Conjunto Penal de Feira de Santana será ampliado e Edmundo Dumet, diretor da unidade, diz que Lei que regula a liberdade provisória precisa ser mudada; Confira entrevista

Em entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia (JGB), o diretor do Conjunto Penal de Feira de Santana, Edmundo Memeri Dumet, 58 anos, natural de Salvador, administrador de empresa, com pós-graduação em Recursos Humanos, atuou na área de segurança privada e está dirigindo a unidade prisional há três anos e quatro meses. Ela é subordinada a SJCDH (Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos).

Durante a entrevista falou sobre os avanços no processo de ressocialização dos presos, na aplicação do quadro médico e nas melhorias do presídio. Uma fonte de dentro do governo nos informou nesta manhã (24/05/2010) que através de investimentos do governo Jaques Wagner, a unidade prisional será ampliada para comportar dos atuais 340 presos, para 1250.

Quem esteve acompanhando a entrevista foi o advogado criminalista Fernando Oliveira. Ele declara que o trabalho desenvolvido por Edmundo Dumet é extraordinário e que os presos tem recebido um tratamento justo e digno no período em que está à frente da unidade. “É o melhor diretor de presídio que já tivemos, ao longo da história do Conjunto Penal”, destaca.

JGB – Quantos presos cumprem pena no Presídio Regional de Feira de Santana?

Dumet – O conjunto penal de Feira de Santana foi projetado para abrigar 340 presos, sendo 304 homens e 36 mulheres. Mas em função do alto índice de criminalidade e da falta de investimentos por parte dos governos passados, em reforma e ampliação de presídios, estamos com 704 internos.

JGB – O que o senhor tem feito para evitar rebeliões. Pois o quadro é de superlotação?

Dumet A fórmula ideal para evitar os conflitos internamente é dar ao preso todos os direitos que lhe concebem a lei de e execuções penais. Desta forma mantemos o preso sem que hajá excessos, distúrbios ou rebeliões.

JGB – Quantos e quais os profissionais atuam neste no presídio?

Dumet – Tenho sob minha direção 140 profissionais. Desenvolvemos atividades de ressocialização como: inclusão digital, trabalhos manuais e aulas didáticas, aplicadas por 14 professores em turnos matutinos e vespertinos. Temos práticas esportivas. Um corpo médico formado por três médicos, duas enfermeiras, quatro técnicos em enfermagem, dois odontólogos, um psicólogo e três assistentes sociais. Com isto prestamos um serviço social relevante à população carcerária.

Este trabalho é orientado da Secretária Estadual de Justiça, cujo objetivo maior é dar um tratamento humano, digno aos presidiários. Ao sair da unidade prisional, o ex-preso deve se sentir devidamente ressocializado na sociedade, não voltando a cometer crimes. Este é o objetivo.

JGB – Quais os investimentos em infraestrura e equipamentos foram realizados?

Dumet –Foram construídas minibibliotecas, conhecidos como pontos de leitura. Foram recuperados cinco pavilhões, todo o complexo foi higienizado e adaptado a uma nova realidade. Reinauguramos a unidade hospitalar ampliamos para 14 salas, ampliando o quadro médico. Reformamos a sala de aula e implantamos uma sala de inclusão digital com seis computadores.

JGB – Têm sido recorrentes os casos de preso que conseguem a Liberdade Provisória para passar o dia com a família e cometem crimes neste período. Existe uma grave falha por parte do Estado na hora em que ele não avalia corretamente a condição psicológica do preso. Esta falha no processo de avaliação está nos presídios ou no poder judiciário?

Dumet – O problema não está no presídio, na promotora pública ou com o juiz, está com a Lei. Ela obriga que presos em regime semiaberto tenham direito a cinco saídas por ano, cada saída conta com sete dias. A lei existe e deve ser cumprida. Encaminhamos para o juiz e o promotor o atestado de conduta carcerária. Nela consta o comportamento do apenado dentro do presídio, nos momentos em que o preso este sob tutela do Estado. Infelizmente não temos bola de cristal para adivinhar que um preso que tem bom comportamento possa cometer crime quando em Liberdade Provisória.

JGB – Não se faz uma avaliação psicológica do perfil do apenado, antes de lhe conceder a Liberdade Provisória?

Dumet – Faz-se um parecer psicológico, porque a avaliação criminológica foi abolida em Lei. Nada nos impede de realizar uma avaliação psicológica quando o poder judiciário solicitar. Normalmente fazemos quando o preso requisita através de seu advogado a Liberdade Condicional. Agora, para está Liberdade Provisória, emitimos apenas um Atestado de Conduta Carcerária.

JGB – O senhor é contra ou a favor da Liberdade Provisória?

Dumet – Acredito que este direito não deveria ser para todos. Agora, a Lei diz que: todos os presos em regime semiaberto tem direito ao benefício. Existem casos de crimes que não tem retorno, como crimes sexuais e outros que não gostaria de citar. Estes presos deveriam passar por um modelo jurídico diferenciado.

JGB – Ou seja, a Lei não é boa?

Dumet – Ela precisa ser um pouco melhorada neste sentido.

JGB – Um pouco, ou bastante. Os crimes que estes presos provisórios cometem são de responsabilidade do Estado, que neste caso, o senhor representa?

Dumet – Eu não quero dizer aqui se a justiça está errando ou acertando. Cumpro o que ela determina. A Lei precisa mudar bastante.

JGB – Sãos graves os danos que estes presos têm causado a sociedade?

Dumet – Nem tanto. Saíram 130 e poucos presos. Quantos foram presos por cometerem crime? Não chega a 2%.

JGB – Mais de 10% não retornaram?

Dumet – Estou falando dos que retornaram.

JGB – Eles não são fugitivos?

Dumet – São considerados fugitivos. Mas, nem sempre estão cometendo crime.

JGB – O Senhor está equivocado. Eles são criminosos. Cometerem crime contra o Estado que lhe concede Liberdade por um período e eles simplesmente desobedeceram. Não voltaram para o presídio no dia e hora marcados. É crime.

Dumet – Não, é uma desobediência a uma determinação do juiz.

JGB – É crime.

Dumet – Podemos considerar como tal. Como um crime de conduta.

Saiba +

Lei nº 11.464, de 28 de março de 2007: novas regras para a liberdade provisória, regime de cumprimento de pena e progressão de regime em crimes hediondos e assemelhados.

Fernando Oliveira, advogado criminalista; Edmundo Memeri Dumet, Diretor do Presídio Regional de Feira de Santana; Clériston Santos Leite, diretor adjunto do presídio e Vladimir Terra Nova, diretor da Terra Nova Veículos.
Fernando Oliveira, advogado criminalista; Edmundo Memeri Dumet, Diretor do Presídio Regional de Feira de Santana; Clériston Santos Leite, diretor adjunto do presídio e Vladimir Terra Nova, diretor da Terra Nova Veículos.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading