Editorial | Jaques Wagner unge o estelionato eleitoral protagonizado por João Henrique, Gilberto Kassab, Otto, Fernando Torres e companhia

Jaques Wagner e membros do PSD, alguns tem origem no partido PDS, que deu sustentação política ao Golpe de 1964.
Jaques Wagner e membros do PSD, alguns tem origem no partido PDS, que deu sustentação política ao Golpe de 1964.
Jaques Wagner Gilberto Kassab e Otto Alencar. União de visões sociais distintas bem questionável.
Jaques Wagner Gilberto Kassab e Otto Alencar. União de visões sociais distintas bem questionável.
Wagner não compareceu, mas abençoou o novo estelionato eleitoral, como cita a reportagem do IG.
Wagner não compareceu, mas abençoou o novo estelionato eleitoral, como cita a reportagem do IG.

“Quando a história se repete, ela sempre o faz em forma de farsa.”, Marx.

Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.”, Karl Marx em ‘O 18 Brumário de Luís Bonaparte‘.

No domingo (13/03/2011), o governador da Bahia, Jaques Wagner, esteve presente no ato de filiação do prefeito de Salvador, João Henrique (ex-PMDB) agora filiado ao Partido Progressista, que na Bahia é liderado por João Leão e Mário Negromonte.

João Leão, sempre perspicaz, tratou Wagner como “cabeça branca” e “leão da Bahia”. Com poucas palavras, Leão identificou um contexto histórico que se repete na ação de Wagner. A cooptação de adversários através da filiação a um novo partido, ou, a um partido da base aliada.

O falecido senador Antônio Carlos Magalhães costumava subverter adversários em aliados, à medida que estes, ou caiam em desgraça (leia-se incapacidade de gestão ou reeleição, caso obvio de João Henrique), ou quando necessitavam de seu apoio para implementar projetos políticos, que nem sempre tinham apelo popular (é o caso de Gilberto Kassab).

Esta medida de cooptação de adversários em aliados sempre foi condenada, principalmente pelo Partido dos Trabalhadores. Mas, não é que o “novo cabeça branca da Bahia” também usa das mesmas práticas. Meu pai, José Augusto (JADS), sempre me dizia a respeito da ideologia praticada na política brasileira: “existem dois tipos de políticos. O que crítica porque quer mandar. E o que manda e é criticado. Então meu filho!”, exclamava, “mudam os homens, mas as práticas continuam as mesmas.”.

Constituição

A política deveria ser a elevada arte da discussão a respeito dos caminhos que o Estado deve seguir, tomando por base valores ideológicos preconizados pelos partidos, forjadas a partir das discussões nos municípios. Mas, aqui no Brasil, e mais especificamente na Bahia, o que se vê é o estupro da Constituição Federal, o desrespeito ao entendimento da Alta Corte de Justiça, no que tange o conceito de fidelidade partidária.

Rasgam valores democráticos, como o respeito aos filiados a um partido em nome, quase sempre, de mesquinhos interesses pelo poder. O cidadão comum, quando questionado em pesquisa a respeito da política e dos políticos, sempre atribui ao político brasileiro as piores características pessoais. Que variam do desleal ao desonesto e incompetente. Neste quesito, a coletividade percebe uma realidade implícita e explicita na atitude política dos “líderes partidários nacionais”.

Go Back

Retornando às praticas do “novo cabeça branca da Bahia”, mister Jaques Wagner. Neste domingo (20/03), não compareceu ao ato de fundação do PSD (Partido Social Democrático), liderado nacionalmente por Gilberto Kassab (Ex-Democratas) e na Bahia por Otto Alencar (Ex-Partido Progressista).

Wagner não compareceu, mas abençoou o novo estelionato eleitoral, como cita a reportagem do IG, com título: Na BA, 1º ato de partido de Kassab tem petistas e críticas ao DEM. “Um partido do povo, para o povo”, diz prefeito de SP sobre PSD

Na reportagem, Thiago Guimarães informa que: “Kassab também elogiou o “espírito democrático” do governador da Bahia, Jaques Wagner, que não compareceu ao evento mas demonstrou sua anuência ao projeto ao receber logo em seguida o prefeito e o vice-governador em sua residência oficial.

O ato contou ainda com a presença da cúpula do PT baiano: senador Walter Pinheiro, deputados federais Nelson Pelegrino e Josias Gomes e o presidente regional da sigla, Jonas Paulo. Pelo PSB, partido que já defende alianças com a sigla de Kassab, esteve à senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

Entre os políticos que assinaram o manifesto de criação da nova sigla e que deverão reforçar os quadros da legenda estão os deputados federais Paulo Magalhães (DEM-BA), Fernando Torres (DEM-BA) e José Carlos Araújo (PDT-BA). Outro deputado federal baiano que já declarou seu ingresso no PSD é Edson Pimenta (PCdoB).

Em discurso, Torres se disse “perseguido” pela atual cúpula do DEM e associou o partido ao regime militar (1964-1985). O pedetista Araújo afirmou, ao justificar a adesão ao projeto kassabista, que “a Bahia e o Brasil queriam uma alternativa”.”

Feirense sem ideologia

Vem de longe a prática de mudança de partido do senhor Fernando Torres. Ao sabor dos tempos e de suas conveniências políticas, o único deputado federal feirense eleito, muda mais uma vez de partido. Às favas com os eleitores que votaram nele porque estava filiado ao Democratas. Às favas com os compromissos partidários e com os membros da executiva que o escolheu para ser candidato. No caso de Fernando Torres, classificar como estelionato eleitoral sua ação, é o mínimo cabível. Porque lhe falta até mesmo, a concepção do sentido de ideologia.

Lembrei-me de outra frase que meu pai gosta de citar: “só é oposição quem não pode ser governo”.

O axioma de Karl Marx

Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão teorizou: “um acontecimento histórico acontece, não uma, mas duas vezes”. Explicando que os fatos ocorridos no passado tendem a se repetir ao longo da história, por exemplo: o renascimento que retoma a ideias do mundo grego, ou, a revolução francesa que retoma algumas conceitos do império romano e da Grécia.

Karl Marx retoma essa frase no livro “O 18 Brumário de Luís Bonaparte“, acrescentando que a história acontece duas vezes. A primeira em forma de tragédia e a segunda como farsa. Segundo Marx, os ideais dos revolucionários franceses de 1789 que afirmavam retomar os ideais antigos de liberdade, igualdade e fraternidade, tinham o objetivo de estabelecer o domínio da burguesia.

*Carlos Augusto é diretor do Jornal Grande Bahia, bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e cursa Mestrado em Ciências Sociais: Cultura Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.


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