A expansão industrial da Placo Saint-Gobain em Feira de Santana, detalhada nesta terça-feira (21/07/2026) ao jornal Valor, prevê a implantação da maior e mais tecnológica linha de produção de placas de drywall da América Latina, com aumento estimado de 75% na capacidade produtiva, geração de aproximadamente 200 empregos diretos e indiretos e início das operações no começo de 2028. O projeto amplia a presença da multinacional francesa no interior da Bahia e se insere em um plano industrial anteriormente apresentado com previsão de investimento de R$ 450 milhões e incorporação de uma área de cerca de 250 mil metros quadrados.
O investimento será direcionado à construção de uma nova linha de fabricação de placas de gesso destinadas a sistemas de drywall. Segundo informações divulgadas pela companhia, a ampliação transformará a unidade instalada em Feira de Santana na maior e mais tecnológica fábrica do segmento na América Latina.
A empresa prevê concluir as obras e iniciar a operação industrial no começo de 2028. Com a nova estrutura, a capacidade produtiva local deverá crescer 75%, permitindo à companhia ampliar o atendimento ao mercado brasileiro e responder ao aumento da utilização de sistemas construtivos industrializados.
A etapa anunciada em julho foi apresentada como um investimento de dezenas de milhões de euros. Em abril de 2026, entretanto, o projeto de expansão levado pela empresa à Prefeitura de Feira de Santana havia sido estimado em R$ 450 milhões, com previsão de ampliação da área industrial em aproximadamente 250 mil metros quadrados.
Projeto poderá gerar aproximadamente 200 empregos
A nova linha deverá criar cerca de 200 postos de trabalho diretos e indiretos, considerando as etapas de implantação e funcionamento. A estimativa representa um impacto potencial sobre o mercado de trabalho de Feira de Santana e sobre empresas fornecedoras de serviços industriais, manutenção, transporte, engenharia, montagem e logística.
A expansão também poderá ampliar a demanda por profissionais especializados em automação, mecânica, eletricidade industrial, segurança do trabalho, controle de qualidade, processos produtivos e instalação de sistemas de construção a seco.
O número atualmente divulgado difere de projeções anteriores. Em fevereiro de 2025, informações apresentadas pela administração municipal indicavam aproximadamente 200 novos empregos diretos e mencionavam uma expansão em fases capaz de quadruplicar a capacidade produtiva. No anúncio mais recente, a previsão passou a ser de 200 empregos diretos e indiretos e crescimento de 75% na capacidade, o que indica possível revisão do escopo, divisão do empreendimento em etapas ou adoção de critérios diferentes de contabilização.
Investimento fortalece parque industrial de Feira de Santana
A ampliação reforça a posição de Feira de Santana como centro industrial e logístico do interior da Bahia. A localização do município, conectado às rodovias BR-324, BR-116 e BR-101, favorece o transporte de insumos e produtos para diferentes regiões do Nordeste e do país.
A unidade da Placo está localizada no Centro Industrial do Subaé, às margens da BR-324. A instalação atende principalmente aos mercados do Nordeste e de regiões vizinhas, reduzindo distâncias logísticas e aproximando a produção dos principais centros consumidores.
Além dos empregos gerados diretamente pela companhia, investimentos desse porte podem movimentar atividades relacionadas à construção civil, fornecimento de equipamentos, transporte rodoviário, alimentação industrial, segurança, manutenção, tecnologia e serviços técnicos.
O alcance econômico, contudo, dependerá da participação efetiva de fornecedores regionais, da contratação de trabalhadores locais e da integração da fábrica com programas de qualificação profissional desenvolvidos em Feira de Santana e nos municípios do entorno.
Unidade começou a operar em 2014
A presença da Placo em Feira de Santana começou a ser estruturada em 2012. Em 23 de outubro de 2013, representantes da empresa apresentaram à Prefeitura o estágio de implantação da unidade, construída em aproximadamente 18 meses e inicialmente estimada em R$ 125 milhões.
A fábrica foi inaugurada em 25 de novembro de 2014, durante cerimônia com representantes da Saint-Gobain e do Governo da Bahia. Na ocasião, a unidade foi apresentada como a segunda planta industrial da Placo no Brasil, com capacidade projetada superior a 20 milhões de metros quadrados de drywall por ano.
O empreendimento original previa mais de 300 postos de trabalho diretos e aproximadamente 150 indiretos, segundo as informações divulgadas pelo Governo do Estado naquele período. A fábrica foi implantada para atender à expansão do mercado nordestino e ampliar a capacidade nacional de produção de placas de gesso.
Modernização antecedeu o novo ciclo de expansão
Antes do projeto atual, a unidade recebeu outros aportes destinados à modernização de equipamentos e processos industriais. Em novembro de 2024, representantes do Governo da Bahia acompanharam um projeto de atualização da planta estimado em R$ 10 milhões.
Naquele momento, a fábrica operava em três turnos diários e era apontada como a única unidade brasileira da Placo responsável pela fabricação das placas Glasroc X, utilizadas em aplicações que exigem maior resistência à umidade e à exposição ambiental.
Em maio de 2026, a operação de Feira de Santana conquistou quatro prêmios durante o Fórum Operacional do Gesso Américas, realizado em Cincinnati, nos Estados Unidos. A premiação reconheceu resultados relacionados a processos, segurança, eficiência e desempenho operacional, em um período no qual a empresa já informava a intenção de ampliar significativamente a área industrial.
Crescimento do drywall sustenta decisão industrial
O projeto ocorre em um período de expansão do mercado internacional de placas de gesso. Estudo da consultoria Mordor Intelligence estima que o mercado global de plasterboard, categoria que inclui as placas utilizadas em sistemas de drywall, crescerá de 13,19 bilhões de metros quadrados em 2026 para 16,81 bilhões de metros quadrados em 2031.
A projeção corresponde a uma taxa média anual de crescimento de aproximadamente 4,96% entre 2026 e 2031. Entre os fatores apontados estão a industrialização dos processos construtivos, a redução do tempo de execução das obras, a adoção de padrões ambientais mais rigorosos e a procura por materiais com maior conteúdo reciclado.
No Brasil, segundo dados apresentados pela Saint-Gobain, o consumo per capita de drywall dobrou desde 2020 e alcançou aproximadamente 0,7 metro quadrado por habitante ao ano. A empresa considera que o patamar ainda é reduzido quando comparado a mercados mais maduros: o consumo seria cerca de quatro vezes maior no Chile e dez vezes superior nos Estados Unidos.
Essa diferença é interpretada pela companhia como espaço para expansão da construção a seco no mercado brasileiro, especialmente em empreendimentos residenciais, comerciais, hospitalares, industriais e institucionais.
Construção industrializada reduz etapas no canteiro de obras
O drywall é formado por placas de gesso revestidas com cartão e fixadas sobre estruturas metálicas. O sistema pode ser utilizado em paredes internas, forros, revestimentos e soluções com requisitos específicos de resistência ao fogo, isolamento acústico e proteção contra umidade.
Diferentemente da alvenaria convencional, a tecnologia utiliza componentes padronizados e montagem predominantemente a seco. Essa característica reduz etapas de preparação, diminui a utilização de água no canteiro e facilita a instalação de redes elétricas, hidráulicas e de comunicação.
A Associação Brasileira da Construção Leve e Sustentável reúne, além do drywall, os sistemas steel frame, wood frame e modular, caracterizados pela utilização de componentes industrializados, montagem planejada e redução do tempo de execução. A entidade aponta como vantagens a flexibilidade dos projetos, a facilidade de montagem, a precisão dimensional e a menor geração de resíduos.
Segundo a Saint-Gobain, soluções integradas de construção leve podem reduzir o tempo de execução em até 50%, dependendo das características do projeto, da logística, do planejamento e da qualificação das equipes.
Sistemas podem ampliar área útil dos imóveis
A redução da espessura das paredes internas é uma das vantagens atribuídas ao drywall. Conforme dados apresentados pela Associação Brasileira da Construção Leve e Sustentável, a utilização desses sistemas pode permitir aumento de até 5% na área útil de determinados imóveis.
O resultado não é uniforme e depende do projeto arquitetônico, da espessura das divisórias, dos requisitos técnicos e da comparação com o sistema convencional originalmente previsto.
Além do aproveitamento do espaço, os fabricantes destacam a possibilidade de combinar placas, perfis metálicos, isolantes e componentes acústicos para atender a diferentes especificações de conforto térmico, resistência ao fogo e redução de ruídos.
A adoção do drywall exige, entretanto, projeto detalhado e instalação tecnicamente adequada. A definição dos perfis, espaçamentos, reforços, placas e pontos de fixação deve considerar as cargas previstas, as instalações internas e o desempenho exigido para cada ambiente.
Empresa destaca redução de resíduos e emissões
A Placo sustenta que os sistemas de construção leve podem reduzir em até 80% a geração de resíduos e em até 39% as emissões de gases de efeito estufa por projeto, quando comparados a determinados métodos convencionais.
Os percentuais são indicadores corporativos e podem variar conforme o desenho do empreendimento, a origem dos materiais, as distâncias de transporte, o consumo de energia, a destinação dos resíduos e a metodologia utilizada na avaliação do ciclo de vida.
Entre as vantagens ambientais associadas à construção a seco estão a menor geração de entulho, a redução do peso das edificações, a possibilidade de reciclagem de componentes e a maior precisão na quantidade de material levada ao canteiro.
Escassez de mão de obra amplia importância da capacitação
A expansão do uso de sistemas industrializados ocorre paralelamente à dificuldade de contratação de profissionais qualificados na construção civil. Em julho de 2026, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção voltou a apontar que a escassez alcança trabalhadores operacionais, técnicos e profissionais de nível superior, podendo limitar a capacidade de execução de novos projetos.
A industrialização é apresentada pelo setor como uma forma de elevar a produtividade, melhorar o controle dos processos e reduzir a dependência de atividades artesanais executadas diretamente nos canteiros.
O avanço da tecnologia, contudo, não elimina a necessidade de trabalhadores. Ele altera o perfil profissional exigido, aumentando a demanda por montadores, projetistas, supervisores, técnicos de segurança, operadores industriais e profissionais capazes de interpretar projetos e normas técnicas.
Segundo informações divulgadas pela Saint-Gobain, o grupo capacita aproximadamente 2,5 mil profissionais por ano e mantém uma rede de 17 academias de treinamento no país. Entre as iniciativas estão os programas Placo Ensina, destinado ao desenvolvimento de instaladores, e Reforma, voltado à formação de mulheres montadoras de drywall.
A companhia também informa manter cooperação com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. A integração entre empresa, Senai e instituições locais poderá ser determinante para que parte das oportunidades geradas pela expansão seja ocupada por trabalhadores de Feira de Santana e da região.
Saint-Gobain mantém atuação global no setor da construção
A Placo integra o grupo francês Saint-Gobain, fundado em 1665 e atualmente especializado em materiais e soluções para os mercados residencial, não residencial, industrial e de infraestrutura.
Dados institucionais atualizados informam que o grupo registrou € 46,5 bilhões em vendas em 2025, mantém aproximadamente 160 mil trabalhadores em 80 países e estabeleceu como meta alcançar emissões líquidas neutras de carbono até 2050. Os números atualizados diferem ligeiramente dos 162 mil funcionários e 81 países mencionados em materiais anteriores.
No Brasil, a Saint-Gobain atua por meio de marcas ligadas a argamassas, abrasivos, vidros, isolamento, placas de gesso, coberturas, fachadas e outros componentes utilizados pela construção civil e pela indústria.
A permanência e ampliação da Placo em Feira de Santana inserem o município em uma cadeia produtiva global e fortalecem a presença da Bahia no segmento de materiais industrializados para a construção.
Linha do tempo da Placo Saint-Gobain em Feira de Santana
- 7 de dezembro de 2012: projeto de implantação da unidade industrial começa a ser divulgado em Feira de Santana.
- 23 de outubro de 2013: representantes da empresa apresentam o avanço das obras à Prefeitura; o investimento é estimado em R$ 125 milhões.
- 25 de novembro de 2014: fábrica de drywall é inaugurada com capacidade projetada superior a 20 milhões de m² por ano.
- Novembro de 2024: unidade recebe projeto de modernização estimado em R$ 10 milhões.
- 3 de fevereiro de 2025: direção da Placo apresenta à Prefeitura um plano de expansão em fases.
- 24 de abril de 2026: empresa detalha projeto estimado em R$ 450 milhões, associado a uma área de aproximadamente 250 mil m².
- Maio de 2026: unidade conquista quatro prêmios no Fórum Operacional do Gesso Américas, nos Estados Unidos.
- Julho de 2026: Placo anuncia nova linha, aumento de 75% na capacidade e aproximadamente 200 empregos diretos e indiretos.
- Começo de 2028: prazo previsto para conclusão das obras e início das operações.








Deixe um comentário