Reconduzido pela quarta vez para a presidência da Alba, Marcelo Nilo torna-se um péssimo exemplo de empoderamento institucional

Marcelo Nilo, por quatro vezes consecutivas é reconduzido à presidência da AL-BA. Um exemplo político que não deve ser seguido. Deputado Zé Neto organizou uma liderança inconteste que culminou com uma eleição sem disputas. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Marcelo Nilo, por quatro vezes consecutivas é reconduzido à presidência da AL-BA. Um exemplo político que não deve ser seguido. Deputado Zé Neto organizou uma liderança inconteste que culminou com uma eleição sem disputas. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Deputado Zé Neto organizou uma liderança inconteste que culminou com uma eleição sem disputas. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Deputado Zé Neto organizou uma liderança inconteste que culminou com uma eleição sem disputas. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Os deputados baianos, reunidos na tarde de hoje (01/02/2013), reconduziram pela quarta vez consecutiva o deputado Marcelo Nilo (PDT), para a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Não se tratou de uma eleição, mas um referendo, onde, dos 62 deputados presentes à sessão, 61 votaram favorável à recondução de Nilo, que encabeçava a liderança da única chapa inscrita para o pleito.

Um deputado comentou que a alternância da representatividade democrática é um dos oxigênios da democracia. Pode-se acrescentar que a democracia, na Bahia, encontra-se asfixiada, sufocada, obliterada pela incapacidade da promoção do debate, da alternância do poder. Nunca na história da AL-BA os deputados agiram com tamanho servilismo a liderança de um homem, Marcelo Nilo, e a força do poder executivo, na liderança do governador de plantão, no caso, Jaques Wagner. Por conta disto, não se pode falar em eleição, mas em referendo.

A escolha foi exógena ao poder, imposta pela vontade do próprio Marcelo Nilo, e do governador da Bahia. Coube aos “representantes populares” referendar a escolha, com desdobramentos negativos para a política baiana e brasileira. Certamente, presidentes de câmara de vereadores se sentirão estimulados a adotarem a pratica de empoderamento institucional. Perpetuando-se no poder, evitando o debate e a necessária disputa ideológica e institucional.

Sem o revezamento da representatividade, perdemos todos. O povo, que não tem os principais temas levados ao debate parlamentar, e os próprios políticos, que se tornam apenas representantes dos interesses deles próprios.

“As favas com o povo. Queremos nos banquetear, nos refastelar na mesa do poder!”, dirão muitos políticos.

Os que criticam o deputado Zé Neto, líder do governo e da maioria na AL-BA, terão que engolir o fato do mesmo ter montado e liderado a maior bancada de apoio ao governo do estado. Para eclipsar, uma tímida, pálida e abatida oposição, Neto foi capaz de organizar todos os interesses em uma única chapa, silenciando toda e qualquer divergência possível.

O único voto não computado a favor de Marcelo Nilo, foi dado por um deputado estadual que diante da força de uma maioria governista, teve como forma de protesto o silêncio e o voto. Talvez, isto nos dê esperanças, ou apenas representante de forma emblemática a submissão de todos os deputados diante da força governista.

Hoje, a democracia ficou um pouco mais pobre.

*Carlos Augusto é jornalista, dirige o Jornal Grande Bahia e é cientista social em formação pela URFB.


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