A engenharia genética revoluciona a forma de se fazer implantes dentários

Os implantes dentários tornaram-se uma grande conquista para as pessoas que tiveram algum tipo de perda dentária. Infelizmente, a remoção do dente é sempre acompanhada da reabsorção do osso alveolar que é responsável pela fixação daquela unidade dentária. Nestes casos, pode ser necessário um procedimento de enxertia óssea para a reconstrução da área afetada, seja por razões estéticas e/ou funcionais.

Existem diversas formas de enxerto, a escolha depende do objetivo a que se destina, do tamanho, finalidade e localização da área a ser reconstruída. Os enxertos podem ter origem autógena (do próprio indivíduo), Homógena (enxertos de indivíduos diferentes- transplantes via banco de tecidos), xenógena (origem animal) ou sintética.

A melhor solução para a perda óssea, segundo a literatura, é o enxerto ósseo autógeno, infelizmente, os demais tipos de materiais só têm a capacidade de conduzir o crescimento e não de induzir a neoformação óssea. Entretanto, existe o inconviniente da remoção de um fragmento de osso de outra região do corpo, aumentando o tamanho da cirurgia e o desconforto pós-operatório, além de aumentar o tempo de recuperação.

Ainda no meu tempo de estudante de odontologia tive aulas sobre proteínas de crescimento, sabia-se que elas eram capazes de estimular o crescimento, a formação de um novo tecido ósseo e consolidar fraturas, mas, apesar de isoladas, não havia ainda tecnologia para sua produção fora do nosso organismo.

A rhBMP-2(Proteína Morfogenética Óssea recombinante– 2) é uma proteína capaz de induzir a transformação de células primitivas (células tronco) em células capazes de formar osso, chamadas de osteoblastos secretores. As rhBMP´s são fundamentais dentro do nosso organismo para a reparação das fraturas e durante o desenvolvimento do esqueleto ósseo. Ela possui essa capacidade por se unir a receptores específicos das células primitivas e transformá-las em células formadoras de tecido ósseo.

Graças aos avanços da engenharia genética e da nanotecnologia se tornou viável a produção em larga escala. Finalmente, em 2007 a FDA (órgão que regulamenta a produção de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos) aprovou a sua utilização em cirurgias bucais. A anvisa também liberou sua utilização em nosso país.

A vantagem da rhBMP-2 está na possibilidade de reconstruir perdas ósseas de pequeno e grande porte sem que haja a necessidade de remoção de fragmentos ósseos de outras regiões do nosso organismo, bem como evitar a utilização de fragmentos ósseos provinientes de banco de tecidos( enxertos homógenos) ,sendo hoje ,possivelmente, a melhor forma de reconstrução, haja visto que promove o neocrescimento ósseo sem grandes traumas e com altíssimas taxas de sucesso.


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