Deputado federal Emiliano José (PT-BA) pede punição para militares torturadores | Por Oldack Miranda

Deu no jornal A Tarde (22/06/09): “Emiliano José cobra punição para militares torturadores”. A matéria é assinada pela jornalista (diplomada) Patrícia França. Segundo o deputado federal (PT-BA) e ex-preso político, não basta identificar os mortos da Guerrilha do Araguaia. “É preciso punição aos torturadores por este crime que é imprescritível”. Ele também ressaltou: “Esta é uma prova de que a ditadura no Brasil foi muito mais assassina do que sempre se apresentou”.

As declarações do deputado Emiliano José (PT-BA) foram feitas a propósito das revelações confessadas pelo Major Sebastião “Curió” Rodrigues de Moura, oficial das Forças Armadas que abriu seu arquivo pessoal sobre a Guerrilha do Araguaia para a imprensa. Dos 67 guerrilheiros mortos durante o conflito, 41 foram presos vivos, amarrados e assassinados “quando não ofereciam mais risco à tropa”. Até a confissão do Major Curió, eram conhecidos 25 casos de execução sumária, agora foram acrescentados mais 16 casos.

O parlamentar petista acrescentou que não se trata de revanchismo, mas de justiça: “Jobim (ministro Nelson Jobim) está equivocado. Tortura é atentado contra os Direitos Humanos, portanto, um crime passível de julgamento e punição”. Para Emiliano José, ex-preso político nos anos 70, “não se pode mais esperar para descobrir o total de mortos pelas Forças Armadas e desvendar o terror que a ditadura impôs nos anos de chumbo”.

LEIA NA ÍNTEGRA

Emiliano José cobra punição para militares torturadores
A Tarde – Patrícia França – 22/06/2009 – Página B1

“Esta é uma prova de que a ditadura no Brasil foi muito mais assassina do que sempre se apresentou”. A conclusão, em torm de indignação, é do deputado federal e jornalista Emiliano José (PT), ao comentar as revelações feitas pelo major Curió de que, pelos seus arquivos pessoais, o número de vítimas executadas na Guerrilha do Araguaia pelas forças militares é quase o dobro do que então se conhecia. O parlamentar diz que não basta identificar os mortos. “É preciso punição para os torturadores, porque este crime é imprescritível”.

Para o parlamentar, ex-integrante da Ação Popular, preso no início da década de 70, aos 24 anos, na Bahia – onde passou quatro anos na Penitenciária Lemos Brito, ao lado dos comunistas Haroldo Lima e Teodomiro Romeiro dos Santos -, não se pode mais esperar para descobrir o total de mortos pelas forças armadas e desvendar o terror que a ditadura impôs nos anos de chumbo”.

Na Bahia, a estimativa do Grupo Tortura Nunca Mais, presidido por Diva Santana, irmã da guerrilheira Dinaelza Santana Coqueiro, é de que dez guerrilheiros baianos tombaram no Araguaia, incluindo o líder Maurício Grabois. A Tarde não conseguiu localizar Diva ontem, mas a luta da entidade visa, além de localizar e identificar os mortos da guerrilha, a cobrar da União indenizações e pensões às famílias dos desaparecidos.

DIREITOS HUMANOS – Com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em determinar, este ano, a abertura dos arquivos da ditadura no país, e centralizar toda a documentação no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, Emiliano José acha que o próximo passo é levar a julgamento quem praticou a tortura.

A medida encontra resistência em setores do próprio governo, como o ministro da Defesa Nelson Jobim, para quem a Lei da Anistia se estenderia aos torturadores. “Jobim está equivocado. Tortura é atentado contra os Direitos Humanos, portanto, crime passível de julgamento e punição”, entende o petista.


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