Trump depois de Trump | Por Luiz Holanda  

Recente pesquisa feita pela Brand Keys, empresa de análises de opinião publica americana, o futuro de Trump pode estar na televisão. Depois do sucesso do reality show “The Apprentice”, lançado em 2004, Trump ficou conhecido nacionalmente. Foram 15 temporadas de sucesso, que além de lhe render milhões de dólares, deu origem ao spin off “The Celebrity Apprentice”.

O sucesso foi tão grande que Trump quis realizar o sonho de fundar a Trump Network, que seria um canal de televisão voltado para os seus objetivos políticos. Só não o fez porque resolveu entrar na politica candidatando-se á presidência dos Estados Unidos.

Sem dúvida que a televisão o ajudou a se eleger. Dotado de um temperamento forte, seu governo teve altos e baixos. Quando assumiu a presidência, em janeiro de 2017, a economia estava saudável. O programa econômico de Barack Obama estava dando certo. Durante 76 meses foram criados milhares de empregos, a mais longa temporada de contratações já registrada na época, com desemprego de apenas 4,7%.

No geral, o Produto Interno Bruto (PIB) estava crescendo cerca de 2,5% ao ano, considerada uma taxa bastante modesta para a maior economia do mundo. Ao fim do mandato, mesmo perdendo as eleições, Trump foi o republicano que mais teve votos em todas as eleições americanas. Foram 77 milhões de votos, o que o torna o candidato natural do partido republicano nas próximas eleições presidenciais.

Não fora o fiasco da quarta-feira negra, que ocorreu depois de ele incentivar seus seguidores a invadir o Congresso a fim de evitar a certificação da vitória do democrata Joe Biden, Trump ia deixar o governo com um grande capital político. Isso encorajou a reação de republicanos como os senadores Mitch McConnell e Lindsey Graham, que durante anos fizeram malabarismos para não o confrontar Trump.

No início do seu mandato a economia cresceu, mas no final, com a pandemia, a perda de empregos chegou à casa dos 15%. Antes, um mercado de trabalho forte ajudou a aumentar a renda, pois mais pessoas começaram a trabalhar em tempo integral durante todo o ano. Em de 20 estados o salário mínimo foi aumentado, proporcionando maiores recursos aos trabalhadores de baixa renda.

O descaso de Trump com a pandemia deverá ser registrado quando os dados de 2020 forem publicados. Os cheques de estímulo de US$ 1.200 e um aumento temporário de US$ 600 em benefícios semanais ajudaram muitas famílias, mas os que perderam negócios  continuam em dificuldades, além dos desempregado lutando para sobreviver.

Agora Trump teve seu segundo impeachment aprovado pela Câmara. O passo seguinte é a remessa do processo para o Senado. Este, que está em recesso, deverá arquivá-lo ou submetê-lo a julgamento. Trump se tornou o primeiro presidente na história americana a sofrer impeachment por duas vezes.

Até o presente momento, três presidentes americanos sofreram impeachment, mas nenhum jamais foi julgado pelo Senado após deixar o cargo. Tanto o de Trump como os dos ex-presidentes Andrew Johnson (em 1868) e Bill Clinton (1988/89) ocorreram enquanto eles ainda estavam na Casa Branca.

Não existem precedentes de julgamento por impeachment de ex-presidentes americanos depois de deixarem o poder,  mas o Senado já julgou ex-senadores e juízes depois que eles não estavam mais em seus cargos. Uma maioria de dois terços dos senadores presentes decidirá o destino de Trump, o que significa que os democratas vão precisar de 17 senadores republicanos para que haja a condenação. Além do impeachment, o Senado pode votar para impedí-lo de concorrer novamente a um cargo público federal, principalmente a presidência em 2024. Para tanto, a votação, nesse caso, srá por maioria simples.

Enquanto isso, Trump vem mantendo contato com os canais de notícias americanos “OAN” e “Newsmax – ambos ultraconservadores-, visando eventuais parcerias  logo que ele deixe a Casa Branca. Trump não é de abandonar a luta. Com toda certeza vai sair atirando, até porque, se assim não o fizer, vão dizer que ele está com medo dos processos que certamente virão. Até que Biden tome posse, vacine o povo americano contra o coronavírus e arrume a casa, muita coisa pode acontecer. Vamos esperar para ver.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner do Governo da Bahia: Campanha Ações Bahia Projetos Institucionais 0526.
Banner da CMFS: Campanha de abril de 2026 2.
Banner do INSV 20260303.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading