Na visita a Moçambique e Angola, Dilma quer intensificar parcerias e ressaltar afinidades

A presidenta Dilma Rousseff passa o dia hoje (19/10/2011) em Maputo, capital de Moçambique. Ela segue depois para Luanda, em Angola, onde encerra amanhã a visita à África. Em sua primeira viagem ao continente, Dilma quer demonstrar as afinidades existentes entre brasileiros e africanos e intensificar os acordos para o desenvolvimento de parcerias – econômica, comercial e social.

De acordo com especialistas, Moçambique é o país da África com previsão de maior crescimento econômico. O principal projeto que conta com o apoio brasileiro no país é o Complexo de Miatize, no Norte, desenvolvido pela empresa Vale. No local, há minas de carvão, e o objetivo é produzir 12 milhões de toneladas. Cerca de US$ 6 bilhões são investidos.

Pelos dados do governo, Moçambique é o maior beneficiário da cooperação brasileira, envolvendo cerca de US$ 70 milhões. Há investimentos em saúde, como a fábrica de antirretrovirais, em educação, agricultura e formação profissional. O comércio entre os dois países aumentou de US$ 25 milhões, em 2010, para US$ 60 milhões, nos primeiros meses deste ano.

Em Maputo, Dilma participará das homenagens ao ex-presidente Samora Machel (1975-1986). Ele é considerado herói nacional por ter liderado a batalha pela independência da então colônia portuguesa e assumido como primeiro presidente moçambicano. Ao longo do dia, a presidenta se reúne com o presidente Armando Guebuza e empresários moçambicanos e brasileiros.

Em Angola, ela deve ressaltar que o Brasil foi o primeiro a reconhecer o governo independente do país, em novembro de 1975, e que apoiou os angolanos durante o período da Guerra Fria (1945-1991) – quando houve disputas estratégicas entre os Estados Unidos e o bloco da antiga União Soviética (URSS).

O atual momento político de Angola é delicado. Para a oposição, o governo do presidente José Eduardo Santos (no poder desde 1979) não respeita os preceitos democráticos. Porém, tradicionalmente, o governo brasileiro não se envolve em temas internos dos estrangeiros. A ideia é ressaltar o aspecto positivo da relação bilateral: o crescimento na parceria econômica e comercial.

De 2002 a 2008, o comércio bilateral cresceu mais de 20 veze,s atingindo US$ 4,21 bilhões, sendo que em 2010 chegou a US$ 1,441 bilhão. Os maiores investimentos brasileiros em Angola se concentram nas áreas de construção civil, energia e exploração mineral. As exportações brasileiras se concentram em carnes, açúcar, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos.

Durante a visita, podem ser assinados acordos de cooperação técnica, além de parcerias para o combate ao tráfico de drogas, o desenvolvimento de pesquisas em geologia e de programas de previdência social.

A presidenta encerrará a visita a Luanda com uma homenagem ao monumento a Agostinho Neto (1975-1979) – primeiro presidente de Angola. Por 27 anos (de 1975 a 2002), o país viveu sob intensa guerra civil que provocou mais de 500 mil mortos e que ainda hoje gera inúmeros problemas, como as minas terrestres que mutilam e matam principalmente crianças.

*Com informações: Agência Brasil


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