Senador ACM Junior prevê herança maldita em 2011

Um crescimento da economia entre 5,5 e 6% em 2010, mas sérios problemas com o financiamento do déficit de US$ 60 bilhões em conta corrente (diferença entre dinheiro que entra e o que sai do país), inflação acima da meta e consequente aumento das taxas de juros, além de uma dívida pública muito acima do ideal, e com vencimentos de curto prazo. Estes são os problemas previstos pelo senador Antônio Carlos Júnior (DEM-BA) para o futuro imediato da economia brasileira. “O próximo presidente terá que fazer um grande ajuste fiscal”, prevê o senador.

Antônio Carlos não teme o efeito das eleições de outubro sobre a economia, mas acredita que a crise na Europa, com as complicações fiscais da Grécia e da Espanha, terá reflexos nas exportações brasileiras, o que vai dificultar o financiamento do déficit das contas externas. “Vejo com simpatia a decisão do governo de criar incentivos à exportação, é preciso desonerar de impostos a cadeia produtiva, principalmente de produtos industrializados”, disse o senador.

Para ele, o próximo governo terá também sua “herança maldita”: o inchaço da máquina pública, o excesso de gastos, que vai forçar o próximo presidente a promover um grande arrocho fiscal, seja qual for o eleito. “É inevitável, será preciso cortar gastos de forma dramática logo no início do próximo governo, porque as altas taxas de juros que temos são efeito de uma contaminação, o gasto público exagerado que compromete as contas públicas e sufocam o Estado”. Por causa de tudo isso, o senador explica que o crescimento econômico fica comprometido – “sempre que os brasileiros começam a consumir bastante, a comprar, a inflação sobe, forçando a alta dos juros, o que leva a um ciclo pernicioso que impede o crescimento de longo prazo, sustentado”, disse.

Outro problema da economia brasileira que o senador Antônio Carlos Jr. identifica é o tamanho e a má qualidade da dívida pública, o dinheiro que o governo toma emprestado no mercado para financiar seus gastos. Atualmente, a dívida está em torno de 42% do Produto Interno Bruto (PIB). E cerca de 40% deste total tem vencimentos diários pela taxa Selic, o que seria um exagero, “um crime”, segundo o senador.Ele defende que o Estado brasileiro, sob qualquer governo, deveria trabalhar para ter uma dívida pública abaixo de 30% do PIB, com prazos longos de vencimentos e juros pré-fixados. “É o ideal para um país emergente, que precisa investir em infraestrutura, dar competitividade aos seus produtos e crescer sem inflação”, avaliou.

Antônio Carlos Júnior apoia a tese de que os governos brasileiros deveriam estabelecer a meta do déficit nominal zero no Orçamento Fiscal da União.O déficit nominal é a diferença entre o que o governo gasta e o que arrecada, incluindo-se os juros da dívida entre as despesas contabilizadas. Hoje, existe superávit apenas quando as despesas com juros são expurgadas.”O déficitnominal zero deveria ser uma meta nacional, de Estado, a ser atingida no médio ou longo prazo, e que daria ao país a segurança necessária para crescer sem inflação”, disse o senador.


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