Brasil e Estados Unidos se encontrarão em um futuro próximo, no quesito desigualdade, acredita o economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea) e também ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). “No Brasil, a desigualdade é ainda muito alta, mas ela enseja uma boa notícia, a de que pode permanecer em queda. Num período de menos de dez anos, se esse cenário se mantiver e a tendência norte-americana continuar de aumento, o Brasil poderá alcançar os Estados Unidos”, afirma em entrevista à próxima edição da revista “Conjuntura Econômica”, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/ FGV), obtida com exclusividade pelo Brasil Econômico.
Neri demonstra otimismo com os indicadores conjunturais, tanto os que dizem respeito à economia quanto os relativos ao campo social, na atualidade. A leitura do presidente do Ipea sobre uma es-tagnagnação no processo de queda da desigualdade — como demonstra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, última a ser divulgada — é que esse foi um desempenho pontual. “Ela (a desigualdade) ficou parada entre janeiro de 2012 e janeiro de 2013 e depois voltou a cair até mais fortemente que antes. A parada da desigualdade de 2012 não veio pra ficar”, diz Neri, complementando que pesquisas do Ipea demonstram que o cenário já é melhor no primeiro semestre de 2013 do que em 2012.
Ele admite que ainda há espaço para que o governo continue desenvolvendo programas de inclusão social, apesar de afirmar também que, ao contrário do crescimento econômico e do avanço social, a queda da desigualdade tem limite. “No Brasil, a desigualdade é ainda muito alta, mas ela enseja uma boa notícia, a de que pode permanecer em queda”, ressalta.
Porém, destaca que a agenda do novo presidente da República é de conferir mais qualidade aos programas sociais e econômicos. “Nos últimos dez anos a gente deu os brasileiros pobres aos mercados consumidores, mas precisamos dar um Estado e um mercado de mais qualidade aos pobres brasileiros, com políticas públicas de mais qualidade, mercado de trabalho e consumidor de crédito, enfim, tem toda uma agenda que está colocada, seja pelas manifestações, seja pelas eleições”.
Neri é um incentivador do programa Bolsa Família — uma “commodity brasileira como a soja” — e enxerga nele um potencial para continuar incluindo social e economicamente as fatias mais pobres da população. Mas ele aposta, daqui para frente, no que classifica como sendo “o caminho do meio”, aquele que depende de “olhar e ouvir a população”. “Ouvindo as vozes das ruas, temos grandes desafios, como os das mídias digitais, esse novo tipo de democracia, e os urbanos, que nem são muito novos assim: transporte público, educação e saúde de qualidade”, salienta.
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