Deputado Fernando de Fabinho: ”nunca expressei publicamente, mas por diversas vezes tive vontade de me desvincular do Democratas”

Durante entrevista recentemente realizada em Feira de Santana, pelo comunicador e âncora do programa Jornal da Manhã (Rádio Jovem Pan FM), Renato Ribeiro, que vai ao ar de segunda à sexta-feira. Tendo na condição de entrevistado o deputado federal Luis Fernando de Fabinho Araújo Lima (DEM), político com larga experiência no setor, ele aproveita o momento para falar sobre temas nunca antes abordados em público e também da sua lealdade para com o ex-prefeito José Ronaldo e o ex- governador Paulo Souto.

R Ribeiro – Deputado qual a avaliação que o senhor faz do envolvimento do seu partido no escândalo financeiro que teve como protagonista o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda?

Fabinho – Considero a situação como um ato lamentável que deixa uma imagem para a sociedade de que política só cheira a corrupção. Mesmo diante de uma situação desfavorável  como esta, posso dizer que venho fazendo um bom trabalho junto à câmara de deputados cumprindo com a minha obrigação ao participar dos debates, apresentando projetos de lei, votando e aprovando leis, além de colocar através de emendas individuais recursos destinados para diversos municípios de nosso estado, em especial para Feira de Santana.

R. Ribeiro – Com relação à Feira, o deputado foi um dos nomes cotados para prefeito, antes da escolha do então prefeito  Tarcízio Pimenta. Na época o senhor contava com uma sólida infraestrutura política no município, e atualmente ela não mais existe. Isso significa que Fabinho está deixando a política?

Fabinho – A sua colocação em parte procede. A partir de janeiro, mais tardar fevereiro, estarei dando um parcer do nosso futuro político. O que importa é que no momento tenho um mandato e continuo representando Feira, além de manter um bom relacionamento com o ex-governador Paulo Souto e o ex-prefeito José Ronaldo. Entendo que Feira não pode perder a oportunidade de ter o ex-prefeito como candidato a deputado federal. Temos chances reais de ganharmos as eleições do estado por tudo que representa o Democratas da Bahia. Em uma chapa Paulo Souto e José Ronaldo, o município de Feira será muito forte.

R. Ribeiro – Há  conversas nos bastidores políticos  que  está existindo desentendimento entre o deputado e o ex-prefeito José Ronaldo. O que há de verdade nesta história?

Fabinho – Não há nada disso. Talvez o boato tenha existido em função do meu afastamento mometâneo devido iniciativas empresariais feitas fora de Feira, o que não nos tem permitido ficarmos muito próximos um do outro, além das atividades em Brasília o que sem dúvida prejudicou o meu trabalho político no município. Repito, nunca houve qualquer tipo de desentendimento com José Ronaldo. Temos uma amizade pessoal muito sólida e isso não nos permite ter este desprazer.

R. Ribeiro – Na condição de militante do Democratas, como o senhor avalia o afastamento do deputado Jairo Carneiro do DEM  para migrar para o PP?

Fabinho – Eu nunca fui favorável a fidelidade partidária, embora reconhecça que ela  permite e dá condições  para que o partido continue forte. Entretanto, considero importante que para você continuar militando no partido tem que ter liberdade de atitude e ação. Se você não está à vontada tem todo o direito de tomar alguma iniciativa objetivando  solucionar o problema. A saída de Jairo Carneiro de certa forma prejudicou o partido que é um grande quadro políitico. Quem tem que julgar essa atitudes do deputado não sou eu nem o partido e sim, o eleitor.

R. Ribeiro – O deputado falou sobre o desgaste sofrido pelo Democratas com  a prática dos atos de corrupção existente no governo Roberto Arruda. Em algum momento sentiu o desejo de abandonar o seu partido?

Fabinho – Por mais estranho que possa parecer, eu nunca expressei esse desejo em público, mas posso garantir  que esta idéia já me ocorreu. O que me tem segurado é a fidelidade partidária e o sentimento de lealdade que tenho para com Paulo Souto e José Ronaldo, além de mais alguns colegas de partido.

R. Ribeiro   –  Como está o seu relacionamento com o prefeito Tarcízio Pimenta? Os seus aliados estão sendo bem tratados por ele?

Fabinho – Tarcízio é um grande amigo e tem realizado um bom trabalho frente à prefeitura de Feira, o nosso relacionamento continua mormal, tenho certeza que ele tem vontade de abrigar todas lideranças. Entretanto, sabemos da dificuldade existente e da incapacidade da prefeitura neste aspecto.

R. Ribeiro Estamos percebendo em Feira, o avanço do PMDB. O senhor acredita na possibilidade de uma aliança existente entre o PMDB e Democratas?

Fabinho – Acredito que sim, a política é dinâmica, vivemos em um país democrático e é muito bom  ver o ministro Geddel  se destacando políticamente em nosso estado, mas não podemos  deixar de reconhecer  que o  ex-governador Paulo Souto se encontra em uma posição privilegiada e lidera todas as pesquisas desde o ano passado. Estaremos em 2010 retornando ao poder, mas para que isso aconteça é necessário que haja agregação dos partidos, vamos ter uma eleição que vai acontecer em dois turnos e no segundo turno serão feitaso as negociações. Eu não vejo dificuldades em existir uma união entre Geddel e Paulo Souto, semelhante ao que aconteceu na última eleição entre estes dois partidos que ajudou a reeleger João Henrique prefeito de Salvador.

R. Ribeiro – O deputado tem demonstrado lealdade política a Paulo Souto e José Ronaldo. O senhor já foi cortejado pelo governador Wagner e suas lidranças ou por outros partidos?

Fabinho- Não,  mas tenho grandes amigos no PP como João Leão que já me fez vários convites  neste sentido. Acredito  que o importante é você saber o que quer, como quer e como deve atuar em defesa dos municípios que você representa.


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