Nos últimos 20 anos, a qualidade das obras públicas em Feira de Santana tem sido alvo de críticas constantes. Reportagens, como a publicada em 2007 pelo Jornal Grande Bahia (JGB), já denunciavam a execução de projetos com baixa qualidade técnica pela prefeitura. Nesta sexta-feira (20/11/2020), a situação voltou a chamar atenção quando veículos afundaram em pontos de drenagem pluvial no centro da cidade, em obras realizadas nos últimos 30 dias pelo governo Colbert Martins. Esse incidente evidencia a continuidade de práticas que comprometem a qualidade construtiva e arquitetônica das obras públicas no município.
Histórico de Problemas na Qualidade das Obras
A crítica à qualidade das obras públicas em Feira de Santana não é recente. Ao longo das últimas duas décadas, diversas gestões municipais foram acusadas de realizar obras que, em pouco tempo, demonstram falhas estruturais. A falta de fiscalização adequada, somada à utilização de materiais de baixa qualidade e à não observância das normas técnicas de construção civil, são apontadas como causas primárias dessas deficiências.
Em 2007, o JGB já destacava esses problemas em uma reportagem que denunciava a baixa qualidade técnica das obras executadas pela prefeitura. O jornal apontava que a falta de um rigoroso acompanhamento técnico resultava em construções que, além de não atenderem aos padrões mínimos de qualidade, apresentavam riscos à segurança da população. O tempo passou, e os problemas permaneceram, agora sob a administração do prefeito Colbert Martins.
Erros Técnicos e Falhas na Execução
As falhas nas obras públicas em Feira de Santana seguem um padrão repetitivo. Entre os principais erros identificados estão a elaboração de projetos arquitetônicos com baixa qualidade técnica, o uso de materiais inadequados ou de qualidade inferior, a falta de conformidade com as normas técnicas da construção civil, o desrespeito aos direitos trabalhistas dos operários e a ausência de uma fiscalização efetiva.
No caso específico das recentes obras de drenagem realizadas no centro da cidade, fontes do JGB informaram que a empresa responsável não procedeu à estabilização adequada do solo argiloso antes de instalar as manilhas de concreto nas valetas abertas para o sistema de drenagem. Essa negligência técnica resulta em problemas graves, como a instabilidade do solo e a consequente deterioração precoce da obra.
Normas Técnicas Ignoradas
O JGB teve acesso ao Caderno de Encargos SUDECAP (Superintendência de Desenvolvimento da Capital), utilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, que detalha as técnicas apropriadas para a execução de sistemas de drenagem urbana. O manual, que serve como referência para a execução correta de obras de drenagem, especifica que, para a instalação de manilhas com diâmetros entre 450 mm e 1200 mm, é necessário escavar a valeta, aplicar uma base cimentada estável e recobrir o solo com materiais apropriados, como diferentes tipos de brita, antes da colocação das manilhas. Após a instalação, o preenchimento lateral, inicial e final deve ser compactado com equipamentos específicos, como compactadores manuais, placas vibratórias de superfície ou rolos vibratórios, para garantir a estabilidade do solo.
Apesar dessas diretrizes claras, a fonte revela que na obra realizada em Feira de Santana, apenas dois dos procedimentos recomendados foram seguidos: a abertura da valeta e a instalação das manilhas, que posteriormente foram recobertas com o mesmo solo retirado durante a escavação. Essa prática negligente compromete a durabilidade da obra e coloca em risco a segurança da infraestrutura urbana.
A Gravidade das Denúncias
As denúncias sobre a má execução das obras de drenagem são particularmente graves. Segundo a fonte, a empresa de engenharia contratada pelo governo Colbert Martins tem a responsabilidade de fiscalizar e auditar a execução da obra, garantindo que todas as normas técnicas sejam seguidas à risca. Entretanto, a mesma fonte expressa ceticismo quanto à possibilidade de um relatório de conformidade ser produzido, dado que as normas técnicas aparentemente não foram observadas.
“A fiscalização deveria ser rigorosa e transparente, com a apresentação de um relatório detalhado que incluísse imagens e provas documentais da aplicação correta das técnicas de construção”, afirma a fonte. “Mas, considerando o histórico da gestão, é improvável que isso aconteça.”
Essa preocupação se agrava diante da possibilidade de que a negligência na execução de obras de drenagem seja uma prática recorrente em Feira de Santana. A fonte alega que o padrão de descaso técnico observado nessa obra específica pode ser representativo de um modus operandi mais amplo nas gestões municipais.
Justificativas e Contestação
Em uma tentativa de justificar os problemas observados, Ubaldo Rocha, diretor técnico da BSN, empresa responsável pela obra de drenagem, afirmou durante uma coletiva de imprensa que a intensidade das chuvas que ocorreram na madrugada causou alagamentos e desmoronamentos em alguns pontos da obra, visto que o sistema de drenagem ainda não estava completamente conectado e a obra não havia sido concluída. Rocha sugeriu que esses fatores externos, aliados à incompletude do projeto, contribuíram para os problemas verificados.
Contudo, a fonte que denunciou as falhas contesta essa justificativa. “As falhas na execução do projeto são evidentes e independem das condições climáticas”, afirmou. “É necessário comprovar que foram aplicadas as normas técnicas exigidas para a execução da drenagem, o que não parece ter ocorrido.”
Outras Obras Problemáticas
A fonte também destacou outros exemplos de obras públicas que apresentaram problemas devido à baixa qualidade técnica. Entre eles, a implantação de meio-fio no circuito do sistema de transporte público de massa tipo BRT e a pavimentação asfáltica de trechos da Avenida Getúlio Vargas. Esses exemplos reforçam a crítica de que há uma “anticultura” de uso adequado das técnicas de arquitetura e engenharia nas gestões de José Ronaldo (DEM) e Colbert Martins (MDB).
“Existe uma resistência em seguir as melhores práticas de construção civil, o que resulta em obras que, embora possam parecer satisfatórias à primeira vista, rapidamente revelam falhas estruturais e demandam constantes reparos”, concluiu a fonte.
Impactos para a População
Os problemas nas obras públicas em Feira de Santana têm consequências diretas para a população. A baixa qualidade das infraestruturas compromete a mobilidade urbana, aumenta os riscos de acidentes e gera custos adicionais para o município com reparos frequentes. Além disso, a sensação de insegurança e desconfiança na capacidade do governo de realizar obras duradouras e seguras é crescente entre os moradores.
As recorrentes falhas nas obras públicas também afetam a imagem da administração municipal, colocando em xeque a capacidade de gestão e planejamento das sucessivas gestões. Para muitos, a falta de uma fiscalização rigorosa e a negligência técnica são reflexos de um sistema que privilegia a execução rápida de obras em detrimento da qualidade e da segurança a longo prazo.
Problemas estruturais na gestão municipal
A crítica à qualidade das obras públicas em Feira de Santana é um reflexo de problemas estruturais na gestão municipal que se perpetuam ao longo dos anos. A falta de fiscalização rigorosa, a baixa qualidade dos materiais utilizados e a não observância das normas técnicas de construção civil resultam em obras que não atendem aos padrões mínimos de segurança e durabilidade. A população, por sua vez, sofre as consequências de uma infraestrutura deficiente, que compromete a qualidade de vida e a confiança na administração pública.
Enquanto não houver uma mudança significativa na cultura de gestão das obras públicas no município, é provável que os problemas continuem a ocorrer, perpetuando um ciclo de construção e reconstrução que onera os cofres públicos e penaliza os cidadãos.
*Em 2007, o Jornal Grande Bahia (JGB) publicou a reportagem ‘Obras com baixa qualidade técnica são executadas pela Prefeitura de Feira de Santana’
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Falta de cumprimento das normas técnicas de construção civil provocou colapso da estrutura de drenagem do centro da cidade de Feira de Santana, denuncia fonte do JGB.

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Obras com baixa qualidade técnica são executadas pela Prefeitura de Feira de Santana









