Justiça atende Ministério Público e suspende a diplomação de prefeito eleito de Ibotirama

Um esquema de “apadrinhamento político, financiamento irregular de campanha (formação de “caixa dois”), compra de candidatos e cooptação política e econômica de apoio e voto, inclusive da oposição”. Apurado pelo promotor de Justiça Eleitoral Artur Rios, o esquema levou a Justiça a suspender a diplomação do prefeito eleito de Ibotirama (a 648 km de Salvador), Claudir Terence Lessa Lopes de Oliveira, e do vice-prefeito eleito, Antenor Pinto Mariano Filho. A decisão em caráter liminar do juiz Pedro Henrique Izidro da Silva determina ainda a quebra dos sigilos bancários dos dois suspensos e do atual prefeito Wilson Oliveira Leite, suspeito de envolvimento no esquema. Foi determinada ainda a busca e apreensão de dois cheques que teriam sido usados na formação de “caixa dois”.

Segundo o promotor eleitoral Artur Rios, o abuso de poder político e econômico não se resumiu à compra de apoio político de candidatos a vereadores, nem à arregimentamento de um esquema de favorecimento e “burla à paridade de armas no pleito eletoral”, valendo-se de vultosa quantia em dinheiro. “Foi muito além, chegando literalmente à negociata de cargos públicos, salários e rateio de Secretarias Municipais, em troca de apoio partidário nas eleições”, destacou, acrescentando que “a negociação com o erário e os cargos da administração”, levada a efeito em conversas com lideranças na busca de apoio antes das eleições, demonstra demonstra claramente a forma com que foi conduzida a “desigual disputa eleitoral em Ibotirama, com resultado claramente influenciado por demonstrações de poder político e econômico”.

Acerca de formação de “caixa dois”, Artur Rios ressaltou que nenhum dos valores movimentados e referidos nas ações que configuraram o abuso de poder político e econômico constou da prestação de contas apresentada pelo candidato eleito a prefeito de Ibotirama à Justiça Eleitoral. “Nas negociações de apoio, o atual prefeito e o seu candidato, agora eleito, valeram-se ilicitamente da máquina administrativa de tal forma que tornou-se impossível diferir o público do privado, num cenário em que ambos assumiam compromissos em nome da administração, chegando mesmo a arcar com despesas privadas, partidárias e públicas, sem sequer declará-las à Justiça”, concluiu o promotor, ressaltando que a forma de condução do processo eleitoral comprometeu os projetos públicos e o orçamento municipal de Ibotirama para os próximos quatro anos.

*Com informação do Ministério Público  Estado da Bahia.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.