Da implantação à inauguração: Saint-Gobain investe R$ 125 milhões em fábrica de drywall em Feira de Santana

Nesta terça-feira, 25/11/2014, a multinacional francesa Saint-Gobain inaugurou oficialmente, no Centro Industrial do Subaé, em Feira de Santana, a segunda fábrica brasileira da Placo do Brasil, destinada à produção de placas de drywall. O empreendimento, anunciado pelo Governo da Bahia e pela companhia em dezembro de 2012, recebeu investimento de aproximadamente R$ 125 milhões, iniciou a operação em escala reduzida em fevereiro de 2014 e chegou à inauguração com capacidade superior a 20 milhões de metros quadrados por ano e 70 empregos diretos.

Projeto foi anunciado em dezembro de 2012

A implantação da unidade começou a tomar forma pública em 10 de dezembro de 2012, quando dirigentes da Placo do Brasil e da Saint-Gobain apresentaram o projeto ao então governador Jaques Wagner e ao secretário estadual da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, no prédio da Governadoria, em Salvador.

Participaram da apresentação o diretor-geral da Placo do Brasil, Stenio Almeida, e o delegado-geral da Saint-Gobain para Brasil, Argentina e Chile, Benoit d’Iribarne. Na ocasião, a companhia informou que a fábrica seria construída em Feira de Santana e que o início das atividades estava previsto para o segundo trimestre de 2014.

O investimento anunciado foi de R$ 125 milhões. A unidade seria destinada à fabricação de placas de gesso acartonado utilizadas em sistemas de construção a seco, principalmente na montagem de paredes internas, divisórias, revestimentos e forros.

A fábrica representava a expansão da capacidade produtiva da Placo para fora do estado de São Paulo. Até então, a produção brasileira da empresa estava concentrada em Mogi das Cruzes, onde funcionava sua primeira unidade industrial no país.

Governador participa de ato inaugural

A inauguração oficial contou com a presença de Jaques Wagner, James Correia, Stenio Almeida, executivos da Saint-Gobain, dirigentes da Placo e autoridades municipais e estaduais.

Na ocasião, a fábrica foi apresentada como a segunda unidade brasileira da Placo e a primeira instalada na Bahia. A capacidade divulgada superava 20 milhões de metros quadrados de placas de drywall por ano.

O investimento total permaneceu estimado em R$ 125 milhões, abrangendo obras civis, equipamentos, sistemas automatizados e a estrutura necessária à fabricação e distribuição dos produtos.

A abertura da unidade ampliou a presença da Saint-Gobain no Nordeste e reduziu a dependência da fábrica de Mogi das Cruzes para o atendimento das regiões mais distantes do Sudeste.

A descentralização também permitiu diminuir os percursos rodoviários entre a fábrica e os mercados consumidores, aspecto relevante para um produto industrial cujo transporte representa parcela significativa dos custos logísticos.

Feira de Santana foi escolhida pela logística

A escolha do município resultou de uma combinação de fatores econômicos e logísticos. Além da conexão rodoviária, a direção da Placo considerou o crescimento do mercado de drywall no Nordeste e a necessidade de aproximar a produção dos consumidores regionais.

A empresa também buscava reduzir a distância em relação às áreas produtoras de gipsita, matéria-prima utilizada na fabricação das placas de gesso. Parte relevante da produção mineral brasileira está concentrada no Nordeste, especialmente na região do Araripe, em Pernambuco.

A proximidade relativa com a matéria-prima permitiria diminuir custos de transporte e melhorar o abastecimento da linha industrial. Ao mesmo tempo, a localização em Feira de Santana facilitaria o envio das placas para distribuidores, construtoras e empreendimentos imobiliários de diferentes estados.

Durante a inauguração, Stenio Almeida afirmou que a expansão regional do mercado foi determinante para o investimento. Segundo o executivo, a empresa pretendia estar “mais próxima dos mercados que estão crescendo” e das fontes de gipsita.

O diálogo com o Governo da Bahia e com a Prefeitura de Feira de Santana também foi citado pela direção da companhia como um dos elementos considerados no processo decisório.

Obras projetaram centenas de postos temporários

Durante o lançamento do empreendimento, a previsão oficial era de que a execução da obra gerasse mais de 300 postos de trabalho diretos e 150 indiretos. Os números estavam relacionados à fase de implantação, incluindo construção civil, montagem industrial, transporte, fornecimento de materiais e serviços vinculados à instalação da fábrica.

A projeção inicial não correspondia, portanto, ao número permanente de trabalhadores necessários para a operação industrial. A distinção é relevante porque os empregos da construção tendem a diminuir após a conclusão das obras, enquanto as vagas operacionais permanecem vinculadas ao funcionamento da unidade.

O projeto foi instalado no Centro Industrial do Subaé, às margens da BR-324. A localização permitia acesso aos principais corredores rodoviários que conectam Feira de Santana a Salvador, ao interior da Bahia e a outros estados das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

A posição geográfica do município foi um dos fatores determinantes para a decisão empresarial. Feira de Santana está próxima das rodovias BR-116, BR-324 e BR-101, utilizadas para o transporte de matérias-primas e a distribuição de produtos industrializados.

Construção avançou durante 18 meses

Em 23 de outubro de 2013, representantes da Saint-Gobain reuniram-se com o então prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, no Paço Municipal Maria Quitéria, para apresentar o estágio de implantação da fábrica.

Participaram do encontro o diretor industrial da empresa, José Ernesto Luksa; o diretor-geral da Placo, Stenio Almeida; e o gerente da fábrica em Feira de Santana, Edmilson Cesar Buosi.

Naquele momento, a unidade encontrava-se em fase de conclusão. Segundo as informações apresentadas pela empresa, as obras haviam avançado durante aproximadamente 18 meses, período considerado reduzido diante da dimensão da estrutura industrial e da instalação dos equipamentos de produção.

A companhia informou que o empreendimento já havia gerado 50 empregos diretos durante a implantação. Também reafirmou o investimento de R$ 125 milhões e anunciou que a produção começaria no ano seguinte.

A reunião com a administração municipal integrou o diálogo institucional necessário para a implantação do empreendimento. Grandes projetos industriais dependem de procedimentos relacionados a licenciamento, infraestrutura viária, abastecimento, energia, tributação, uso do solo e acesso a serviços públicos.

Produção começou antes da inauguração oficial

Embora a cerimônia de inauguração tenha ocorrido somente em novembro de 2014, a fábrica começou a produzir em escala reduzida em fevereiro daquele ano.

A fase inicial permitiu testar equipamentos, ajustar a linha de produção, treinar trabalhadores e avaliar os procedimentos de fabricação, controle de qualidade, armazenamento e distribuição.

O início gradual das atividades também possibilitou que a empresa formasse estoques e começasse a atender clientes antes da entrada em operação plena. A fábrica dispunha de equipamentos automatizados e sistemas industriais apresentados como tecnologicamente avançados para o setor de construção a seco.

Em abril de 2014, durante uma visita a empreendimentos industriais de Feira de Santana, o Governo da Bahia informou que a Placo já realizava testes para a produção das placas de gesso acartonado. Naquele momento, a implantação da unidade era associada à criação de mais de 100 empregos diretos e indiretos.

As diferentes estimativas divulgadas ao longo do projeto refletiam fases distintas do empreendimento. Os primeiros números estavam associados à construção; as estimativas intermediárias incluíam empregos diretos e serviços terceirizados; e o dado confirmado na inauguração correspondia às vagas diretas existentes na operação.

Operação começou com 70 empregos diretos

Na inauguração, a Placo informou que a unidade mantinha 70 empregos diretos, com prioridade para a contratação de trabalhadores da região de Feira de Santana.

O número representava um crescimento em relação aos 50 postos diretos informados em outubro de 2013, quando a fábrica ainda estava em fase de conclusão. A comparação, entretanto, exige cautela, porque os dados se referiam a momentos e atividades diferentes do projeto.

Entre os trabalhadores apresentados durante a inauguração estava Josemar dos Santos, então com 35 anos, contratado como coordenador administrativo-financeiro. Natural de Jequié, ele havia trabalhado anteriormente no Polo Industrial de Camaçari e estava havia 11 meses na empresa.

Josemar afirmou que pretendia construir carreira dentro do grupo e destacou a experiência de acompanhar a instalação de uma nova unidade industrial na Bahia. O relato representava a dimensão profissional do investimento, que envolveu recrutamento, treinamento e formação de equipes para operar a fábrica.

A unidade automatizada demandava trabalhadores das áreas de produção, manutenção, administração, logística, segurança industrial, laboratório e controle de qualidade.

Jaques Wagner destacou modernização da construção civil

Durante a cerimônia, Jaques Wagner relacionou o empreendimento à modernização dos métodos utilizados pela construção civil brasileira.

O então governador afirmou que as placas de drywall poderiam ser utilizadas em novas etapas do programa habitacional Minha Casa Minha Vida. Na avaliação apresentada durante o evento, o sistema permitiria agregar tecnologia e reduzir impactos associados aos métodos convencionais.

Wagner classificou o produto como um método construtivo “mais moderno e ecologicamente correto” e afirmou que a instalação de multinacionais contribuía para apresentar a Bahia a outros investidores estrangeiros.

O drywall é composto por placas de gesso fixadas em estruturas metálicas. O sistema pode substituir paredes internas de tijolos e blocos em determinados projetos, além de ser empregado em forros, revestimentos e soluções de isolamento acústico.

O material é utilizado em residências, hotéis, hospitais, cinemas, centros comerciais e edifícios empresariais. Entre suas características estão a menor utilização de água na obra, a redução do peso das paredes e a possibilidade de execução mais rápida.

A utilização adequada, contudo, depende de projeto, especificação correta dos materiais e mão de obra qualificada, especialmente em ambientes expostos à umidade, impactos ou exigências de proteção contra incêndios.

Investimento integrou expansão industrial do município

A implantação da fábrica ocorreu em um período de atração de novos investimentos para Feira de Santana. Em 2013, o Governo da Bahia estimava que mais de R$ 1 bilhão havia sido aplicado na instalação de fábricas e unidades industriais na região.

O município já reunia empresas dos segmentos de pneus, alimentos, bebidas, embalagens, metalurgia, produtos químicos, logística e materiais destinados à construção civil.

A chegada da Placo ampliou a diversificação do parque industrial local e fortaleceu a ligação entre a indústria feirense e a cadeia produtiva da construção.

O empreendimento também reafirmou a função logística de Feira de Santana. O município conecta a capital baiana ao interior do estado e constitui uma passagem para cargas transportadas entre o Nordeste, o Sudeste e o Centro-Oeste.

Linha do tempo do projeto à inauguração

7 de dezembro de 2012 — Divulgação do anúncio

O Jornal Grande Bahia informou que a Placo do Brasil anunciaria a implantação da nova fábrica em Feira de Santana. O empreendimento seria apresentado ao Governo da Bahia três dias depois.

10 de dezembro de 2012 — Apresentação ao Governo da Bahia

Dirigentes da Saint-Gobain e da Placo apresentaram o projeto a Jaques Wagner e James Correia, no prédio da Governadoria. O investimento anunciado foi de R$ 125 milhões, com previsão de início das atividades no segundo trimestre de 2014.

2012 e 2013 — Construção da unidade

As obras foram executadas no Centro Industrial do Subaé, às margens da BR-324. Durante essa fase, a estimativa oficial indicava mais de 300 empregos diretos e 150 indiretos vinculados à implantação.

23 de outubro de 2013 — Empresa apresenta estágio das obras

Executivos da Placo reuniram-se com José Ronaldo e informaram que a fábrica estava em fase de conclusão. A empresa registrava 50 empregos diretos e estimava iniciar a produção em 2014.

Fevereiro de 2014 — Início da produção reduzida

A unidade começou a fabricar placas em escala reduzida, enquanto equipes realizavam testes, ajustes industriais e treinamento de trabalhadores.

Abril de 2014 — Fase de testes industriais

O Governo da Bahia registrou que a fábrica já realizava testes para a produção de placas de gesso acartonado e contabilizava mais de 100 empregos diretos e indiretos vinculados ao empreendimento.

25 de novembro de 2014 — Inauguração oficial

A Saint-Gobain inaugurou a fábrica com a presença de Jaques Wagner, James Correia, Stenio Almeida e outras autoridades. A unidade chegou à cerimônia com investimento de R$ 125 milhões, capacidade superior a 20 milhões de metros quadrados por ano e 70 empregos diretos.

Governador Jaques Wagner participa da inauguração da fábrica da Placo do Brasil em Feira de Santana.
Governador Jaques Wagner participa da inauguração da fábrica da Placo do Brasil em Feira de Santana.
Vista aérea da unidade industrial da Placo do Brasil em Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
Vista aérea da unidade industrial da Placo do Brasil em Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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