No domingo, 03/07/2011, o Bando Anunciador da Festa de Senhora Sant’Ana ocupou avenidas, ruas e becos do centro de Feira de Santana, antecipando as comemorações dedicadas à padroeira do município com música, dança, brincadeiras, irreverência e forte participação popular. A manifestação, organizada no contexto da tradição cultural feirense e retomada pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), por meio do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), reafirmou a dimensão popular, histórica e simbólica de uma celebração que precede a programação religiosa realizada entre 17 e 26 de julho.
Tradição popular ocupa o centro de Feira de Santana
O cortejo do Bando Anunciador percorreu o centro da cidade durante quase toda a manhã, mobilizando moradores, grupos culturais, músicos, brincantes e participantes fantasiados. A presença do público nas ruas reforçou o caráter comunitário da manifestação, que funciona como anúncio festivo da Festa de Senhora Sant’Ana, padroeira de Feira de Santana.
A celebração combina elementos de religiosidade, memória urbana e cultura popular. Embora esteja vinculada ao calendário católico, o Bando constitui a parte profana da festa, marcada pela informalidade, pelo humor, pela musicalidade e pela ocupação simbólica dos espaços públicos.
Segundo o histórico do Cuca/Uefs, o Bando Anunciador é uma manifestação cultural e histórica ligada ao anúncio das homenagens a Senhora Sant’Ana, com participação de diferentes segmentos populares, bandas, fanfarras, fantasias e percursos pelo centro histórico de Feira de Santana. O registro institucional aponta que a prática já desfilava pelas ruas da cidade, com segurança documental, ao menos desde a década de 1860.
Uefs e Cuca lideraram retomada da manifestação
O Bando havia sido proibido no fim do século XX por Dom Silvério Albuquerque, então bispo de Feira de Santana, e permaneceu alguns anos sem ser realizado. Em 2007, a manifestação foi resgatada pela Uefs, por meio do Cuca, em iniciativa voltada à recuperação de uma tradição popular que havia sido interrompida.
O reitor da Uefs, José Carlos Barreto, afirmou que o objetivo da universidade era “retomar uma tradição que estava esquecida”. Ele avaliou que, após cinco anos de retomada, a festa demonstrava crescimento progressivo e capacidade de mobilização social. Para o dirigente, a edição de 2011 superou a de 2010, com expectativa de avanço ainda maior no ano seguinte.
A atuação da universidade pública no resgate do Bando Anunciador evidencia a função cultural da extensão universitária. Ao preservar uma manifestação ligada à identidade de Feira de Santana, a Uefs e o Cuca contribuíram para recolocar no calendário urbano uma prática que articula memória histórica, expressão artística e participação comunitária.
Manifestação fortalece identidade cultural feirense
Para o deputado estadual feirense Carlos Geilson (PTN), o Bando Anunciador representa um meio de resgate e valorização da cultura local. O parlamentar classificou a manifestação como inclusiva e destacou o papel da Uefs e do Cuca na salvaguarda das tradições do município.
A avaliação converge com o papel atribuído ao Bando pelo próprio Cuca/Uefs, que descreve o projeto como iniciativa voltada não apenas à retomada de um momento histórico da cidade, mas também à reflexão sobre valores, identidade e cultura urbana de Feira de Santana.
Esse aspecto é central para compreender a permanência do Bando no calendário cultural. Mais do que um desfile, a manifestação opera como rito de pertencimento, em que a população reafirma vínculos com a cidade, com sua formação histórica e com a tradição religiosa e popular em torno de Senhora Sant’Ana.
Bando anuncia a festa religiosa da padroeira
A Festa de Senhora Sant’Ana ocorre tradicionalmente entre 17 e 26 de julho, tendo o dia 26 de julho como data dedicada à padroeira de Feira de Santana. O Bando Anunciador, realizado antes da programação religiosa, funciona como abertura popular das comemorações.
Essa relação entre festa profana e festa religiosa revela a complexidade das celebrações tradicionais brasileiras. A devoção à padroeira convive com expressões de rua, musicalidade, humor e participação coletiva, compondo uma experiência cultural que ultrapassa o espaço estritamente litúrgico.
Em anos recentes, a tradição continuou integrada ao calendário cultural local. O Jornal Grande Bahia registrou, por exemplo, que a edição de 2025 foi marcada para o primeiro domingo de julho e ocorre tradicionalmente cerca de quinze dias antes da Festa de Senhora Sant’Ana, com grupos fantasiados, bandas e fanfarras percorrendo pontos históricos do centro da cidade.
Cultura, memória e ocupação do espaço público
A edição de 2011 reafirmou o Bando Anunciador como uma celebração de rua, aberta e plural. A presença da população no centro de Feira de Santana demonstrou que a retomada da manifestação alcançava adesão social e devolvia visibilidade a uma prática cultural de forte valor histórico.
O uso de fantasias, música, dança e brincadeiras preserva o caráter irreverente do Bando, sem afastá-lo de sua função original: anunciar a Festa de Senhora Sant’Ana. Essa combinação confere ao evento uma identidade própria, situada entre o sagrado e o popular, entre a memória religiosa e a festa comunitária.
A participação de instituições públicas, lideranças políticas, grupos culturais e moradores também indica que o Bando se consolidou como patrimônio simbólico da cidade. Sua permanência depende de organização, apoio institucional e reconhecimento social, sobretudo em um contexto no qual tradições populares frequentemente enfrentam descontinuidade, descaracterização ou perda de espaço no ambiente urbano.e manter viva uma tradição com raízes profundas na história local.








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