Devolução de obras de arte aos países de origem é tema de encontro internacional sobre proteção de museus

Sarcófagos egípcios no Museu do Louvre em Paris. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Sarcófagos egípcios no Museu do Louvre em Paris. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) – Jornal Grande Bahia)

A devolução de obras de arte aos países de onde as peças são originárias é um dos temas do encontro internacional sobre proteção e promoção de museus e coleções, que começou ontem (11) no Rio. O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e se estende até sexta-feira (13/07/2012).

A repatriação de peças de arte é assunto frequente entre museólogos de todo mundo, principalmente entre os de países colonizados, que possuem obras importantes expostas no exterior. É o caso do México e da Guatemala, que têm peças indígenas de ouro e de prata sendo agora devolvidas pelos Estados Unidos, disse o coordenador de Patrimônio Museológico do Ibram, Cícero Almeida.

“A repatriação é uma questão que tem que ser analisada caso a caso, mas nós somos a favor”, afirmou Almeida. “É preciso levar em conta que países colonizados já têm condições de cuidar de suas peças e a repatriação tem o lado positivo de estimular a sociedade a reconhecer sua produção, embora, de outro, esbarre no campo jurídico, do direito do museu que tem a peça há anos de ficar com ela”.

No caso do Brasil, o coordenador do Ibram revela que há interesse de resgatar o Manto Tupinambá, que está no Museu Nacional de Arte da Dinamarca. A peça, de cerca de 1,2 metro, foi confeccionada com fibras naturais e penas vermelhas do pássaro guará para rituais religiosos indígenas. Estudos apontam que foi retirada do Brasil no século 17.

Por outo lado, o Brasil avalia a devolução ao Paraguai do canhão El Cristiano. Símbolo da Guerra do Paraguai, no século 19, a peça, feita com sinos de igrejas do pais vizinho representa “uma conquista de uma guerra”.

“De um lado, há um desejo do Museu Histórico Nacional de permanecer com a peça, a manifestação de autoridades militares que relacionam o canhão ao sacrifício dos brasileiros. Por outro, o desejo do governo do Paraguai de reaver a peça”, disse Almeida.

O coordenador do Ibram não deu detalhes sobre como o governo brasileiro resolverá o impasse.


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