Cinema brasileiro vive momento ímpar, segundo realizadores e Ancine

Segundo diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema e os cineastas e produtores presentes à Berlinale, setor nunca esteve tão bem. Porém, para os novos longas, festival é apenas o início da história.

Reunidos em Berlim para o Festival Internacional de Cinema, cineastas, atores, produtores e representantes brasileiros do setor traçaram um quadro promissor.

Durante o misto de coletiva de imprensa e painel de debates realizado nesta quarta-feira (17/02) no Instituto Ibero-Americano, o consenso entre estreantes e veteranos foi que se trata de um momento sem precedentes para o cinema nacional.

Caminho da internacionalização

As primeiras boas notícias partiram do próprio Manoel Rangel, diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema do Brasil (Ancine): com cerca de 100 novas produções por ano, a parcela dos brasileiros no mercado cinematográfico interno é atualmente de 14,3%, contra cerca de 10% em anos anteriores.

Ele lembrou que, embora a história do cinema nacional já conte um século, o atual ciclo é especialmente relevante, com 16 anos de produção ininterrupta.

Por outro lado, tem sido significativo o esforço de internacionalização, no sentido de coproduções e parcerias com outros países. Rangel mencionou em especial o acordo Brasil-Alemanha de coprodução cinematográfica, ratificado em 2007, assim como as parcerias com a Itália, a Espanha e nações sul-americanas.

Uma olhada no programa da Berlinale confirma essa tendência: dos oito filmes brasileiros apresentados, dois foram coproduzidos com a França (Os famosos e os duendes da morte, Central do Brasil), um com o Reino Unido (Waste Land) e um com a Alemanha (Fucking different São Paulo). De resto, a Berlinale permanece uma importante janela de visibilidade para o cinema brasileiro, afirmou o presidente da Ancine.

“A gente nunca teve esse mole”

Naturalmente também inspirados pelo privilégio de encontrar-se entre os poucos eleitos para essa mostra cinematográfica de primeira linha, cineastas e produtores presentes reforçaram de maneiras diversas o otimismo de Rangel.

Sara Silveira, da produtora Dezenove Som e Imagens, tem frequentado festivais internacionais há anos, embora esta seja sua primeira Berlinale, trazendo Os famosos e os duendes da morte, do diretor Esmir Filho, de 27 anos.

Ela lembrou que o Brasil tem uma distribuição pública de dinheiro baseada na renúncia fiscal “rara nos países do mundo”, e disse esperar que essas verbas sejam “realmente utilizadas por nós, brasileiros”, mas também por outros que façam bons filmes sobre o país.

Assim, Silveira se referia também a dois jovens cineastas latino-americanos presentes: o uruguaio Michael Wahrmann (diretor do curta Avós) e o mexicano Cristobal Diez. Este último participa, ao lado de Bruno Jorge e de Daniel Ribeiro, do 8º Talent Campus, uma “academia criativa e plataforma de networking” envolvendo cerca de 350 novos talentos cinematográficos de todo o mundo, promovida paralelamente ao grande festival.

A produtora gaúcha fez menção especial ao “destaque proporcionado pelas autoridades brasileiras, como nunca tivemos nos outros festivais”, fosse em Cannes ou Veneza. “Os que estão aqui com seus filmes: aproveitem, que a gente nunca teve esse mole!”

Fundada em 1991 juntamente com Carlos Reichenbach, sua Dezenove se dedica em especial a primeiras produções, embora sem deixar de lado os “mais veteranos”. “Os jovens têm muito hormônio, às vezes é muito trabalho. Mas com meus 59 anos tenho força suficiente para comandá-los, sem eles saberem que eu estou mandando”, garantiu Sara Silveira.

É só o início

Embora constituindo uma distinção de peso global, a seleção para a 60ª Berlinale não é mais do que o início da trajetória para os quatro longa-metragens brasileiros apresentados. Única exceção é Besouro, já lançado em circuito no final de 2009 e, segundo o diretor João Daniel Tikhomiroff, assistido por mais de meio milhão de espectadores no Brasil. Agora, sua meta é a carreira internacional do misto de filme histórico e de ação, filmado na Bahia.

Enquanto Os famosos e os duendes da morte tem lançamento previsto para março ou abril próximo, o documentário Waste Land deve entrar em cartaz em meados do ano. Para o drama de periferia Bróder, de Jeferson De, o mês de agosto está sendo cogitado para sua distribuição pela Columbia Films.

Devido às especificidades do projeto, a coprodutora Suzy Capó não visa uma carreira nas salas de projeção comerciais para Fucking different São Paulo, apostando antes na televisão e DVD. Praticamente zero budget, o filme reúne 12 episódios de realizadores diferentes, enfocando aspectos da vida homossexual naquela metrópole brasileira.

Um “problema”, citado repetidamente pelos participantes, para a programação de datas de lançamento em 2010, sobretudo no Brasil, é a Copa do Mundo, a qual, como sempre, deverá monopolizar atenções. Além disso, a concorrência pelo mercado é considerável, devido ao grande número de estreias previstas.

*Com informações de Deutsche Welle


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