O ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou hoje (30/07/2010) que “a cultura antirrepublicana já está instalada na capital do país há muito tempo” e que as renúncias em cascata dos políticos envolvidos no esquema de corrupção sinalizam uma “putrefação institucional”. Ele foi o único ministro a votar a favor da intervenção no Distrito Federal (DF), que acabou sendo rejeitada pela Corte por maioria de 7 a 1.
Segundo Britto, os Poderes Executivo e Legislativo “turbinaram a harmonia entre si a ponto de transformar isso em cumplicidade, em enquadrilhamento”. Em sua opinião, os fatos apresentados pela Procuradoria-Geral da República, autora da ação, confirmam a tese. “É essa mentalidade que contaminou e transformou [a corrupção] em metástase constitucional que está em julgamento aqui. Eu acho que a mentalidade dos governantes dos dois Poderes não mudou”.
Britto disse que o funciomento do Legislativo e do Executivo no DF está em “um estado de letargia, de não funcionamento”, acrescentando que isso é apenas o sintoma de uma “doença”. O Distrito Federal padece de uma leucemia ética, democrática e cívica pelas suas cúpulas. O caso é de hecatombe constitucional”, afirmou Britto.
O ministro ainda disse que a intervenção no DF seria um exemplo para os demais estados. “O bom exemplo tem que partir de Brasília”, resumiu. “Precisamos salvar o Distrito Federal de um perigosíssimo esquema de enquadrilhamento para assaltar sistematicamente o Erário”.
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