O negacionismo na História 1 | Por Joaci Góes

Ao prezado amigo Júlio César Neves!

Apesar de ter a idade da ignorância e do histórico e voluntário desvio do poder, para fins de dominação, só agora a palavra negacionismo que os nomeia ganhou as ruas do Brasil, a partir da irracional resistência de alguns em aceitar gritantes evidências científicas, no trato com a Covid 19. Negacionismo significa, portanto, resistência a verdades cientificamente comprovadas.

A antiguidade da prática é tamanha que historiadores já identificaram alterações na história do Egito que Ramsés II, O Grande, mandou fazer, transferindo várias realizações de seus antecessores para o seu longo período de 66 anos de governo, entre 1279 a 1213 a. C. Parte, portanto, dos seus feitos decorre dessas falsificações. Enchem muitos livros procedimentos do mesmo jaez mundo afora, a ponto de constituir um novo campo da moderna historiografia.

Entre todos os casos notáveis, o de mais gritante e condenável negacionismo é o que pretende desconhecer o brutal e reiterado genocídio praticado por todos os regimes comunistas, começando por Joseph Stalin, na Rússia, passando por Mao Tsé-Tung, na China, Tito na Iugoslávia, Pol Pot no Camboja, Mengistu Haile Mariam, na Etiópia, Enver Halil Hoxha, na Albânia, os Castros em Cuba e Kim Jong-un, na Coreia do Norte, como destacou a jornalista e historiadora norteamericana Anne Applebaum que integrou as equipes de The Economist e do Washington Post.

Para a historiadora francesa Françoise Thom, especialista em história da União Soviética, a tragédia do Comunismo consiste na guerra que trava contra a natureza humana para criar um “Novo Homem”, no que se iguala ao Nazi-Fascismo. A falsa ciência em que ambos se apoiam é destituída da mínima consistência; o comunismo por recorrer a uma falsa biologia, o nazi-fascismo a uma sociologia, igualmente, falsa. Avultado número de acadêmicos, mundo afora, aponta o comunismo como uma forja insuperável de brutais genocídios. Basta dizer que 59 milhões de assassinados na Rússia comunista e 68 milhões na China, são números consensuais. A Folha de São Paulo de anteontem, 07/12, saiu com a seguinte manchete: “Cuba, a mais letal das ditaduras americanas”. Com 65 pessoas executadas, por cem mil habitantes, contra 0,3 no regime militar brasileiro, a ditadura comunista cubana é duzentas vezes mais violenta do que foi o regime militar de 1964.

O filósofo canadense-americano Stephen R. C. Hicks(1960- ), professor da Rockford University, disse que, sem exceção, todos os governos socialistas atingiram patamares de violência superiores aos concebidos pelas mais audaciosas obras de ficção. O historiador americano, nascido em Porto Rico, John M. Thompson(1926-2017), especialista em história moderna e diplomática da Rússia, concluiu que a brutalidade de Stalin afetou a estrutura étnica da União Soviética. O professor de história, Amir Weiner (1961- ), da Columbia University, especialista em regimes totalitários e violência  moderna, diz que a praticada pela KGB promovia limpeza étnica. Em Century of Genocide, o professor Lyman H. Legters(1928- ) escreve que “não podemos nos referir ao genocídio como uma experiência concluída, mas a um comportamento genocida em sua potencialidade”. Daniel Goldhagen(1959- ) professor da Universidade de Harvard, sustenta que os regimes comunistas, em menos de um século, mataram mais pessoas do que outro regime qualquer, ao longo de sua vigência, no espaço e no tempo.

O historiador holandês Frank Dikötter(1959- ), professor da Universidade de Londres e de Hong Kong, especialista em China moderna, diz que “a coação, o terror e a violência sistêmica compuseram a estrutura fundamental do Grande Salto Adiante, conduzindo a um dos maiores assassinatos em massa da história”. Suas pesquisas o convenceram da morte de 45 milhões de pessoas, e que, “na maioria dos casos, o Partido sabia que estava matando de fome seu próprio povo”. Segundo ele, Mao Tsé-Tung, numa reunião secreta em Xangai, em 1959, ordenou o confisco de um terço de toda a produção de grãos, justificando a medida com o seguinte raciocínio: “Quando a comida escasseia, muita gente morre de fome. É preferível, então, que metade das pessoas morra para a outra metade sobreviver”. Além das que morreram de fome, mais dois e meio milhões de pessoas foram sumariamente executadas ou torturadas, segundo Frank Dikötter.

Continuamos na próxima semana.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.


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