Demonstrado autocontrole e amadurecimento político, o prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Suzart Pimenta Junior, foi entrevistado pela equipe do JGB, Carlos Augusto e Sérgio Jones, na quinta-feira (11/02/2010) à tarde, no Museu Parque do Saber Dival da Silva Pitombo. O Secretário de Comunicação Social, Edson Borges, esteve presente como observador. A entrevista exclusiva durou cerca de duas horas, foi dividida em duas partes: política e administração municipal.
Mantendo uma coerência de idéias e defesa do governo, Pimenta respondeu a todas as perguntas de forma contundente. Não deixando de revelar o desejo pela reeleição e que pretende permanecer na vida pública, na verdade sonha em chegar à presidência da república. Cargo máximo que um político pode alcançar.
Ele também revelou que busca retribuir as oportunidades que a sociedade lhe concebeu, principalmente os mais pobres, “o curso de medicina é um funil, chegam lá apenas alguns. Ele é mantido por muitos. Meu desejo enquanto homem público é devolver esta oportunidade a quem não teve”, declara e expõe seu viés social.
JGB – Quando eleito deputado estadual havia forte tensão de forças entre o senhor e o então prefeito José Ronaldo. O prefeito Tarcízio Pimenta pretende dispensar o mesmo tratamento, recebido, a Ronaldo que atualmente postula um cargo no legislativo.
Tarcízio Pimenta – Muitos apostaram que haveria um rompimento entre minha figura e Ronaldo e que este seria traumático O que acabou não acontecendo. Não existe este risco e nunca houve estremecimento entre mim e José Ronaldo. O que existe é um respeito mútuo.
JGB – Alguns vereadores de sua base política a exemplo de José de Arimáteia (PR), não farão campanha para Paulo Souto. A liderança inconteste do Democratas não apresenta fissuras e mostra um forte enfraquecimento?
Tarcízio Pimenta – Não entendo dessa forma, o que eu acho é que as definições políticas acatam determinados ritos que precisamos entender. O vereador tem como base a Igreja, esta estabelece determinados critérios em que você aceita ou é isolado no processo. O que torna difícil o cidadão superar uma questão partidária sem contar com a sua base política.
JGB – Em um passado recente o Democratas (PFL), tinham como opção proceder a exclusão de nomes para concorrer a cargos legislativos. Atualmente, conta com poucos nomes para participar das eleições de 2010. Como o senhor avalia a força do partido em Feira e por extensão na Bahia?
Tarcízio Pimenta – A perda de uma eleição enfraquece o partido, também contribuiu para esta situação a morte do senador ACM, que sempre foi considerado como o grande maestro do grupo político ao qual nós pertencemos. Com a morte do senador surge uma série de fissuras, muitos dos liderados se acharam líderes e partiram para a carreira solo. O reflexo dessa siatuação já se faz sentir, no primeiro momento, com a perda das eleições. Entendo que os quadros precisam ser renovados, trocar o nome do partido não resolve o problema sem que se mude a filosofia e o comportamento partidário. Eu, particularmente, sou defensor desse processo de renovação política.
JGB – A sua esposa, Graça Pimenta, é ou não candidata a deputada estadual?
Tarcízio Pimenta – Possa ser que sim, possa ser que não. Porém entendo ser importante a renovação de quadros na política. Será que só pode ser candidato quem já foi eleito anteriormente ou tem bagagem política e eleitoral? Tudo isso, a meu ver, precisa ser discutido e analisado. Se ela vir a se constituir como opção eleitoral forte dentro do partido que venha a ajudar a legenda, a eleição de companheiros, por que não? Agora levar a uma exposição desnecessária, sem chances eleitorais ou mudar uma rotina de vida. Tudo isso merece uma ampla refelexão. A situação tem que ser discutida com muita calma e paciência.
JGB – A primeira dama faz parte do Partido Republicano (PR), ligado a Lula e ao governador Jaques Wagner. Existe a possibilidade por parte do prefeito em firmar uma aliança política com Wagner caso o Democratas naufrague nessa eleição?
Tarcízio Pimenta – Não, eu vou seguir a minha caminhada, tenho que respeitar a fidelidade partidária. O ato de pertencer ao PR foi por opção dela e não por imposição minha ou de quem quer que seja. Ela tem simpatia pelo partido e resolveu se filiar, filiação esta que não é de agora, já faz algum tempo.
JGB – A deputado Eliana Boaventura disse textualmente que o prefeito Tarcízio Pimenta é um mentiroso e não cumpriu com o compromisso de campanha, uma secretaria com nome a ser indicado pelo PP. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Tarcízio Pimenta – O compromisso houve. Mas a base política seguida pela deputada, após a eleição foi outra. O compromisso deixou de existir no momento em que ela se vinculou a um partido diametralmente oposto do meu, vai apoiar o candidato a governador que não é o meu. Como é que eu posso manter dentro do meu governo uma situação como essa?
JGB – Prefeito esta situação não é similar a de Jairo Carneiro que migrou para o PT e vai apoiar um candidato a governador que não é o do prefeito Tarcízio Pimenta. Mesmo assim, o senhor mantém nas hostes de seu governo o filho deste deputado.
Tarcízio Pimenta – Essa situação é muito diferente da deputada Eliana Boaventura, Jairo pode ter um filho dentro do meu governo, mas não tem uma secretaria.
JGB – O ex-prefeito José Ronaldo contraiu empréstimos que vão começar a ser pagos no último ano de seu governo, para a construção de cinco viadutos, sendo que um deles, o senhor inaugurou recentemente. Qual será a marca do governo Tarcízio Pimenta?
Tarcízio Pimenta – A marca do nosso governo é de obras, trabalho, desenvolvimento, progresso e investimentos. Quanto a questão do pagamento de débitos constituidos em outro governo, eu quero dizer que também vou deixar algum débito para o governo que vier a me suceder. No governo você não compra com cheque pré-datado, você compra e planeja os pagamentos. O importante é que o produto apareça.
JGB – a capacidade de endividamento do município de Feira é elevada. O senhor pretende contrair empréstimos para implementar grandes obras?
Tarcízio Pimenta – Se necessário for, eu vou me aventurar com a realização de obras importantes para a cidade. O município precisa de um Porto Seco, novo Centro de Abastecimento, investimentos voltados para a área urbanista, ciclovias, passarelas… E às vezes não dispomos de recursos para a sua realização, então somos obrigados a sair em busca de novos investimentos.
JGB – Dentro de dois anos teremos eleições para prefeito. O senhor será candidato à reeleição?
Tarcízio Pimenta – Se eu disser que não sou candidato a postular um cargo político, é o mesmo que admitir que estou abandonando a política com a menção honrosa de ter sido prefeito de Feira de Santana. Acho que quem tem de avaliar sobre isso é o meu grupo político e a população, não eu. Mas posso garantir que vou continuar atuando na política.
JGB – Na hipótese de José Ronaldo não conquistar mandato em 2010, o prefeito Tarcízio Pimenta abriria mão de sua reeleição e cederia este espaço para o ex-prefeito?
Tarcízio Pimenta – Entendo que essa não é uma questão de ceder ou emprestar, é uma questão de análise que deve ser feita dentro do grupo político e o que for considerado como a melhor opção é a decisão que deve ser acatada.
JGB – O senhor está no poder e é legítimo que queira continuar. Ronaldo está fora dele e é legítimo que queira retornar. Em um futuro próximo essa situação não poderá resultar em conflito de interesses entre ambos?
Tarcízio Pimenta – Todo grupo político tem um nível de organização e essa não será a primeira nem a última vez que alguém que esteja fora do poder queira retornar a ele, e quem está no poder queira continuar. Estes fatos não acontecem de forma isolada a todo instante presenciamos casos como estes no cotidiano da política. O importante é que estejamos preparados para esta discussão quando ela se apresentar.
JGB – A cifra de recursos dos governos nas esferas estadual e federal, repassados em forma de investimentos para Feira de Santana é em torno de R$ 300 milhões. Qual a avaliação que o senhor faz com relação ao papel dos governos de Wagner e Lula no tocante ao município?
Tarcízio Pimenta – Não é nada assombroso do ponto de vista do porte de uma cidade como Feira. As exigências de nosso município em nada diferem às necessidades de seis capitais importantes. A manutenção de Feira é cara. Também é importante observar que estas verbas são carimbadas, o que significa dizer que sua aplicação é previamente voltada para determinadas programas o que impede ao gestor dar outra destinação.
A capacidade de gerenciamento destes recursos, operam na medida da necessidade do município. Portanto, não existe nenhum tipo de extravagância na aplicação dos mesmos. O que há muitas vezes é a dificuldade em manter os programas. É importante frisar que estes recursos contam com complementos das prefeituras a exemplo do PSF, SAMU, entre outros.
JGB – O deputado José Neto tem aproximado o prefeito do governo de Wagner, essa aliança pode ser ampliada ou ela é apenas de caráter institucional?
Tarcízio Pimenta – Na política a gente tem que amadurecer muitas ações praticadas por mim a cerca de 5 a 10 anos, como a troca de ofensas e outros atritos eu não faço hoje. Qual o efeito prático que atitudes como esta traz para a comunidade? Nós estamos vivendo este momento de amadurecimento sem levar as questões de interesse coletivo para o lado pessoal. Por isso, tanto eu quanto o deputado estamos com as atenções voltadas para pensar mais na cidade e no cidadão.
JGB – O governo do Estado está investindo recursos em segurança, construindo vários presídios no Estado, Em entrevista passada o prefeito afirmou que quando deputado alertou e criticou a política de segurança pública adotada por seu partido. Como avalia o modelo adotado pelos Democratas e Petistas voltados para este setor?
Tarcízio Pimenta – Acho que se criou uma marca no governo que segurança é cara e investir no setor não é bom. Isso não é verdade, segurança é barato, não há dinheiro que pague a vida do cidadão. A segurança para ser efetiva ela tem que ser operada com um moderno sistema de inteligência que possibilite aos policiais a agirem, na maioria das vezes, antes que o crime se efetue.
JGB – Existe a hipótese concreta de dois ex-aliados seus marcharem com o PT, os ex- governadores Otto Alencar e César Borges. Isso significa que o seu partido está enfraquecido politicamente?
Tarcízio Pimenta – Todos os partidos estão enfraquecidos, basta verificar que os institutos de pesquisas demonstram que as instituições políticas estão com as piores avaliações, Congresso, Câmara dos Deputados e Senado. Todo este desgaste decorre em função das multiplicidades de partidos, mudanças constantes dos parlamentares de um partido para outro, envolvimento com a corrupção e uma série de outras situações que convergem para o desgaste dos partidos de forma indistinta. Em relação ao Democratas na Bahia, nós tivemos grandes perdas devido ao fato de termos vivido em função de um mito político que em algum momento iria faltar, como faltou, e nos conduziu a atual situação.
JGB – O que tem lhe dado prazer, alegria e realização em ser prefeito de Feira?
Tarcízio Pimenta – A condição de poder realizar, eu tenho procurado fazer uma administração mais voltada para a área social. Erguer prédios, botar cimento é muito bom, mais tem que saber quem vai utilizar aquela estrutura, se elas estão integradas na comunidade. O governo só se estabelece no momento que você cria poder de inserção, você tem que envolver a comunidade. Essa sintonia é que me dá prazer.
Dados Biográficos
Nome: TARCIZIO SUZART PIMENTA JUNIOR
Profissão: Médico e Professor Universitário
Nascimento: 14 de julho de 1955, Feira de Santana-BA
Filiação: Tarcízio Suzart Pimenta e Maria Mercês da Silva Pimenta
Cônjuge: Maria das Graças Pimenta
Filhos: Bruna e Brenda
Formação Educacional
Cursou o Primário na Escola Nossa Senhora do Rosário e o Secundário no Colégio Estadual Feira de Santana, 1977. Formou-se em Medicina na Universidade Federal da Bahia-UFBA, 1983, especializou-se em Cirurgia Geral no Hospital Central Roberto Santos.
Atividade Profissional
Em Feira de Santana, diretor do Hospital Geral, SANDU, 1989, médico do Hospital D. Pedro de Alcântara, 1984-1997, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana.
Mandato Eletivo
Eleito vereador pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB, 1993-1994, Feira de Santana. Deputado estadual pelo Partido Socialista Brasileiro, PSB, 1995-1999; reeleito pelo Partido Trabalhista Brasileiro, PTB, 1999-2003 e 2003-2007; reeleito pelo Partido da Frente Liberal, PFL, 2007-2011, licenciou-se de 1º jul./6 out.2008, renunciou em 29/12/2008. Eleito prefeito de Feira de Santana, DEM, para o período 2009/2012.
Filiação Partidária
PMDB, 1993 – nov.1995; PSB, 1995 – out.1996; PTB, 1997 – 2003; PFL, 2003 – 2006; DEM, mar.2007 – 2008.
Atividade Partidária
Líder do PMDB, CM, Feira de Santana; vice-líder do PMDB, ALBA, 1995; vice-líder do PSB, ALBA, 1995; vice-líder do PTB, ALBA, 1999; líder do PTB, ALBA, fev./set. 2003, vice-líder da Maioria, ALBA, 1999, 2005-2006.











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