Fim da CPMF põe pressão sobre finanças brasileiras

Para o Financial Times, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu um “duro revés” no Senado ao não conseguir aprovar a prorrogação do imposto sobre transações financeiras.

Segundo o jornal, analistas dizem que “as dificuldades fiscais provocadas pela perda da CPMF poderão retardar uma aguardada decisão das agências de avaliação de risco para elevar o Brasil ao grau de investimento, abrindo os ativos do país aos grandes investidores institucionais e, em teoria, ajudando a estimular o crescimento ao aumentar a disponibilidade de crédito barato para financiar a produção”.

A reportagem comenta que a aprovação da emenda para prorrogar a CPMF “era o principal item da agenda legislativa do governo neste ano” e que o governo esperava arrecadar R$ 40 bilhões com o imposto no ano que vem.

Queda nas receitas

O jornal relata que o governo conseguiu apenas 45 dos 49 votos de que necessitava para aprovar a prorrogação.

“Sua derrota vai provocar uma queda significativa nas receitas a partir do fim do mês, quando o imposto expira”, diz o texto.

A reportagem comenta que o governo deve tentar reintroduzir o imposto, criado originalmente em 1994, no próximo ano.

O jornal relata que o principal argumento da oposição contra a prorrogação da CPMF era o de que a arrecadação de impostos já cresceu bastante no último ano, eliminando a justificativa da necessidade de recursos, e que a manutenção do imposto sobre as transações financeiras somente estimularia o aumento dos gastos públicos.

“A carga tributária brasileira, de cerca de 36% do PIB, é mais alta do que a de alguns países desenvolvidos, mas a qualidade dos serviços públicos, especialmente educação, saúde e infraestrutura, é mais baixa do que a de muitos países emergentes”, diz o Financial Times.

Falhas de gerenciamento

Para a reportagem, a derrota do governo “expõe sérias falhas de gerenciamento dos líderes do governo no Congresso que vêm emperrando a agenda legislativa por grande parte do ano”.

“Desde maio, o Senado tem ficado praticamente paralisado por uma série de escândalos envolvendo Ranan Calheiros, o ex-presidente do Senado que renunciou na semana passada após enfrentar meses de pressão”, relata o texto.

Para o jornal, “a incapacidade do governo de gerenciar o caso Calheiros ajudou a unificar a fragmentada oposição e contribuiu para sua derrota”.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading