A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criticou, nesta quarta-feira (30/12/2009), a reação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, à criação da Comissão da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos. A entidade considera que as manifestações contrárias do ministro e de comandantes militares configuram uma tentativa de impedir o avanço na investigação de violações de direitos durante a Ditadura Militar (1964-1985).
Posicionamento da OAB
O presidente da OAB, Cezar Britto, afirmou que “Anistia não é amnésia” e defendeu a necessidade de examinar o passado para evitar repetições de episódios semelhantes no futuro. Segundo ele, “o Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade”. Britto ressaltou que a história precisa ser conhecida para que erros sejam corrigidos e a democracia seja fortalecida.
A OAB tem atuado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal Militar (STM) na defesa da abertura de arquivos da Ditadura Militar e na punição de agentes responsáveis por torturas e desaparecimentos. Para a entidade, a criação da Comissão da Verdade representa um passo essencial na elucidação de episódios ainda obscuros da história nacional.
Divergência entre ministros
A proposta de criação da comissão gerou um impasse entre os ministros Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, e Nelson Jobim, da Defesa. Para Jobim e setores militares, a iniciativa poderia abrir caminho para a revogação da Lei de Anistia de 1979, o que traria impactos legais para oficiais que atuaram no período da Ditadura.
A posição da Defesa contrasta com o entendimento de setores de direitos humanos, que veem na Comissão da Verdade um instrumento essencial para garantir direito à memória e à justiça, conforme previsto na Constituição Federal.
Reação do governo
Diante da polêmica, o Ministério da Defesa e a Secretaria de Direitos Humanos informaram que os ministros não emitiriam declarações adicionais sobre o tema e que não haveria divulgação de notas oficiais. A falta de um posicionamento mais detalhado sugere que o governo busca uma solução negociada para evitar novos atritos entre os diferentes setores envolvidos no debate.
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




