
O diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, entrevista o deputado federal ACM Neto, um das mais combativas vozes das oposições no Brasil. Concedida no gabinete do parlamentar em Salvador, em 22 de julho de 2011, durante a entrevista Neto discorre sobre: adesismo aos governos federal e estadual, corrupção na maquina pública federal, diminuição do papel do TCU, visita do ex-presidente Lula, esvaziamento do Democratas, reforma política em debate no Congresso Nacional, os problemas da capital baiana e sucessão em Feira de Santana.
Jornal Grande Bahia – Deputado ACM Neto, no plano nacional, e também no plano estadual, vários políticos têm aderido à base do governo. O DNA do político brasileiro é ser governista?
ACM Neto – Eu acho que lamentavelmente existe essa cultura no Brasil, do adesismo, de estar com o governo, qualquer que seja o governo. Desrespeitando a coerência, a ética, os princípios, a história de cada uma. O que a gente precisa chamar atenção, é que uma democracia só se faz com uma oposição forte. Então, não adianta todo mundo querer ser governo. Na Venezuela, por exemplo, que Hugo Chaves é quase um ditador, lá você tem no parlamento 39% de oposição. Aqui no Brasil você tem pouco mais de 20%. Exatamente por conta dessa cultura equivocada, e dos defeitos e vícios do sistema político brasileiro.
JGB – O senhor acredita que isso faz com que a democracia no Brasil avance pouco?
ACM Neto – Acho que sim. Uma coisa está diretamente ligada a outra.
JGB – Eu gostaria de saber do senhor com relação às denúncias de corrupção no governo federal?
ACM Neto – O que existe de verdade é que o governo vem tentando tirar poderes do TCU, exatamente para evitar que o Tribunal de Contas revele uma série de problemas que existe dentro da máquina pública federal. A corrupção está ai, está clara, em pastas do PT, Em pastas de aliados, e só será combatida no dia em que a presidente da república tiver a firme decisão de não transigir com as questões morais e éticas. De não conceder aquilo que ele não pode e do que não se deve fazer, principalmente no que se refere ao bom cuidado com o dinheiro público. Isso é a coisa mais sagrada que existe num país, e lamentavelmente o Brasil ainda precisa aprender muito, para melhorar em nível de transparência e, sobretudo em punição para aqueles que desviam a sua conduta e agem de forma corrupta.
JGB – O ex-presidente Lula esteve visitando a Bahia. Como o senhor avalia esta visita?
ACM Neto – Ele tem todo o direito de vir à Bahia. Não tem nenhum problema dele vir à Bahia. Mas acho que ele veio e esqueceu que não é mais presidente da República. Veio lançar programa, veio falar do governo, mas a presidente hoje é Dilma. Agora, o ex-presidente Lula tem aquele jeito dele espontâneo de ser, que alguns admiram e que outros contestam, porque às vezes ele comete alguns exageros. Acho que dessa vez aqui na Bahia, ele cometeu um erro grave, que foi exatamente desrespeitar uma presidente da República, que é quem pode lançar os programas e ações do governo.
JGB – O senhor é um dos expoentes dos Democratas no Brasil e aqui na Bahia. No entanto, aqui na Bahia esse partido tem sofrido um grande esvaziamento. O senhor credita esse tipo de esvaziamento, com relação ao seu próprio poder de liderança ou a quais outros?
ACM Neto – Primeiro vamos relativizar o esvaziamento. Porque eu acho que há muito especulação, tem muita coisa na imprensa que depois não se confirma. Depois, esse esvaziamento é em função de uma das primeiras perguntas que você fez. Essa síndrome adesista do Brasil, todo mundo que ser governo. E o Democratas é oposição. Mas eu não irei ceder, porque eu acho que nós temos coerência, e somos respeitados por isto. Por nós mantermos fieis à vontade do eleitor, ao recado das urnas. A política assim como tudo na vida, é cíclica. Chega um ponto que a fase e a hegemonia do PT e desses que governam hoje, irá acabar. E ai sim, nós temos que estar preparados para voltar ao poder.
JGB – O que o senhor poderia antecipar com relação à reforma política em curso no Congresso Nacional, que terá reflexo no próximo processo eleitoral?
ACM Neto – Acho que para o próximo processo eleitoral não terá mudança alguma. Ficará tudo como está. Pode haver uma reforma política com efeitos a partir de 2012, a partir das eleições de 2014. Acho que para a próxima eleição a regra será a mesma que vale hoje no Brasil.
JGB – No plano local o senhor é pré-candidato a prefeito de Salvador, e nós temos três problemas que afligem de sobremaneira o povo soteropolitano, emprego, transporte e moradia. É possível solucionar essas questões?
ACM Neto – Acho que existem outras também no mesmo nível de prioridade. Acho que é possível, ter uma boa prefeitura, tendo uma gestão eficiente, tendo uma gestão que não desperdice dinheiro público, tendo uma gestão que tenha boas pessoas nas áreas chaves, nas áreas estratégicas, e que priorize a prestação dos serviços públicos que são de responsabilidade direta da prefeitura, que precisa ter um bom prefeito. Isso é o que precisa ter. Se tiver um bom prefeito, eu acho que todos esses problemas e essa questão da gestão de Salvador, da qualidade dos serviços podem melhorar.
JGB – Com relação à Feira de Santana, como o senhor avalia a saída na próxima sexta-feira do prefeito Tarcízio Pimenta, que estará migrando para o PDT, e nós teremos muito possivelmente enfrentamento entre dois ex-aliados, o ex-prefeito José Ronaldo e o atual prefeito Tarcízio Pimenta. Como é que o Democratas e o senhor em particular avaliam esse processo?
ACM Neto – Eu avalio seguindo a vontade do povo de Feira e entendendo o que o povo de Feira pensa sobre isso. Eu não tenho dúvida de que José Ronaldo, pelo prefeito que foi, pela liderança que tem, voltará a governar Feira de Santana. Vai se eleger no primeiro turno, e vai corrigir uma série de problemas que a cidade enfrenta hoje, e o povo nas urnas em Feira de Santana vai dar a resposta a Tarcízio pelas suas decisões equivocadas a partir do momento que ele assumiu a prefeitura.
JGB – Existe a possibilidade de enfrentar Otto Alencar, um ex-aliado do senhor no processo eleitoral, caso se confirme o seu nome como candidato a prefeito. Como avalia esta possibilidade.
ACM Neto – A prefeito eu não sabia que Otto era candidato. Agora eu vejo o seguinte, vamos falar de candidatura na hora certa. Agora vamos falar de propostas para a cidade e para o Estado.










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