A restauração do Restaurante Carro de Boi e da Boate Jerimum, equipamentos que integram o Complexo Cultural Carro de Boi, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana, foi anunciada após visita técnica realizada na sexta-feira (25/07/2008) pelo secretário estadual de Cultura, Márcio Meireles, pelo diretor da Superintendência de Construções Administrativas da Bahia (Sucab), Luiz Alberto Carneiro, e pelo reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), José Carlos Barreto. A intervenção, prevista para ser iniciada até o final de 2008, busca recuperar uma área de relevante valor cultural, gastronômico e simbólico para o município.
As obras de restauração serão custeadas com recursos destinados à UEFS por meio de emenda parlamentar federal, no valor de R$ 800 mil. A esse montante será acrescida uma contrapartida de 20%, equivalente a R$ 160 mil, a ser repassada pela Secretaria de Cultura da Bahia.
De acordo com o reitor José Carlos Barreto, a liberação dos recursos dependerá da apresentação do projeto de reforma. O documento será elaborado pela Sucab e encaminhado ao Ministério da Cultura, etapa necessária para viabilizar formalmente a aplicação dos recursos públicos.
A previsão inicial é que a intervenção ocorra de forma planejada e por etapas. Antes da execução das obras, será definido o programa de ocupação do espaço, elemento considerado essencial para orientar o projeto básico, o projeto executivo e, posteriormente, o processo de licitação.
Estado de degradação da estrutura preocupa técnicos
Durante a visita ao Centro de Cultura Amélio Amorim, o diretor da Sucab, Luiz Alberto Carneiro, afirmou ter ficado preocupado com o estado de degradação da área a ser contemplada pela reforma. A avaliação técnica indicou a necessidade de uma intervenção criteriosa, capaz de recuperar a estrutura física sem descaracterizar a função cultural do equipamento.
A restauração deverá abranger o antigo restaurante e a boate, espaços que, no passado, integraram a dinâmica de lazer, convivência e produção cultural do complexo. A retomada desses ambientes representa uma tentativa de reativar áreas que perderam funcionalidade em razão do desgaste físico e da falta de manutenção adequada.
Segundo as informações apresentadas durante a visita, a reforma não será limitada à recuperação predial. A intenção é reorganizar o uso do espaço, vinculando a restauração arquitetônica a uma proposta cultural mais ampla e compatível com a vocação do Centro de Cultura Amélio Amorim.
Restaurante deve valorizar culinária sertaneja e uso cultural multiuso
O secretário estadual de Cultura, Márcio Meireles, destacou que o Centro de Cultura Amélio Amorim exige intervenções cuidadosas por se tratar de um complexo cultural. Para ele, qualquer obra no local deve considerar não apenas a recuperação física, mas também a função pública, artística e comunitária do equipamento.
Um dos pontos centrais do projeto é transformar o antigo Restaurante Carro de Boi em uma referência da culinária sertaneja, preservando a identidade regional de Feira de Santana e do interior baiano. A proposta também prevê que o espaço funcione como ambiente cultural multiuso, apto a receber atividades artísticas, encontros, apresentações e iniciativas de valorização da cultura popular.
A concepção defendida pelo secretário indica que a restauração deve ultrapassar a lógica de simples reabertura comercial. O objetivo é recuperar o sentido cultural do equipamento, articulando gastronomia, memória, lazer e produção artística em um espaço com potencial de integração entre artistas, público e instituições.
Complexo Cultural Carro de Boi integra a memória cultural de Feira de Santana
O Complexo Cultural Carro de Boi faz parte da estrutura do Centro de Cultura Amélio Amorim, equipamento cultural de referência em Feira de Santana. A área reúne espaços que, historicamente, contribuíram para a vida cultural da cidade, especialmente por sua ligação com manifestações artísticas, convivência social e valorização de elementos associados ao sertão baiano.
A presença do Restaurante Carro de Boi e da Boate Jerimum no complexo reforça a dimensão multifuncional do equipamento. Mais do que espaços de alimentação e entretenimento, os ambientes representam parte de uma concepção de centro cultural voltado à circulação de pessoas, ideias, linguagens artísticas e práticas culturais regionais.
A reforma anunciada, portanto, possui alcance superior à recuperação de uma estrutura degradada. Ela se insere em uma agenda de preservação da memória urbana e cultural de Feira de Santana, município que ocupa posição estratégica no interior da Bahia e mantém tradição de forte dinamismo cultural.
Etapas previstas para viabilização da obra
A execução da reforma dependerá de uma sequência administrativa e técnica. Conforme informado durante a visita, o primeiro passo será a definição do programa de ocupação da área, etapa que servirá de base para a elaboração do projeto básico.
Em seguida, a Sucab deverá desenvolver o projeto executivo, com detalhamento das intervenções necessárias. Somente após essa fase será possível iniciar o processo de licitação, procedimento obrigatório para contratação das obras com recursos públicos.
Esse rito administrativo é relevante porque permite maior controle sobre o uso dos recursos, definição mais precisa do escopo da intervenção e adequação da obra às necessidades culturais do equipamento. Também reduz o risco de improvisações que poderiam comprometer a funcionalidade futura do espaço.
Participação institucional envolve Cultura, UEFS e Sucab
A presença conjunta da Secretaria de Cultura da Bahia, da Sucab e da UEFS demonstra que a reforma do Complexo Cultural Carro de Boi depende de articulação institucional. Cada órgão terá papel específico no processo de viabilização da obra.
A UEFS, responsável pela gestão do Centro de Cultura Amélio Amorim naquele período, aparece como instituição beneficiária dos recursos federais. A Secretaria de Cultura da Bahia participa com contrapartida financeira e diretriz cultural. Já a Sucab assume a função técnica relacionada à elaboração do projeto e ao acompanhamento das etapas de engenharia.
Essa combinação de responsabilidades evidencia a natureza pública e interinstitucional da intervenção. O êxito da reforma dependerá da capacidade de alinhar planejamento técnico, gestão cultural e execução administrativa.









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