Após ataques ao expresidente Fernando Henrique Cardoso, tucanos sobem ao ringue

Segundo Fernando Henrique, Lula está em meio a uma “guerra imaginária” em que distorce fatos e, assim fazendo, se glorifica no contraste com ele.
Segundo Fernando Henrique, Lula está em meio a uma “guerra imaginária” em que distorce fatos e, assim fazendo, se glorifica no contraste com ele.
Segundo Fernando Henrique, Lula está em meio a uma “guerra imaginária” em que distorce fatos e, assim fazendo, se glorifica no contraste com ele.
Segundo Fernando Henrique, Lula está em meio a uma “guerra imaginária” em que distorce fatos e, assim fazendo, se glorifica no contraste com ele.

Tucanos atacam

Dois dias após o expresidente Fernando Henrique Cardoso publicar artigo no GLOBO e no “Estado de S. Paulo” aceitando fazer a comparação entre seus governos e os do presidente Lula, como queria o PT, líderes petistas comemoraram a entrada do tucano no ringue da disputa presidencial.

E parlamentares da oposição reforçaram o contra-ataque de Fernando Henrique, avisando que não ficarão mais acuados.

Na tribuna, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) acusou a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Planalto, de inflar em R$ 58 bilhões os números dos programas habitacionais.

— Dilma é uma liderança de silicone, falsa, que deve ser desmascarada — bradou Tasso, que discursou após ler na internet que Dilma desafiara a oposição a comparar realizações.

O senador tucano disse que, no último balanço do PAC, Dilma inflou os números dos financiamentos habitacionais para construção de novas moradias. Segundo ele, nos últimos três anos, metade dos financiamentos do FGTS e do sistema de poupança para moradia foram destinados a compra de imóveis usados, o que não caracterizaria investimento em novas construções: — Ela tem que explicar esses números maquiados da habitação.

Tasso Jereissati diz que dados são maquiados para favorecer Dilma

Senadores e dirigentes tucanos e aliados do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), revezaram-se ontem no plenário do Senado, durante duas horas, em críticas à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). O debate foi iniciado por Tasso Jereissati (PSDB-CE), que apresentou dados para mostrar suposta maquiagem de dados pelo governo para favorecer a candidatura de Dilma.

Tasso chegou a dizer que o governo está construindo uma “liderança de silicone: bonita por fora, mas falsa por dentro. Sem dúvida nenhuma precisa ser desmascarada adequadamente”.

Tasso diz que Dilma é “líder de silicone, bela por fora, falsa dentro”

Oposição chama ministra de “Frankenstein” e de “ventríloquo’; apenas três integrantes da base aliada defenderam a petista. Serys Slhessarenko (PT-MT) acusou senador do PSDB de preconceito e afirmou que Dilma “nunca esteve à sombra de Lula, mas ao lado”.

Depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de “reflexo de um líder”, ontem foi a vez de senadores do partido reforçarem as críticas à candidata do PT à sucessão presidencial.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) chamou Dilma de “liderança de silicone” por ser, segundo ele, “bonita por fora, mas falsa por dentro”.

Num debate que durou duas horas e contou com a participação de 11 senadores (só três da base aliada do governo), Dilma foi chamada de “Frankenstein”, por Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), “ventríloquo”, por Marisa Serrano (PSDB-MT), e acusada de não pensar pelo presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE).

“Temos o problema do vice, enquanto eles precisam decidir o que fazer com Ciro Gomes [pré-candidato pelo PSB]. O Ciro fala e pensa. Dilma, se pensa, ninguém viu até agora.”
Tasso Jereissati, que provocou o debate, disse que sua intenção era rebater números do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), principal vitrine da ministra. Segundo ele, o governo tem incluído nas contas do programa investimentos com recursos privados.

Fernando Henrique contra Lula

Com seu cartão de visitas, o Plano Real, Fernando Henrique ganhou a admiração do país. Se não terminou seu período com a imagem que julga condizente com o que fez, ninguém pode ser responsabilizado, fora aqueles que o integraram

Em mais um capítulo da longa batalha que travam há anos, Fernando Henrique e Lula voltaram a se enfrentar no fim de semana. Agora, a iniciativa partiu do ex-presidente, que, em artigo publicado por alguns jornais, se disse “sem medo do passado”. Com isso, afirmou que aceita o desafio do atual, de fazer a comparação entre os governos dos dois na eleição deste ano.

Segundo Fernando Henrique, Lula está em meio a uma “guerra imaginária” em que distorce fatos e, assim fazendo, se glorifica no contraste com ele. Em suas palavras, o presidente quer assustar as pessoas, ameaçando-as com o caos se a oposição vencer.

Quase todo o texto é dedicado à defesa das decisões que tomou e do que fez no Planalto. O cerne de seu argumento é a ideia de que Lula (apenas) “deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores”. Embora falasse no plural, parece que o que ele queria dizer é que o (único) mérito de Lula foi prosseguir o que ele começou.

Nada mais compreensível que a reação de FHC. Não é preciso ter de si uma opinião muito elevada para, em situação semelhante, ficar tão desconfortável quanto ele parece estar. Depois de uma trajetória brilhante como intelectual, entrou na vida política pela porta da frente e chegou aonde chegou, tornando-se, por algum tempo, ídolo de um país que não acreditava mais que a inflação pudesse ser vencida. Hoje, sem que ele o mereça, muitos de seus amigos preferem que ele finja que não existe.

Espicaçado por Lula e Dilma, pelo PT e até por gente que esteve bem aninhada em seu governo, é difícil imaginar que ele fosse ficar quieto em seu canto, sofrendo calado. O artigo foi uma mostra de que ele não vai aceitar de braços cruzados as provocações que a campanha da ministra lhe fará. Aliás, não foi a única, pois, ainda no sábado, já havia dito que Dilma é “um boneco” e Lula seu “ventríloquo”. Em matéria de nível de debate, não se pode dizer que seja elevado.

FHC discursa para o seu público interno

Não se pode dizer que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha assumido uma posição partidária ao aderir à estratégia de campanha eleitoral do adversário, o PT, que pretende eleger a ministra Dilma Rousseff como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparando os dois mandatos petistas aos imediatamente anteriores, presididos pelo tucano. Com motivação pessoal ou partidária, no entanto, Fernando Henrique se moveu em direção a um objetivo bem definido: nestas eleições, ao contrário das duas anteriores, o ex-presidente não vai aceitar uma estratégia eleitoral do seu partido, o PSDB, que signifique jogar o passado para debaixo do tapete. Se isso acontecer, estará lá, disposto a trazer os seus dois governos à luz do dia.

Não existe outra explicação possível para o comportamento do ex-presidente: FHC, no artigo publicado no domingo nos jornais “O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, mirou não apenas o adversário eleitoral do PSDB, o PT, mas seu próprio público interno. Enquanto o staff de Serra mantinha, como estratégia política neste período de pré-campanha, a determinação de evitar comparações entre os governos do PT e do PSDB, e o PT divulgava a intenção de centrar a campanha no confronto entre a sua administração e a de seu antecessor, FHC veio a público para dizer que não teme paralelos, desde que eles se atenham à verdade e não descontextualizem os fatos.

No momento seguinte, assumiu um discurso claramente ofensivo à candidata do governo à Presidência – quando o pré-candidato José Serra se mantém discreto, quase à margem do processo. Como maior expoente do partido, é lógico que assumiu um papel na campanha; mais do que isso, pode ter alterado, à revelia do candidato tucano e de seu staff político, a estratégia de evitar uma campanha centrada na comparação entre um governo que terminou enfrentando uma grave crise econômica, o seu, com outro, que chega ao seu final desfrutando de alta popularidade.

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