Vladimir Queiroz lança livro de poesias Alcatruz e assume cadeira na Academia de Letras e Artes de Feira de Santana

O escritor feirense Vladimir Queiroz lançou, na quinta-feira 29/03/2012, no Museu Parque do Saber, em Feira de Santana, o livro de poesias Alcatruz, obra dedicada à relação simbólica entre a água, a natureza, o homem e o sertão. O evento marcou também o ingresso do autor na Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, instituição presidida pela professora Lélia Vitor Fernandes, consolidando uma trajetória literária construída ao lado da produção técnica ligada à engenharia química, à engenharia de petróleo e à indústria energética.

Lançamento de Alcatruz reúne literatura, natureza e memória sertaneja

O lançamento de Alcatruz ocorreu em um espaço cultural de referência em Feira de Santana e reuniu familiares, leitores, representantes da área cultural e integrantes do meio acadêmico-literário local. A presença de Mônica Queiroz, esposa do autor, e do filho do casal reforçou o caráter afetivo e familiar do momento, registrado durante a apresentação pública da obra.

No novo livro, Vladimir Queiroz dá continuidade a uma vertente poética marcada pela escuta da natureza e pela reflexão sobre o meio ambiente. Segundo o escritor, os livros Instinto, publicado em 2010, e Alcatruz, publicado em 2011, resultam de um movimento literário voltado à percepção das “súplicas da natureza” e à tentativa de traduzir poeticamente os vínculos entre vida, ambiente e território.

Em sua avaliação sobre a própria produção, o autor afirma que Instinto dialoga com os animais em extinção, enquanto Alcatruz se aproxima dos mistérios da água, de sua relação com o ser humano, com a natureza e com o “torrão natal”: o sertão ressequido. A obra, conforme sua definição, busca ouvir “em calmaria” a turbulência ou não das águas, em uma combinação entre o belo, o sentir e o pensar.

Ingresso na Academia de Letras e Artes reforça reconhecimento cultural

Além do lançamento editorial, o evento representou um marco institucional para Vladimir Queiroz, que passou a integrar a Academia de Letras e Artes de Feira de Santana. A entidade, presidida pela professora Lélia Vitor Fernandes, reúne nomes ligados à produção literária, artística e intelectual do município.

A posse do escritor na instituição amplia o reconhecimento de sua atuação no campo cultural feirense. Sua trajetória combina formação técnica, atuação profissional em uma das principais empresas do setor energético nacional, participação em instituições culturais e dedicação constante à literatura, especialmente à poesia.

O ingresso em uma academia de letras tem significado simbólico relevante para a vida cultural de uma cidade. Em Feira de Santana, a presença de escritores com produção continuada contribui para fortalecer a memória literária local, valorizar autores regionais e preservar espaços institucionais dedicados à criação, ao pensamento e à palavra escrita.

Perfil de Vladimir Queiroz

Vladimir Queiroz nasceu em Feira de Santana, em 9 de dezembro de 1962. Graduou-se em Engenharia Química pela Universidade Federal da Bahia — UFBA e possui especialização em Engenharia de Petróleo, formação que dialoga com sua trajetória profissional na área energética.

Funcionário de carreira da Petrobras, Vladimir Queiroz desenvolveu atividades técnicas relacionadas à produção de petróleo. Ao longo da carreira profissional, escreveu mais de uma dezena de trabalhos técnicos ligados à área petrolífera.

Um desses trabalhos, voltado à conservação de energia em unidade industrial de petróleo, recebeu o Prêmio Qualidade Bahia, concedido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia — FIEB. A premiação evidencia a atuação técnica do autor em paralelo à sua produção literária.

Três décadas de produção poética

Ao longo de cerca de três décadas de atividade literária, Vladimir Queiroz construiu uma bibliografia extensa, marcada pela diversidade temática, pela experimentação poética e pela presença recorrente de elementos ligados ao sertão, à natureza, à memória e à linguagem.

Entre seus livros publicados estão Seres & Dizeres, Terracota, Infantilis, ABCdito e outros ditos mais, Apokálupsis do Sertão, Luminescência, Instinto, Alcatruz, Nuances, Muxarabis, Brasileirança, Kairós, Kara wã, Tropo, Sagittarius e Abayomi.

A amplitude dessa bibliografia revela uma produção contínua e multifacetada. A obra de Vladimir Queiroz transita entre referências regionais, inquietações ambientais, construções simbólicas e diálogo com tradições culturais mais amplas, mantendo a poesia como eixo central de sua trajetória intelectual.

Produção literária une sertão, meio ambiente e linguagem poética

A obra de Vladimir Queiroz revela uma relação constante com temas vinculados ao sertão, à condição humana e ao ambiente natural. Em Alcatruz, a água aparece como eixo simbólico e elemento de reflexão sobre escassez, permanência, memória e sobrevivência.

A escolha do tema aproxima a poesia do autor de questões ambientais e territoriais, especialmente quando associada ao sertão nordestino, onde a água assume dimensão material, cultural e existencial. Ao tratar da natureza não apenas como cenário, mas como interlocutora, o escritor insere sua produção em um campo literário sensível às tensões entre paisagem, vida e memória.

Essa abordagem amplia o alcance do livro para além do registro intimista. A poesia passa a funcionar como forma de observação do mundo, articulando experiência individual, pertencimento regional e preocupação ambiental. No caso de Vladimir Queiroz, essa perspectiva ganha relevo por sua formação técnica e por sua vivência profissional em área diretamente ligada à energia e aos recursos naturais.

Obras de Vladimir Queiroz circularam em países da Europa e da América Latina

A produção do poeta também ganhou projeção fora do Brasil. Obras como Nuances, Luminescência, Muxarabis e Kairós tiveram circulação em países como Portugal, Romênia, Colômbia, Itália, Albânia e Chile.

Esse percurso reforça a leitura de que sua poesia nasce de uma matriz brasileira, especialmente sertaneja e baiana, mas alcança interlocução com tradições literárias e culturais mais amplas. A circulação internacional contribui para ampliar a visibilidade da produção literária de Feira de Santana e insere o autor em um campo de diálogo que ultrapassa fronteiras regionais.

A presença de sua obra em ambientes literários nacionais e internacionais também evidencia a capacidade de a literatura produzida no interior da Bahia dialogar com leitores de diferentes contextos culturais. Nesse sentido, a trajetória de Vladimir Queiroz reafirma a importância de reconhecer autores locais não como expressões isoladas, mas como parte de uma rede mais ampla de criação, circulação e recepção literária.

Livros anteriores consolidaram trajetória poética

Antes de Alcatruz, Vladimir Queiroz já havia publicado obras que indicavam uma pesquisa literária marcada pela experimentação verbal e pela valorização de temas ligados ao imaginário regional. Seres & Dizeres, lançado em 1996, abriu sua trajetória editorial, seguido por Terracota, em 2001.

Em 2003, o escritor publicou Infantilis e ABCdito e outros ditos mais, obras que ampliaram seu repertório criativo. Em 2006, lançou Apokálupsis do Sertão, título que já indicava a presença do sertão como matéria literária relevante em sua produção.

Com Luminescência, em 2008, e Instinto, em 2010, o autor consolidou uma sequência de publicações que antecederam Alcatruz. O reconhecimento obtido com o primeiro lugar no Projeto Cultural Petrobras, na categoria poesia, reforçou a projeção de sua obra em ambiente literário mais amplo.

Cultura literária em Feira de Santana

O lançamento de um livro de poesia e a posse de um escritor em uma academia de letras possuem importância particular em cidades com tradição cultural própria. Em Feira de Santana, município marcado por intensa circulação econômica, social e cultural, iniciativas literárias ajudam a preservar a dimensão simbólica da vida urbana e regional.

A realização do evento no Museu Parque do Saber também reforça a conexão entre literatura, educação e difusão cultural. Espaços públicos ou institucionais voltados ao conhecimento cumprem papel relevante ao aproximar autores, leitores e comunidade.

Nesse contexto, a trajetória de Vladimir Queiroz representa a permanência de uma tradição intelectual que valoriza a escrita como forma de interpretar o território. Sua obra dialoga com elementos regionais sem se limitar ao localismo, pois aborda temas universais, como natureza, finitude, escassez, memória e sensibilidade humana.

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