A Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, em segunda votação, nesta segunda-feira (22/12/2025), o Projeto de Lei nº 190/2025, que reconhece o evento religioso Vem Louvar como patrimônio cultural imaterial do município. A proposta, de autoria do vereador Silvio Dias (PT), busca preservar e valorizar a memória histórica, cultural e espiritual associada ao encontro promovido há 27 anos pelo movimento de Renovação Carismática Católica (RCC), tradicionalmente realizado durante o período da Micareta de Feira.
O projeto aprovado autoriza o Poder Executivo municipal a adotar medidas voltadas à preservação, proteção e promoção do Vem Louvar como patrimônio imaterial. Entre as ações previstas, está a possibilidade de firmar parcerias com entidades públicas e privadas, com o objetivo de assegurar a continuidade do evento e ampliar sua visibilidade institucional.
Segundo o autor da proposta, o reconhecimento oficial representa um ato de valorização das tradições locais e contribui para o fortalecimento da cultura feirense. Para o parlamentar, o evento consolidou-se como um espaço de difusão de valores como reconciliação, paz, fraternidade e convivência comunitária, extrapolando o caráter estritamente religioso.
O texto do projeto ressalta que o reconhecimento municipal também tem caráter educativo, ao estimular a conscientização sobre a importância da memória coletiva e das manifestações culturais que integram a identidade histórica da cidade.
Trajetória e dimensão do Vem Louvar em Feira de Santana
Criado em 1998, o Vem Louvar é considerado um dos maiores eventos de espiritualidade cristã do interior da Bahia. Gratuito e aberto ao público, ocorre anualmente no bairro Alto do Cruzeiro, no Ginásio do Sesi, coincidindo com o calendário da Micareta de Feira.
Ao longo de sua trajetória, o encontro passou a reunir milhares de participantes, tanto de Feira de Santana quanto de municípios vizinhos, consolidando-se como uma alternativa religiosa e comunitária à programação secular da Micareta. A iniciativa tornou-se referência regional pela capacidade de mobilização e pela longevidade.
A programação inclui pregações, celebrações eucarísticas, apresentações musicais com artistas católicos de projeção nacional e atividades voltadas ao público infantil, oferecendo uma experiência abrangente de vivência cristã, conforme descrito na justificativa do projeto.
Dimensão cultural e identidade local
Para o autor da proposta, a relevância do Vem Louvar ultrapassa o campo religioso, ao se afirmar como um marco de identidade cultural e espiritual do povo feirense. O evento, segundo o parlamentar, contribui para a promoção de valores de convivência social e para o fortalecimento do tecido comunitário, em especial durante um período marcado por intensa atividade festiva na cidade.
O reconhecimento como patrimônio imaterial insere o evento no rol de manifestações culturais que passam a integrar formalmente a política de preservação do município, alinhando-se a instrumentos legais de proteção da memória e das tradições locais.
Com a conclusão da tramitação legislativa na Câmara, o projeto foi encaminhado para sanção do prefeito municipal, etapa final para que a norma entre em vigor e produza seus efeitos legais.
Patrimônio imaterial, religião e política cultural
O reconhecimento do Vem Louvar como patrimônio imaterial revela a ampliação do conceito de cultura adotado pelo poder público, incorporando manifestações religiosas de forte enraizamento social. A iniciativa reflete uma tendência de valorização de eventos que, embora vinculados à fé, exercem papel relevante na construção da identidade coletiva local.
Do ponto de vista institucional, a proposta reforça a função do Legislativo municipal na proteção da memória cultural, mas também suscita debates sobre os critérios utilizados para o reconhecimento de manifestações imateriais, especialmente em um contexto de pluralidade religiosa e cultural.
A sanção do projeto pelo Executivo tende a consolidar o Vem Louvar como política cultural reconhecida, ao mesmo tempo em que impõe ao poder público o desafio de garantir tratamento equilibrado a diferentes expressões culturais e religiosas presentes no município.








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