Cautela, sim! Paranoia, não! | Por Joaci Góes

Para as queridas amigas Luci Barreto e Gillária Araújo!

Ainda sofrendo uma elevada e acabrunhante média diária de mais de duzentas mortes por Covid, o Brasil vê-se novamente assoberbado pelo alerta universal derivado da emergência da cepa Ômicron, mundo afora, cujo potencial destrutivo pode ser avaliado pela necessidade de renovação das medidas acautelatórias que não impediram a perda já consumada de milhões de vidas, mais de seiscentas mil das quais em território brasileiro.

A boa notícia é que a experiência que acumulamos ao longo da convivência com a Covid 19 pode ser de excepcional valia para não repetirmos, com a Ômicron, os erros que no Brasil foram agravados pela excessiva politização de tudo, no pior sentido da expressão. Espera-se que a reação técnico-científica à nova cepa seja mais rápida e eficaz do que a oferecida à Covid 19, até por dela resultar.

Enquanto nações e instituições científicas se associam na busca de mais conhecimento sobre essa nova ameaça (a Pfizer acredita que chegará a uma vacina em menos de cem dias, ao tempo em que a Universidade de Oxford não descarta a possibilidade de que as vacinas já existentes sejam eficazes contra a nova cepa), parece de elementar prudência a suspensão dos festejos de virada do ano, por sua excessiva proximidade temporal, devendo o carnaval passar por semelhante restrição, com alguma possibilidade, mesmo que remota, de uma desejada liberação por dispor de um horizonte de três meses, o triplo do tempo para a festa de réveillon. As atividades laborais e acadêmicas, porém, de relevância central para a vida dos povos, podem e devem ser desempenhadas em completa intensidade, desde que respeitadas as conhecidas restrições de distanciamento social e uso de máscara, limitados os encontros a grupos pouco numerosos e atentos à importância das cautelas. Indispensável enfatizar a necessária vigilância sobre os que atravessam nossas fronteiras, a exemplo do que fazem as nações maduras. Os negacionistas que se recusarem a tomar a vacina devem ser mantidos em quarentena até que a peste se extinga. Seu é o sagrado direito de correr riscos, desde que não envolvam terceiros.

Pelos inegáveis benefícios proporcionados aos mais pobres, a criação do Auxílio Brasil, com o dobro do valor do bolsa-família, acompanhado da neutralização dos efeitos negativos da súbita elevação nos preços do botijão de gás, será reconhecida como de excepcional oportunidade, no plano da justiça social. As pequenas e médias cidades sentirão os efeitos positivos desse aumento de recursos que serão, majoritariamente, destinados à aquisição de gêneros de primeira necessidade, com predominância da pauta alimentar. Com a melhoria da dieta, virá sensível redução de gastos com saúde pública e diminuição das taxas de crimes gestados pela penúria.  A queda no terceiro trimestre de 2021, de mais de 15 milhões para 13,5 milhões de desempregados, no Brasil, segundo o IBGE, foi uma alvissareira e inesperada notícia.

Na improvável hipótese de que venhamos a ter uma prorrogação do mau tempo sanitário que há 20 meses aflige a humanidade, estaremos mais bem equipados para enfrentá-lo, sem graves consequências de ordem geral, particularmente no campo econômico. É verdade que muita gente fez dos diferentes cenários construídos pela pandemia verdadeiros casos (cases) de sucesso afetivo, político, intelectual e econômico, por terem sabido converter os problemas ou as crises em oportunidades. Se advier a Ômicron, essas experiências se renovarão.

A palavra de ordem, portanto, é: Cautela, sim! Paranoia, não!

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.


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