A convite da gestão do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), o diretor e editor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, conheceu ontem (31/07/2014), a Escola Antônio Gonçalves Silva, localizada no bairro Parque Ipê.
O equipamento público foi anunciado como uma espécie de “escola modelo” para a rede municipal, mas o que foi constatado é a recorrente falha no planejamento e execução da infraestrutura pública do município. Por trás de um aparente ar de modernidade, a escola municipal Antônio Gonçalves Silva apresenta as seguintes falhas:
Não foi projetada uma sala-refeitório para os estudantes, o que obrigou a gestão municipal a colocar mesas e cadeiras, com uma singela placa, na área do pátio da escola e denominá-la de refeitório. Além de improvisar a solução, esqueceram de colocar lavatórios próximo ao “refeitório”, para que antes de se alimentar os estudantes possam habituar-se à higiene das mãos;
Na cozinha da escola falta sistema de exaustão, a geladeira é adequada para uma família de três pessoas, e a dispensa é excessivamente estreita para circulação de uma pessoa;
Ao invés de bebedores de água potável para crianças, o que foi instalado foi um equipamento utilizado em postos de combustível para caminhoneiros, o equipamento fica ao lado da quadra poliesportiva. Na área do pátio e nas proximidades da área de lazer não foram instalados bebedores;
A área de lazer é pequena para a quantidade de alunos, ou seja, a possibilidade de conflito entre alunos é mais do que evidente, ao invés do convívio e da interação pacífica, em função do limitado espaço físico destinado ao horário do recreio;
Na sala destinada a biblioteca faltavam livros. Também foram instalados computadores, porém, o número reduzido de computadores não comporta uma turma completa, impedindo o desenvolvimento de atividades em grupo;
Mas, o pior é a falta de visão no que concerne a educação como elemento de coesão social, ou seja, a escola é um elemento que pode não apenas educar os cidadãos, mas fazer com que a comunidade interaja com o ambiente, extrapolado a educação do indivíduo para a comunidade. Falta a escola um auditório para as inúmeras atividades escolares, por exemplo, para que os pais pudessem ver as apresentações dos filhos, para que ocorressem amplas reuniões entre o corpo docente, discente e a comunidade, dentre outras possibilidades;
Apresentada com quintessência do investimento no esporte, uma quadra coberta foi construída. As dimensões da quadra, para a idade do alunado que deve frequentar a escola, parecem não se ajustar. Mas, o que chamou a atenção foi a falta de uma arquibancada para que os pais dos alunos e membros da comunidade pudessem acompanhar os eventos esportivos e outras atividades. Mais uma vez a escola não é pensada como elemento de coesão social;
É desnecessário dizer que a escola não possuí recuo em relação à rua, o que obriga a obstrução da via quando pais, utilizando veículos, forem apanhar ou deixar os filhos na escola;
Também não foi apresentado estacionamento privativo para os funcionários da escola, o que obriga os servidores municipais a estacionarem os veículos na rua, no entorno do prédio, impactando negativamente na vida da comunidade, uma vez que as vias no entorno da escola são estreitas;
As salas de aulas, como em quase todas as escolas construídas nas gestões do prefeito José Ronaldo, não possuem acabamento no teto, deixando o telhado à vista, dando impressão de algo inacabado;
Conclui-se que o modelo adotado pelo município apresenta graves deficiências de projeto e execução, inclusive com áreas de risco que potencializam acidentes com os estudantes. Observa-se que no momento em que a sociedade discute a necessidade da escola em tempo integral, a escola Antônio Gonçalves Silva não foi pensada no sentido de se adequar a esta nova demanda social.
Conclui-se, também, que as escolas municipais são ruins, no que tange a infraestrutura, não porque falta dinheiro, mas por falta de uma visão da gestão municipal do que é uma “escola pública modelo”, e da função que exerce como elemento de coesão social.
Sobre a estrutura da escola
A escola Antônio Gonçalves Silva tem como estrutura nove salas de aula, auditório, biblioteca, quadra poliesportiva coberta, parque infantil, cozinha, refeitório, sala de professores, sala de materiais didáticos, secretaria, diretoria e diversos banheiros. A capacidade de alunos será de 400 por turno, totalizando 800 matrículas por ano.
Confira imagens da escola municipal Antônio Gonçalves Silva















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