Não vou usar minha caneta, a não ser que obrigado, para demarcar mais áreas, diz extremista de direita Jair Bolsonaro; Presidente é contra Direito dos Povos Tradicionais

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Augusto Heleno, dupla de inapetentes que agride o Direito dos Povos Tradicionais.
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Augusto Heleno, dupla de inapetentes que agride o Direito dos Povos Tradicionais.

Em transmissão nas redes sociais nesta quinta-feira (29/08/2019), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a defender que não há anormalidade nas queimadas da Amazônia e que, se depender dele, novas demarcações de terras não serão feitas.

Presente na conversa, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse que demarcações já feitas devem ser revisadas, pois haveria “provas, denúncias” de que houve fraude em terras indígenas.

O presidente reiterou que “queremos legalizar garimpo”. Disse ainda que, “se o índio quer (garimpo), vamos atender interesse do índio”.

Bolsonaro ainda que o presidente da França, Emmanuel Macron, fez um escarcéu e o acusou de mentiroso na reunião do G7. “E depois duas coisas gravíssimas. Colocou em jogo a nossa soberania na Amazônia”. O presidente afirmou também que “o Brasil vale mais que US$ 20 milhões”, em referência ao recurso oferecido pelo G7 para conter a crise ambiental na floresta.

Bolsonaro disse que terá reunião em Letícia, na Colômbia, com países amazônicos para pensar em plano sobre desenvolvimento da floresta e soberania dos países que compartilham a região.

Ministro Heleno defende revisão de todas demarcações de terras indígenas

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, o general da reserva do Exército Augusto Heleno, defendeu nesta quinta-feira a revisão de todas as demarcações de terras indígenas, e alegou haver indícios de fraudes em várias delas.

Na transmissão feita semanalmente ao vivo nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro, Heleno disse que há denúncias de que a demarcação de algumas áreas foi feita com base em laudos forjados.

“Essas demarcações merecem ser todas revistas, uma vez que há provas, de dentro da própria Funai, denúncias de demarcações fraudulentas para terras indígenas. Tem demarcações que foram forjadas, muito aumentada na sua extensão por gente interessada em lucrar com isso. Então isso precisa ser muito bem estudado”, disse o ministro, sentado do lado de Bolsonaro, durante a transmissão.

Sem dar detalhes, ele citou a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, como um caso em que, segundo ele, ficou “praticamente comprovado” que a demarcação se baseou em um laudo fraudulento.

“Essas terras precisam ser devidamente demarcadas de acordo com a realidade. E a partir daí, vamos pensar se vale a pena”, acrescentou o general, que disse que tem recebido no Palácio do Planalto indígenas que têm pedido para serem integrados na sociedade brasileira.

Na transmissão, Bolsonaro voltou a afirmar que não assinará a demarcação de nenhuma nova área indígena. O presidente aproveitou reunião com governadores da região amazônica nesta semana, marcada para discutir os incêndios florestais na Amazônia que geraram forte pressão internacional sobre o Brasil, para criticar as demarcações de áreas indígenas, quilombolas e de reservas florestais.

Assim como fez durante a reunião, Bolsonaro voltou a afirmar durante a transmissão que as demarcações dessas áreas visam inviabilizar o Brasil.

*Com informações de Mateus Vargas, do Broadcast de Política do Estadão e de Eduardo Simões, da Agência Reuters.


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