Novas drogas aumentam sobrevida de pacientes com melanoma avançado, tipo mais agressivo de câncer de pele

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Segundo a OMS, todo ano são registrados cerca de 130 mil casos de melanoma no planeta. O câncer de pele, doença relacionada ao excesso de exposição solar, mata mais de 60 mil pessoas por ano e 80% deles são melanomas, o tipo mais agressivo. No Brasil, com seu clima tropical, a doença é o tipo de câncer mais incidente. Apesar de representar apenas 4% dos tipos de câncer de pele registrados no país, o melanoma é o mais grave devido à sua alta capacidade de produzir metástase.

Um estudo cientifico, apresentado à comunidade médica internacional no início desse mês, promete revolucionar o tratamento do melanoma. Pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, testaram uma nova terapia para inibir a ação de um gene cujo papel é fundamental no desenvolvimento do melanoma. Os resultados do estudo foram apresentados na a 47ª Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco), realizada em Chicago, de 3 a 7 de junho. O evento é considerado o mais importante encontro da oncologia mundial. Uma equipe de especialistas do Núcleo de Oncologia da Bahia marcou presença no encontro, que abordou os últimos avanços na área.

O estudo comparativo, liderado pelo médico Paul Chapman, foi realizado com 675 pacientes com melanoma metastático que não haviam sido tratados anteriormente, portadores de mutações do gene BRAF. A metade dos pacientes foi submetida à terapia com vemurafenib, droga experimental administrada oralmente. O outro grupo foi tratado com quimioterapia convencional, a dacarbazina, substância que é usada desde 1975. Depois de três meses, os resultados mostraram que pacientes tratados com o vemurafenib tiveram suas chances de sobrevida aumentadas 63% em comparação com os que usaram a quimioterapia convencional, além de terem apresentado 74% menos risco de avanço da doença. Além da eficácia nos resultados, menos de 10% dos pacientes tratados com a nova droga apresentaram efeitos colaterais. “O tratamento representa um avanço significativo no tratamento do melanoma na medida que traz resultados efetivos e possibilita aumentar a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes,” destaca a oncologista Clarissa Mathias, do Núcleo de Oncologia da Bahia, que esteve presente na Conferência da Asco.

Por sua capacidade de neutralizar a mutação celular, a nova droga foi considerada eficaz tanto para casos de melanoma em pacientes portadores de mutações genéticas específicas, como para aqueles que apresentam melanoma em estágio avançado com metástases.

Há a expectativa que as agências reguladoras de medicamentos nos EUA e Europa aprovem a nova droga até o fim do ano.

Outra pesquisa apresentada na Conferência Anual da American Society of Clinical Oncology (Asco) revela que a combinação da droga ipilumumab com a quimioterapia também prolonga a vida de pacientes com melanoma em estágio avançado. A nova droga estimula o sistema imunológico a lutar contra a doença. Com o novo tratamento, a taxa de sobrevida de três anos foi de 20,8% contra 12,2% para os pacientes tratados com a quimioterapia convencional. Em março passado, o novo medicamento, cujo nome comercial é Yervoy, foi aprovado pelo FDA (Federal Drugs Administration), agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA. O uso foi aprovado para pacientes com melanoma com metástase e sem chance de cirurgia.

“A expectativa da oncologia mundial é que a combinação dessas novas drogas, que será pesquisada pelos laboratórios a partir de agora, possa ser o caminho futuro no tratamento do melanoma,” explica a oncologista Clarissa Mathias.

PrevençãoA radiação ultravioleta é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer de pele. Os raios ultravioleta são de três tipos: UVA, UVB e UVC. O melanoma é causado pelo excesso de exposição da pele à radiação UVB.

Com a destruição da camada de ozônio – que funciona como um filtro para a ação dos raios ultravioletas – a incidência da radiação solar está cada vez mais agressiva na Terra, por conseqüência os efeitos da exposição ao sol ficaram mais intensos. Os especialistas recomendam que se evite a exposição solar entre 10 e 16 horas. Além disso, é importante o uso de chapéus, camisetas e protetores solares. O filtro solar deve ser reaplicado a cada duas horas. O ideal é que o Fator de Proteção Solar (FPS) seja, no mínimo, 15.

Além de se proteger do sol, é fundamental fazer uma avaliação clínica da pele para prevenir a doença. É preciso estar atento a sinais como: mancha que mude de cor, textura, espessura, torne-se irregular nas bordas ou cresça; mancha ou ferida que não cicatrize; pinta na pele de crescimento progressivo, que apresente coceira, sangramento freqüente ou mudança nas suas características; crescimento na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada ou multicolorida.


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