonegação fiscal decorrente das investigações. Os três fugiram do Brasil. Amarante continua tentando levar a leilão imóveis e participações societárias dos culpados pelo acidente, que estão bloqueados, para ressarcir as famílias, porque considera injusto que a União arque sozinha com todo o ônus.


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