Feira de Santana: ao som de músicas dos anos 60, Café Dramático faz leitura de clássico da dramaturgia

Apresentação do I Café Dramático no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, em Feira de Santana.
Apresentação do I Café Dramático no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira, em Feira de Santana.

A noite de valorização da dramaturgia brasileira teve início nesta quarta-feira (18/10/2017) no Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira (MAC Feira) ao som de músicas dos anos 60, que faziam alusão aos movimentos sociais e culturais como a Jovem Guarda, Tropicália, época em que a peça Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda, foi escrita.

A leitura dramática do clássico chamou atenção do público que ávido acompanhou até o fim a performance e o talento dos atores que mesmo sem cenário, nem figurino, conseguiam dar vida aos personagens. “É muito interessante. A nossa imaginação fica a mil acompanhando o desenrolar da história”, ressaltou Bruna Calixto, estudante de Letras.

A professora Vivian Maria Santos destacou a atualidade da temática. “Além da política, imperialismo, a peça fala do poder da mídia, da fabricação de ídolos, e o povo sendo massa de manobra, da desvalorização da mulher.  Muito pertinente.”

Para o cantor, Tanny Brasil, pela primeira vez no projeto Café Dramático, a sua participação como ator convidado foi uma experiência prazerosa que tem a ver com sua trajetória musical. “Já fiz alguns trabalhos teatrais, musicais como ‘Votei em homem seu e ganhei seu cemitério’. Achei genial a ideia de trabalhar esse texto de Chico Buarque, que tem muita música e temática bastante atual”, destacou.

O diretor do espetáculo, Arailton Públio, ressaltou a importância da obra como marco histórico da contracultura, inaugurando uma nova maneira de se fazer teatro onde atores e plateia interagem, quebrando paradigmas.

“Com essa peça, o teatro passa a ser uma arena de discussões. Roda Viva foi encenada, censurada e depois liberada durante a ditadura. Na estreia, ainda sob o regime militar, os atores foram agredidos porque o texto discutia algu

ns temas políticos da época. É um texto marcante na história do Brasil, nós quisemos fazer esse elo nesse momento político que a gente está vivendo com uma leitura dramática significativa”.

Estiveram também no elenco da leitura de Roda Viva, os atores Welber Oliveira (Anjo da Guarda), Cláudio Galizas (Mané) e Márcio Nunes (Capeta) e a atriz Lene Costa (Juliana). O projeto ainda faz mais duas leitura antes do final de 2017. Para 2018 estão programadas quatro apresentações, duas por semestre. Entre os autores que vão ter obras lidas estão Plínio Marcos, Antonio Bivar e Dias Gomes.


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