Diretor de radiojornalismo da Secom Bahia, Edmundo Filho avalia setor público e destaca impacto social da seca

O jornalista Edmundo Carvalho Santana Filho, diretor do Departamento de Radiojornalismo da Secretaria de Comunicação da Bahia — Secom Bahia, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, durante as comemorações da 200ª edição do programa “Conversa com o Governador”, realizadas em 27 de março de 2012, no Hotel Fiesta, em Salvador.

Na entrevista, Edmundo Filho avaliou o papel do rádio como instrumento de aproximação entre governo e sociedade, destacou a importância da comunicação pública em um estado de grande extensão territorial, comentou sua passagem da iniciativa privada para o serviço público e relatou o impacto humano da seca no sertão baiano.

Para o jornalista, a experiência na administração pública ampliou sua visão profissional ao exigir contato permanente com diferentes demandas sociais. Segundo ele, enquanto a iniciativa privada costuma atuar voltada a segmentos específicos, o serviço público impõe ao comunicador uma percepção mais abrangente da sociedade.

“Você passa a lidar com mais pessoas, sob outro ângulo, com uma visão mais aberta e voltada para o atendimento mais amplo possível. Não fica restrito, como às vezes ocorre na iniciativa privada, a um segmento ou setor. O governo trabalha com todos os setores da sociedade”, afirmou.

Ao tratar da seca que atingia a Bahia naquele período, Edmundo Filho classificou o drama do sertanejo como uma das experiências mais marcantes de sua trajetória jornalística.

“Acredito que, das matérias que cobri ao longo da minha vida profissional, a que mais me tocou foi a fome do sertanejo”, declarou.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia — O programa “Conversa com o Governador” chegou à edição número 200. Que avaliação o senhor faz dessa iniciativa de comunicação com a sociedade baiana?

Edmundo Filho — Acho que foi um passo importante e inovador quando o governador Jaques Wagner decidiu criar um programa de rádio para se aproximar cada vez mais do povo baiano, por meio da comunicação, dentro do princípio de um governo democrático e transparente.

O rádio cumpre um papel essencial por sua capilaridade, por sua função social nas comunidades e pela identidade que os radialistas mantêm com seu público. Ao chegarmos à edição número 200, fazemos uma avaliação extremamente positiva do resultado alcançado em cinco anos, contando, evidentemente, com a colaboração dos profissionais que compreenderam a importância desse instrumento.

O programa permite que a principal liderança política do Estado apresente ações, projetos e programas de governo que interferem, de algum modo, no cotidiano da sociedade. Também possibilita tratar de temas políticos e administrativos relevantes, além de abordar opiniões de lideranças sobre diversos assuntos.

Chegamos até aqui com bastante luta, dedicação e empenho de toda a equipe. É um trabalho feito por várias mãos. Não é apenas o trabalho do governador, nem da pessoa que apresenta, que sou eu. Esse resultado é dividido com quem constrói a pauta, faz a produção, a edição, auxilia no relacionamento com as emissoras e participa da distribuição do conteúdo.

Também é importante reconhecer o papel dos profissionais de rádio e da mídia eletrônica, que compreenderam a relevância dessa ferramenta. O programa dialoga ainda com o público da internet, que busca interatividade e informação instantânea, em um formato muito próximo da linguagem radiofônica.

Jornal Grande Bahia — Na avaliação do senhor, por que o rádio continua sendo tão relevante para a comunicação pública na Bahia?

Edmundo Filho — Porque o rádio tem uma presença muito forte nas comunidades. Ele chega onde outros meios nem sempre chegam com a mesma facilidade. Em um estado como a Bahia, com grande extensão territorial e realidades sociais muito distintas, essa capilaridade é fundamental.

Além disso, o radialista tem uma relação de identidade com o público. Muitas vezes, ele é uma referência direta para aquela comunidade. Essa proximidade dá ao rádio uma força social que precisa ser valorizada, especialmente quando se trata de comunicação pública.

Jornal Grande Bahia — O cidadão que acompanha o programa pode enviar uma pergunta para ser respondida em uma edição posterior?

Edmundo Filho — Sim. Criamos o número 0800 071 7328, pelo qual a pessoa pode ligar gratuitamente. Recebemos chamadas de várias partes do Estado.

Estamos em um processo de discussão interna para avançar nessa interatividade, de modo que ela não dependa apenas do telefone. Ainda assim, o 0800 continua sendo uma ferramenta muito importante, porque nem todas as localidades têm acesso adequado à internet.

Em cidades como Salvador e Feira de Santana, que é uma cidade-polo, mais desenvolvida e a segunda em importância política e econômica na Bahia, o acesso à internet é maior. Mas, em várias regiões do interior, o telefone ainda é uma forma mais direta e ágil de comunicação. Por isso, estamos debatendo maneiras de ampliar a participação da sociedade no programa.

Jornal Grande Bahia — As demandas enviadas pelo 0800 que não são respondidas durante o programa recebem algum encaminhamento?

Edmundo Filho — Sim. Encaminhamos essas manifestações às secretarias de governo e às assessorias competentes para que façam o atendimento.

Às vezes, a pessoa liga para o 0800 071 7328, mas a demanda não se enquadra no espaço da fala do governador no programa. Pode ser uma informação, uma crítica, um pedido ou uma sugestão. Nesses casos, fazemos o encaminhamento para a secretaria responsável, seja na área de gestão, seja na área de informação.

Evidentemente, nem sempre é possível resolver tudo no ambiente do programa de rádio. Mas as manifestações recebidas têm o devido encaminhamento.

Jornal Grande Bahia — O formato do “Conversa com o Governador” já está consolidado ou ainda pode passar por mudanças?

Edmundo Filho — A proposta do programa é ser uma conversa, um bate-papo informal. Incluímos jingle, vinheta, passagem e, geralmente, uma vinheta no encerramento. Em alguns quadros, como o “Fala Povo”, há também uma vinheta diferenciada.

O formato está consolidado, mas isso não significa que ficará imutável até o final do governo. Sugestões são sempre bem-vindas. Estamos constantemente buscando aperfeiçoamento. Toda forma que encontrarmos para melhorar o conteúdo será considerada.

Jornal Grande Bahia — O senhor tem republicado, nas redes sociais, vídeos e matérias produzidos quando atuava na iniciativa privada. Sente falta do trabalho em campo ou pretende incorporar essa experiência às produções da Secretaria de Comunicação?

Edmundo Filho — Acho que a vida é construída passo a passo. Meu pai dizia: “Não importa que alguém suba as escadas que eu já desci”. A experiência na iniciativa privada me deu lastro para chegar à esfera pública com certa vivência. Da mesma forma, a vivência no setor público fez com que minha experiência de vida também evoluísse.

No serviço público, você passa a lidar com mais pessoas, sob outro ângulo, com uma visão mais aberta e voltada para o atendimento mais amplo possível. Não fica restrito, como às vezes ocorre na iniciativa privada, a um segmento ou setor. O governo trabalha com todos os setores da sociedade.

Você interage com pessoas de diferentes classes sociais, empresariais e interesses diversos. Evidentemente, precisa se moldar e se aperfeiçoar para atender a esse modelo de gestão democrática e transparente.

A possibilidade de retorno à iniciativa privada não pode ser descartada. Da mesma forma, se eu estivesse do outro lado, não haveria nenhum problema. Na condição de comunicador, continuo exercendo, de algum modo, uma atividade de imprensa. Também exerço essa atividade no governo, no dia a dia. Isso está no sangue, e a gente nunca se dissocia completamente.

Jornal Grande Bahia — A experiência no setor público mudou a forma como o senhor observa a comunicação?

Edmundo Filho — Mudou, porque amplia a percepção sobre a sociedade. A iniciativa privada me deu uma base profissional importante, mas o setor público exige outro tipo de olhar. Você passa a compreender melhor a complexidade das demandas sociais e a necessidade de atendimento amplo.

O governo trabalha com diferentes setores, diferentes regiões e diferentes interesses. Isso exige responsabilidade, equilíbrio e capacidade de escuta. A comunicação pública precisa levar em conta essa diversidade.

Jornal Grande Bahia — A seca que atingia a Bahia naquele período, considerada uma das mais intensas das últimas décadas, tocou o senhor de alguma maneira?

Edmundo Filho — Sem dúvida. O drama do sertanejo é algo comovente e, às vezes, assustador, porque você não encontra perspectivas, pelo menos no curto prazo. As ações que o governo tem encaminhado nessa direção são essenciais.

Como o governador Jaques Wagner costuma dizer, esse drama não apenas sensibiliza; ele causa dor em quem vive a situação e também em quem, de algum modo, convive com essas pessoas ou aprofunda esse contato.

Acredito que, das matérias que cobri ao longo da minha vida profissional, a que mais me tocou foi a fome do sertanejo. Refiro-me à pessoa que está em uma localidade rural distante e não vê perspectiva.

Se os governos, no passado, não enxergaram isso, penso que, mesmo considerando a grande extensão territorial da Bahia, deve ter havido algum erro de comunicação. Sem dúvida, o drama vivido pelo sertanejo é algo muito assustador.

Jornal Grande Bahia — O Jornal Grande Bahia agradece pela entrevista.

Edmundo Filho — Eu lhe agradeço, Carlos Augusto. Parabéns pelo seu trabalho. Mais uma vez, obrigado por ter vindo nos prestigiar e por receber este abraço caloroso.

Cada espaço que conquistamos de relacionamento, amizade e, fundamentalmente, de trabalho passa a fazer parte da nossa família. Você também faz parte da nossa família. Um abraço e sucesso em sua caminhada.

Nota editorial — Ao longo da relação profissional mantida com o Jornal Grande Bahia, Edmundo Filho demonstrou postura ética, profissional e respeitosa em relação à independência editorial do veículo. Em nenhum momento solicitou a publicação de matérias favoráveis ao governo, críticas a adversários políticos ou questionamentos sobre a linha editorial do órgão de imprensa.


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