Irecê: Pior mesmo é a saúde, porque a gente precisa dos cuidados e quando chega aos hospitais, não tem médicos, Maria Solange

A minha conversa com Maria Solange de Souza Neta (47 anos), proprietária da Lanchonete Tudo de Bom, em Irecê, começou com uma simples pergunta: Como ela avaliava a administração de José das Virgens, prefeito do município?

Para minha surpresa, com os olhos cheios de lagrimas, veio o desabafo: “Moço, pior mesmo é a saúde. Porque a gente precisa dos cuidados, e quando chega aos hospitais não tem médicos. E foi o que aconteceu com minha filha.”.

O relato que se seguiu foi algo desolador, triste e cruel. A má qualidade do atendimento médico, o desrespeito aos mais necessitados, à falta de valor da vida das pessoas com menor poder aquisitivo. Triste cruel e verdadeiro. Maria Solange fala sobre a filha Letícia de Souza Barreto, morta em 30 de outubro de 2010, por falta de assistência médica adequada.

Solange atribui à deterioração da qualidade do atendimento médico à desativação do hospital municipal, no inicio da administração do governo petista de José das Virgens. Ela afirma que o hospital estadual tem foco na urgência e emergência e casos de menor repercussão ficam sem assistência.

Jornal Grande Bahia – Como você avalia a administração de José das Virgens?

Maria Solange – Pior mesmo é o atendimento no setor de saúde. Minha filha foi ao hospital estadual. O médico que atendeu ela nem olhou na cara da minha filha. Procurou saber o que ela tinha. Ela disse que estava com uma dor muito forte nas costas, falta de ar, muita falta de ar. O médico mandou aplicar uma injeção de diazepam, e voltar para casa. No outro dia ela foi direto para UTI, ficou doze dias intubada e morreu  aos 22 anos de idade.

JGB – Qual o nome da sua filha e quando ela faleceu?

Maria Solange – Letícia de Souza Barreto morreu no dia 30 de outubro de 2010. No dia 31, que foi o segundo turno das eleições, foi o enterro dela.

JGB – Qual foi o diagnóstico da causa mortis?

Maria Solange – Disseram que foi embolia pulmonar.

JGB – Onde ela recebeu o atendimento médico?

Maria Solange – No Hospital Regional de Irecê. Pelo médico Dr. Domingos. Que mal olhou para a cara dela, falou que ela tinha nervosismo e mandou aplicar uma injeção de diazepam.

JGB – Você sabe o nome completo do médico?

Maria Solange – Dr. Domingos. Não sei o sobrenome, mas é de Canarana, um morenão. Dr. Domingos de Canarana. Ele mal olhou para a cara dela. Falou que ela tinha nervosismo e mandou aplicar uma injeção de diazepam e ir para casa. No outro dia ela voltou, foi direto para UTI, e morreu. Uma menina de 22 anos.

No hospital eles só atendem emergência. E muita gente está morrendo. Eu conversei com uma amiga minha, que trabalha da DIRES, ela me disse: “Solange, já morreu muita gente e vai continuar morrendo. E vai morrer mais ainda, por que não tem jeito. O povo chega ao hospital e não tem vaga, não tem médico, só atende emergência”. Quando chega uma pessoa como a minha filha, morre.


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